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Autor Tópico: Tudo em relação a "Vida Independente"  (Lida 233817 vezes)

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Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #195 em: 18/05/2023, 14:43 »
 

A delegação Vale do Ave do Centro de Vida Independente nasceu em Guimarães

No dia 29 de março foi aprovada, em reunião de Assembleia Geral do Centro de Vida Independente (CVI), a criação da delegação Vale do Ave desta entidade constituída por pessoas com deficiência e representadas nesta delegação pelo vimaranense Marco Ribeiro, escolhido como coordenador desta estrutura que visa lutar pelos direitos das pessoas com deficiência.

A vida independente é a filosofia que está na base das reivindicações do CVI a nível de acesso a transportes e espaços públicos, à escola e à formação, acesso ao mercado de trabalho e ao serviço de assistência pessoal. Mas acima de tudo, rege a luta por uma vida digna primada pelo respeito pelas respetivas escolhas e decisões e que que garanta “uma efetiva autorrepresentação e autodeterminação” das pessoas com deficiência.

As delegações, como é o caso da recém-criada Vale do Ave, são muito importantes porque funcionam como grupos organizados de ativistas que se juntam e planeiam ações de proximidade para que se tomem medidas no sentido de reivindicar destes mesmos direitos.

Abril foi o mês para os elementos da delegação se conhecerem melhor, angariarem novos “companheiros de luta” e para organizar a primeira ação pública da delegação do Vale do Ave do CVI.

No dia 05 de maio foi o Dia Europeu da Vida Independente e para assinalar esta data o Centro de Vida Independente promoveu uma marcha, em Lisboa e em Vila Real e uma concentração, em Guimarães, que reivindicava uma assistência pessoal adequada e acessível a toda a gente que precisa e na defesa da Vida Independente.

Adolf Ratzka, o fundador do Instituto de Vida Independente da Suécia e pioneiro do Movimento de Vida Independente na Europa deixa nota que, nos tempos que correm, “a maioria das pessoas com deficiências significativas e que necessitam de assistência nas atividades da vida diária está dependente das suas famílias ou vive em instituições residenciais”.

A assistência pessoal é essencial para que as pessoas com deficiência possam viver em comunidade mas a figura do assistente pessoal ainda gera confusão e não tem um papel definido e respeitado. “As pessoas, que sabem muito pouco sobre a assistência pessoal, partem do princípio de que os nossos assistentes se limitam a garantir que não passamos frio, não morremos à fome, não cheiramos mal. E que isso seja tudo o que precisamos para sobreviver”, refere o ativista. “Mas nós não estamos interessados em sobreviver. Nós queremos ter uma vida”, defende Adolf Ratzka.

Esta iniciativa de luta por direitos humanos, para “exigir coletivamente que a assistência pessoal seja para toda a gente que precisa”, em Guimarães aconteceu no Parque da Cidade, onde a concentração se realizou e se teve oportunidade de conhecer melhor algumas das pessoas que compõem esta delegação.



Fonte: https://forumdeficiencia.guimaraes.pt/?p=2583&fbclid=IwAR1xdF8ZrkzDwrfLrT5mWNKlgOjWYLdtXmsfPCvrpMZxnQV8zTG1mIBNcec
 
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Offline rodrigosapo

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #196 em: 21/05/2023, 19:52 »
 
Portugal sem estratégia de integração de deficientes, alerta investigador
18 mai, 2023 - 12:09 • André Rodrigues

Luís Capucha, professor no ISCTE, dá como exemplo o apoio à vida independente que prevê que as pessoas com incapacidade possam ter um assistente pessoal. Medida abrange pouco mais de mil beneficiários e o seu alargamento depende de "mais ambição política".

Jogo "KIT Direitos Humanos" vai ser distribuído nas escolas, após fase-piloto em Almada, Barreiro e Palmela. Foto: Inovar Autismo/ISCTE
Portugal não tem uma estratégia eficaz para promover a integração das pessoas com deficiência, alerta o sociólogo Luís Capucha, em declarações à Renascença.

Em causa está a dificuldade na expansão da medida de apoio à vida independente, que permite que os portadores de incapacidade possam beneficiar da ajuda de assistentes pessoais para as tarefas do dia a dia que não são capazes de desempenhar.

"Atualmente, serão mil e poucas pessoas a beneficiar desta medida, por isso estamos a falar de um universo ainda bastante reduzido", uma vez que "há muita gente que também desconhece a existência destes assistentes pessoais".

No dia em que o ISCTE inaugura o Núcleo de Estudos da Deficiência em Portugal, Luís Capucha, professor naquele instituto, lembra que esta medida "continua a ser financiada, essencialmente, por fundos estruturais", logo, "não tem garantia de continuidade para além desses fundos estruturais".

O que significa, acrescenta o docente, que "não há, neste momento, no horizonte nenhuma ameaça que ela venha acabar no curto ou no médio prazo para as pessoas que já beneficiam desta medida".

Contudo, a expansão da medida para um universo mais alargado de beneficiários pode ser mais difícil, mas tudo depende da "ambição política" dos decisores para "ultrapassar vários obstáculos".

"Um deles é a demonstração de que custa mais à sociedade colocar pessoas com deficiência num centro de atividades ocupacionais, do que pô-las ativas e em condições de trabalhar", exemplifica.


Educação especial continua a ser o parente pobre da educação em Portugal
Há falta de investimento em recursos humanos e as (...)

"KIT Direitos Humanos". Uma espécie de 'Monopólio com Jogo da Glória' pela inclusão
A partir de hoje, as escolas do ensino básico e secundário vão receber o "KIT Direitos Humanos", um jogo de tabuleiro com o objetivo de estimular a inclusão e os direitos humanos das pessoas com deficiência e com autismo.

O projeto desenvolvido em conjunto por investigadores do ISCTE e pela associação Inovar Autismo teve uma fase piloto em escolas nos concelhos de Almada, Barreiro e Palmela.

"É uma espécie de Monopólio misturado com Jogo da Glória em que os jogadores avançam em função das respostas certas que vão dando em matéria de inclusão e de direitos humanos das pessoas com incapacidade", explica Luís Capucha.

Por outro lado, "queremos que os jovens com deficiência se sintam capacitados para serem mais autónomos e para terem uma melhor perceção de si próprios".

O investigador identifica na sociedade portuguesa "um défice considerável em relação à inclusão das pessoas com deficiência", que acaba por se traduzir em "baixas habilitações, desemprego elevado que acabam por ter como consequência a sua institucionalização".


Fonte: RR
 
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Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #197 em: 10/06/2023, 11:12 »
 
RELATÓRIO MENSAL MAVI – ABRIL 2023
Atualizado: 09/06/2023


RELATÓRIO MENSAL MAVI – ABRIL 2023

A atividade mensal dos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI), que integram o projeto-piloto do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI), é reportada ao Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., tendo por base o preenchimento das grelhas de monitorização por parte de cada uma das instituições.

De acordo com as referidas monitorizações, em abril de 2023, nos 35 projetos em funcionamento, foram apoiadas 1060 pessoas, das quais 471 na Região Norte, 208 na Região Centro, 137 na Região Alentejo (816 apoiadas nestas 3 regiões, das quais 753 no âmbito do POISE e 63 no âmbito do ISS) 40 na Região do Algarve e 204 na Região de Lisboa.

Das 1060 pessoas apoiadas, 572 são do género feminino e 488 do género masculino., foram apoiadas pessoas entre os 18 e os 93 anos, sendo a idade média de 46 anos.

Desde o início do projeto até ao dia 30 de abril de 2023, foram prestadas um total de 3.783.196 (três milhões, setecentas e oitenta e três mil, cento e noventa e seis) horas, das quais 1.789.990 (um milhão, setecentas e oitenta e nove mil, novecentas e noventa) na Região Norte, 631.173 (seiscentas e trinta e um mil, cento e setenta e três) na Região Centro, 489.418 (quatrocentas e oitenta e nove mil, quatrocentas e dezoito) na Região Alentejo, (2.884.798 (dois milhões, oitocentas e oitenta e quatro mil, setecentas e noventa e oito) horas foram prestadas no âmbito do POISE, e 25.783 (vinte cinco mil, setecentas e oitenta e três) no âmbito do ISS), 258.101 (duzentas e cinquenta e oito mil, cento e uma) horas na Região do Algarve e 614.514 (seiscentas e catorze mil, quinhentas e catorze) horas na Região de Lisboa.

Em suma, durante o mês de abril de 2023, o número de PIAP ativos aumentou, bem como o número de assistentes pessoais contratados e em funções. O número de assistentes pessoais com contrato e sem exercer funções diminuiu. O número de PIAP suspensos, novos e terminados diminuíram relativamente aos valores apresentados no mês anterior.



INR
 
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Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #198 em: 29/06/2023, 09:57 »
 
3º Fórum sobre o "MAVI - Medida de não institucionalização?"samanda

Atualizado: 05/06/2023

Convite: 3º Fórum sobre o
O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.), no âmbito da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência (ENIPD 2021-2025), está a realizar um conjunto de fóruns, a nível nacional, para promover a discussão sobre estratégias e medidas de não institucionalização, assente nas plataformas da Rede Social e ONGP.
 
O 3º Fórum sobre o "MAVI - Medida de não institucionalização?" vai ter lugar online, no dia 29 de junho, pelas 14h30, envolvendo o município de Viana do Castelo, os CAVI, ONGPD e parceiros sociais.
 
Programa provisório:
14H30 | Abertura
Luís Nobre, Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo
14H40 | MAVI - Medida de não institucionalização?
Oradores:
Filomena Araújo – Presidente da APC Viana do Castelo
Carlota Borges – Vereadora de Ação Social da Câmara Municipal de Viana do Castelo
Cristina Oliveira – Diretora distrital do Instituto da Segurança Social
Isabel Barciela – Diretora Técnica da Iris Inclusiva
José Senra, Destinatário de assistência pessoal do CAVI da APCVC
Fátima Laranjo, Familiar de destinatário de assistência pessoal do CAVI da APCVC
15H50 | Encerramento
Rodrigo Ramos, Presidente do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.
Faça aqui a sua inscrição até ao dia 28 de junho.
 
Contamos consigo!




Fonte: INR
 
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Offline Oribii

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #199 em: 03/07/2023, 17:13 »
 
Projetos-piloto para vida independente ainda à espera de lei


02 julho, 2023 às 08:23
Jorge Falcato, à esquerda
Gerardo Santos / Global Imagens
Governo garante que apoios aos centros existentes vão continuar, mas os mais de mil utentes apoiados estão ansiosos por não conhecerem modelo.

Rui Dias
Jornalista

Há neste momento 1060 pessoas com deficiência a beneficiar de um assistente pessoal, através dos 35 Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI) que existem integrados num projeto-piloto lançado em 2019, inicialmente para durar 36 meses. Enquanto se espera pela lei que há de regular o modelo definitivo, os projetos piloto foram prolongados para 42 e, depois, para 55 meses. Na passada sexta-feira, 30 de junho, terminou o período de financiamento através do PT 2020, sem que a legislação tenha sido apresentada.

JN
 
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Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #200 em: 21/10/2023, 15:19 »
 
Convite Dia Municipal para a Igualdade - Desígnios de Vida Independente

recebido por e-mail
 

Offline rui sopas

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #201 em: 28/10/2023, 13:53 »
 
Esta é a altura de exigir uma definição do Modelo de Apoio à Vida Independente.
Muito há a decidir no que será a assistência pessoal em Portugal no futuro.
Para saberes mais, junta-te à nossa comunidade do WhatsApp.
https://chat.whatsapp.com/CiBgUC87k8TDCQr0qkEaCT






Facebook
 

Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #202 em: 01/11/2023, 16:00 »
 
8º Fórum sobre o "MAVI - Medida de não institucionalização?" | 8 de novembro

Sobre fundo preto, do lado superior esquerdo, o logotipo do INR
seguido da data: 8 de novembro de 2023. Título: 8º Fórum
| MAVI - Medida de não institucionalização? | Figueira
da Foz (Online). Por baixo, o logotipo da ENIPD 2021-2025. Ao lado direito:
dois pares de mãos sobre livro em braille.


O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.), no âmbito da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência (ENIPD 2021-2025), convida à participação em um conjunto de fóruns, a nível nacional, para promover a discussão sobre estratégias e medidas de não institucionalização, assente nas plataformas da Rede Social e ONGP.

O 8º Fórum sobre o "MAVI - Medida de não institucionalização?" vai ter lugar online, no dia 8 de novembro, pelas 14h30, envolvendo o município da Figueira da Foz, os CAVI, ONGPD e parceiros sociais.

Consulte o programa e faça a sua inscrição até ao dia 7 de novembro. O link de acesso à sessão ser-lhe-á enviado após o encerramento das inscrições.

Participe e divulgue!

Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.
 

Offline luisinho

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #203 em: 18/11/2023, 18:12 »
 


9º Fórum sobre o "MAVI - Medida de não institucionalização?"
No âmbito da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência (ENIPD 2021-2025), o Instituto Nacional para a Reabilitação está a realizar um conjunto de fóruns, a nível nacional, para promover a discussão sobre estratégias e medidas de não institucionalização.
O 9º Fórum sobre o "MAVI - Medida de não institucionalização?" vai ter lugar em Beja, no dia 21 de novembro, pelas 14h30, no Auditório do Centro de Emprego e Formação Profissional de Beja (Quinta de Santo António, En 260, km 8 - Neves, 7800-650 Beja), envolvendo o município de Beja, os CAVI, ONGPD e parceiros sociais.


Mais informação: https://www.inr.pt/noti.../-/journal_content/56/11309/904552


INR
 
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Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #204 em: 08/12/2023, 16:48 »
 
Pessoas com deficiência vão ter novo serviço de apoio da Segurança Social

Cerca de "3.000 pessoas" com deficiência ou incapacidade deverão beneficiar a partir de janeiro de 2024 de um novo serviço de assistência pessoal por parte da Segurança Social, anunciou hoje o Governo.


© iStock


13:20 - 07/12/23 POR LUSA

O Modelo de Apoio à Vida Independente -- Assistência Pessoal (MAVI) vai "integrar a lista de respostas sociais da Segurança Social (...), mediante celebração de acordo de cooperação com os centros de apoio à vida independente", indica um comunicado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O programa "com um custo anual de 33 milhões de euros" visa "tornar as pessoas com deficiência menos dependentes de institucionalização, apoiando a sua integração na sociedade, na escola e no trabalho", refere o comunicado.

A idade mínima de acesso ao serviço é de 14 anos e o MAVI "garante que, através da colaboração um assistente pessoal, os destinatários possam realizar atividades que não conseguiriam concretizar de forma autónoma, como higiene, cuidados pessoais, alimentação, deslocações, frequência do sistema educativo ou formativo, procura ativa de emprego e integração laboral, acesso a cultura, lazer e desporto e outras formas de vida em sociedade".

Estarão cobertos também custos com obras na habitação, rendas e transporte, segundo o comunicado.

O Assistente Pessoal terá "reconhecido o direito a contrato de trabalho desde o início do processo, com acesso a formação em contexto de trabalho" e, no caso de pessoa com deficiência em idade escolar, o assistente pode "prestar apoio diretamente na escola".

A portaria que estabelece as condições de criação, instalação, organização e funcionamento desta nova resposta social foi publicada hoje em Diário da República.

O programa será executado pelos "centros de apoio à vida independente (CAVI), que são as entidades beneficiárias e legalmente responsáveis pela promoção da disponibilização do serviço de assistência pessoal de apoio às pessoas com deficiência ou incapacidade", refere a portaria, que entra em vigor na sexta-feira e "produz efeitos em 01 de janeiro de 2024".



Fonte: Noticias ao minuto
 

Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #205 em: 08/12/2023, 18:05 »
 

Para Catarina, ter uma assistente pessoal é ter uma vida digna: “Uma revolução”
Em Portugal, pessoas com deficiência são segregadas do espaço público e a liberdade nem sempre é um direito. A assistência pessoal veio mudar isso.

Margarida Leite Gonçalves
7 de Dezembro de 2023, 10:20 actualizado a 7 de Dezembro de 2023, 12:51

A filosofia de vida independente “é uma revolução na forma como percepcionamos a deficiência”, acredita Catarina Vitorino SERGIO AZENHA


Decidir viajar de comboio à última hora, dormir até tarde, ter ambições, sonhos, sair à noite, comer a comida preferida até enjoar — tudo isto são vivências, liberdades, que fazem parte da experiência de todos os seres humanos.


Mas, em Portugal, pessoas com deficiência que não disponham de apoio familiar nem sempre têm acesso à liberdade que é a espontaneidade do dia-a-dia. A institucionalização é, muitas vezes, o destino que muitas destas pessoas não escolheram. “É como se fosse uma fábrica”, descreve Catarina Vitorino, 28 anos, psicóloga e activista dos direitos das pessoas com deficiência, que vive em Coimbra. Nas instituições não há “espaço para as próprias pessoas se conhecerem” e isso vê-se em exemplos tão simples como “não saberem qual é a sua comida preferida”, ou mesmo se “gostam de dormir até tarde ou acordar cedo”, porque todos os dias são acordadas à mesma hora.

“Não há espaço para a individualidade das pessoas com deficiência”, reforça Catarina, acrescentando que muitos aspectos importantes de uma vida digna, principalmente o poder de decisão, “não chegam à pessoa com deficiência”, declara.

Já Diana Santos, 39 anos, psicóloga e vice-presidente do Centro de Vida Independente, refere que pessoas portadoras de deficiência segregadas do espaço público e impedidas de o usufruir, “no geral, não têm noção do quão discriminadas são”.

Por isto é que a filosofia de vida independente “é uma revolução na forma como percepcionamos a deficiência”, começa por explicar Catarina Vitorino. “O que está errado não somos nós, pessoas com deficiência, não é o nosso corpo. É o contexto que não está preparado para nos receber”, resume.

Esta forma de encarar a deficiência de uma perspectiva não assistencialista surgiu nos anos 1970, na Universidade da Califórnia, quando um grupo de jovens com deficiência deu início à luta pelo acesso ao ensino superior. Desde então, este paradigma estabelece que as pessoas podem, e devem, ter o controlo da sua própria vida, tomar decisões sobre o seu quotidiano e estabelecer objectivos para o seu futuro.


Catarina Vitorino e a sua assistente pessoal SÉRGIO AZENHA
“Sou eu que tomo as decisões”
Um dos pilares da filosofia de vida independente é a assistência pessoal. Apesar de à primeira vista parecer semelhante, a assistência pessoal não é a mesma coisa que um cuidador.

No caso dos assistentes pessoais, é a pessoa com deficiência que gere e decide as condições e tarefas do profissional. “Sou eu que tomo estas decisões, sem depender de familiares e amigos”, diz Catarina. O assistente pessoal pode auxiliar nos cuidados de higiene e preparação de refeições, mas as suas funções vão para além disso, assistindo a pessoa com deficiência na sua vida social, profissional, cultural e política.

Tanto Catarina Vitorino como Diana Santos utilizam a assistência pessoal no seu quotidiano e dizem que as suas vidas melhoraram exponencialmente. No caso da activista de Coimbra, as suas assistentes pessoais auxiliam-na em todas as tarefas: nos cuidados básicos (como a higiene e alimentação), mas também na maquilhagem, no trabalho e nas actividades associativas. Além disso, através da assistência pessoal, Catarina conseguiu concretizar a sua vontade de viajar sozinha, algo que outrora não considerava ser possível.

Também para Diana a assistência pessoal abriu portas para uma vida que não julgava estar ao seu alcance: “Pude voltar a estudar e especializar-me na área que queria, algo que não tinha coragem de estar a exigir aos meus pais.” Ademais, através da assistência pessoal, Diana conseguiu sair de casa dos pais e ir morar com o seu parceiro. “Sempre pus na cabeça que não queria que o meu marido fosse meu cuidador e, por isso, noutras relações preferia terminar, porque não conseguia dar esse passo”, admite. Actualmente, Diana diz viver “como quer” e com a segurança de que ela e o marido vivem “de igual para igual”.

“Do ponto de vista da identidade tudo muda”, declara Diana. “Hoje em dia dizem que sou mais resmungona”, confessa, entre risos. “Mas é porque agora o posso ser, não tenho de estar a agradar ninguém.” A psicóloga revela que antes de ter assistência pessoal era “mais submissa”: “Não podia afrontar ninguém, nem mesmo os meus pais, porque depois são aquelas pessoas que te vão dar de comer e vestir. E é horrível, se estiveres a fazer a tua higiene com uma pessoa que não te fala.”


E em Portugal?
Em Portugal, a assistência pessoal começou em 2016 num projecto-piloto da Câmara de Lisboa. Uns anos depois, já em 2019, entra em vigor um novo projecto-piloto, o Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI). Desta vez por todo o país e financiado por fundos europeus no âmbito do Acordo Portugal 2020.

O projecto-piloto do MAVI terminou em Junho deste ano, e, desde aí, a gestão da assistência pessoal ficou nas mãos da Segurança Social, num “período de transição”, com os contratos dos assistentes a serem renovados de seis em seis meses.

Numa decisão publicada na manhã desta quinta-feira em Diário da República, na Portaria n.º415/2023, o Governo decidiu avançar com o lançamento definitivo do MAVI. O texto estabelece “as regras para a criação, organização, gestão e funcionamento dos centros de apoio à vida independente” e do “exercício da actividade de assistência pessoal”.


Nessa mesma portaria, o Governo reconhece o sucesso do projecto-piloto, que, “com mais de mil beneficiários”, serviu para identificar “as melhorias necessárias e a sua incorporação no modelo definitivo, visando tornar a assistência pessoal mais efectiva no apoio à salvaguarda da vida independente”.

Em entrevista ao P3, quando ainda não se sabia que o MAVI iria avançar, Catarina Vitorino falava num período “assustador e de grande incerteza”. “Com a assistência pessoal ganhamos uma vida digna, mas agora há a possibilidade de nos tirarem isso. Há quem neste momento não tenha alternativa, não têm família para prestar apoio; por isso, ou é assistência pessoal, ou institucionalização”, explicou.

“Não sabemos quantos somos”
Não se sabe quantas pessoas precisam deste tipo de auxílio, ou mesmo quantas pessoas com deficiência existem no país. Não há números. “A única estatística mais próxima que temos são os censos. Mas a forma como os censos avaliam não é fidedigna, porque não existem parâmetros específicos de análise para as pessoas com deficiência”, explica a psicóloga de Coimbra. “Estamos às cegas”, acrescenta.


O assistente pessoal pode auxiliar nos cuidados de higiene e preparação de refeições, mas as suas funções vão para além disso, assistindo a pessoa com deficiência na sua vida social, profissional, cultural e política SÉRGIO AZENHA
Diana Santos destaca que, quando se elaboram medidas para pessoas com deficiência sem saber “quantas existem, onde é que elas estão, quanto ganham ou qual a distribuição geográfica”, o resultado é que estas “políticas não [chegam] a toda a gente” — é o caso da assistência pessoal.

Para a vice-presidente do Centro de Vida Independente, existir assistência pessoal para todas as pessoas com deficiência que assim o desejem “não é utópico”. Aliás, apresenta uma lista de países onde isso já acontece: Inglaterra, Suécia, Holanda e na vizinha Espanha.

No fundo, e apesar de ser uma das facetas cruciais para garantir a vida independente, ainda falta concluir o trabalho de inclusão e de eliminação de barreiras sociais e políticas para que as pessoas com deficiência possam ter uma vida digna. Para Catarina Vitorino, a mudança começa por integrar a deficiência nas questões políticas: “Nós vemos a deficiência como uma área específica, uma ‘pasta’ estanque no governo. E não é assim. Enquanto a deficiência não integrar as discussões sobre políticas de habitação, saúde e educação, a inclusão não vai acontecer.”

Texto editado por Renata Monteiro

Fonte: Publico
 

Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #206 em: 09/12/2023, 15:42 »
 
Apoio à vida independente? Movimento acusa Governo de "falta de rigor"

O Mecanismo de Monitorização da Implementação da Convenção das Nações Unidas Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Me-CDPD) acusou hoje o Governo de "falta de qualidade, rigor e oportunidade" na regulamentação do Modelo de Apoio à Vida Independente.
Apoio à vida independente? Movimento acusa Governo de "falta de rigor"


© iStock

15:30 - 08/12/23 POR LUSA

ME-CDPD

Em comunicado, aquele organismo disse que o Governo não concedeu o "tempo necessário" ao Me-CDPD para que se pronunciasse sobre a portaria que estabelece as condições de criação, instalação, organização e funcionamento a que deve obedecer aquela resposta social, limitando-se a cumprir o formalismo legal de consultar o Me-CDPD.

O mecanismo salientou que lhe foram concedidas apenas 24 horas para emitir um parecer, que sendo obrigatório não é vinculativo, o que, acusou o Me-CDPD, sugere a "mera preocupação com o cumprimento de uma obrigação sem acautelar o tempo necessário para uma verificação da conformidade" aos princípios e normas da Convenção e a formulação de recomendações.

"Sentimos assim que, na regulamentação de uma resposta social essencial para as Pessoas com Deficiência, houve falta de qualidade, de rigor e de oportunidade, o que para os membros do Me-CDPD constitui matéria censurável", lê-se no texto.

Salientando que "o direito à vida independente e à inclusão na comunidade, é também um direito das pessoas com deficiência", o movimento referiu que "ao proceder desta forma, o Governo não deu ao Me-CDPD a oportunidade para um pronunciamento sério e completo da presente iniciativa regulamentar, conforme seria a sua obrigação".

O Me-CDPD indicou ainda que "não foram acolhidas nenhuma das recomendações do Me-CDPD nesta versão final da Portaria, recomendações essas que visavam uma maior conformidade com o espírito e o articulado da Convenção, quando o que está em causa é o cumprimento do direito à vida independente e à inclusão na comunidade".

O Governo anunciou na quinta-feira que cerca de 3.000 pessoas com deficiência ou incapacidade deverão beneficiar a partir de janeiro de 2024 de um novo serviço de assistência pessoal por parte da Segurança Social.

O Modelo de Apoio à Vida Independente -- Assistência Pessoal vai "integrar a lista de respostas sociais da Segurança Social [...], mediante celebração de acordo de cooperação com os centros de apoio à vida independente", indica um comunicado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O programa "com um custo anual de 33 milhões de euros" visa "tornar as pessoas com deficiência menos dependentes de institucionalização, apoiando a sua integração na sociedade, na escola e no trabalho", refere o comunicado.

A portaria que estabelece as condições de criação, instalação, organização e funcionamento desta nova resposta social foi publicada em Diário da República na quinta-feira.



Notícias ao Minuto
 

Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #207 em: 09/12/2023, 16:45 »
 
CVI E CAVI CVI NORTE MINISTRARAM FORMAÇÃO SOBRE ASSISTÊNCIA PESSOAL E MODELO DE APOIO À VIDA INDEPENDENTE

Decorreu, entre os dias 4 e 8 de dezembro de 2023, em Matosinhos, uma formação enquadrada no Programa de Mobilidade Internacional FP Dual da Escola de Formação Profissional CIFP Portovello de Ourense (Galiza).
Esta formação abordou a temática de "Modelo de Apoio à Vida Independente & Assistência Pessoal" e enquadrou-se na disciplina de "Atención a Persoas en Situación de Dependencia".
Gostaríamos de agradecer, com grande estima e consideração, às/aos várias/os destinatárias/os e assistentes pessoais do CAVI CVI NORTE que estiveram presentes nos últimos 2 dias para partilharem as suas experiências neste âmbito.
Estas sessões foram construídas e lecionadas pelo Grupo de Formação do CVI e contaram com a presença das/os formadoras/es Ana Catarina Correia, Mário Gonçalves e Rui Machado.
Durante estes dias foram analisadas diferentes temáticas como a história do movimento social e político das pessoas com deficiência na Europa e nos Estados Unidos da América, as diferentes perspetivas históricas e os princípios inerentes à Filosofia de Vida Independente e à Assistência Pessoal, entre outros.
Esperamos que tenham sido bons momentos de aprendizagem para as nossas formandas e estaremos sempre de portas abertas para as receber!





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Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #208 em: 24/02/2024, 17:04 »
 
Bloco de Esquerda defende apoio à vida independente das pessoas com deficiência

23 de Fevereiro, 2024 16:28


O Bloco de Esquerda reuniu com a Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga e com o seu Centro de Apoio à Vida Independente, na Póvoa de Lanhoso.


Para Bruno Maia, cabeça de lista do Bloco de Esquerda no distrito de Braga, “é fundamental promover o direito à vida independente das pessoas com deficiência”. “Garantir que todas as pessoas podem conhecer os programas eleitorais, motivo pelo qual o Bloco disponibiliza o programa em Braille e leitura fácil”, acrescenta o bloquista.


“A promoção da vida independente e o direito a ter um assistente pessoal são medidas essenciais para a autonomia e independência das pessoas com deficiência. O Centro de Apoio à Vida Independente da Póvoa de Lanhoso acompanha 50 pessoas deste concelho mas também de Braga, Amares, Terras de Bouro, Cabeceiras de Basto, Vila Verde, Famalicão, Vizela e Guimarães. Trabalha com 16 assistentes pessoais e providenciam mais de 600 horas por semana de apoio. No entanto, poderiam prestar ainda mais mais cuidados, uma vez que têm mais de 70 pessoas em espera”, reforça.

Para o cabeça de lista, “a promoção da Vida Independente é um caminho que não pode ter retrocessos e tem que ser alargado a todas as pessoas que dela necessitam. O Bloco de Esquerda tem lutado por este direito e continuaremos a a fazê-lo na próxima legislatura”.


Bruno Maia referiu também o trabalho que a Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga tem vindo a desenvolver no constante apoio às pessoas cegas no distrito, destacando que “a associação vai buscar a casa cerca de 50 utentes semanalmente, de modo a promover a sua integração e combater a solidão, algo fundamental num território disperso e com acessos de transportes públicos muito deficitários”.

“A inclusão passa também por permitir que as pessoas cegas possam conhecer as propostas políticas dos partidos. O Bloco de Esquerda disponibiliza o programa em Braille e também em leitura fácil”, finalizou Bruno Maia.



Fonte: https://bragatv.pt/bloco-de-esquerda-defende-apoio-a-vida-independente-das-pessoas-com-deficiencia/

 

Online migel

Re: Tudo em relação a "Vida Independente"
« Responder #209 em: 12/03/2024, 18:03 »
 
RELATÓRIO MENSAL MAVI – JANEIRO 2024
Atualizado: 12/03/2024

Logo do MAVI, constituído por 3 figuras que parecem pessoas de braços abertos, seguidos pelas siglas MAVI e a descrição das mesmas - Modelo de Apoio à Vida Independente. Debaixo das siglas, pode ler-se Relatório Mensal MAVI.
A atividade mensal dos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI), que integram o projeto-piloto do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI), é reportada ao Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., tendo por base o preenchimento das grelhas de monitorização por parte de cada uma das instituições.

De acordo com as referidas monitorizações, em janeiro de 2024, nos 35 projetos em funcionamento, foram apoiadas 1045 pessoas financiadas pelo ISS.

Desde o início do projeto até ao dia 31 de janeiro de 2024, foram prestadas um total de 4.087.994 (quatro milhões, oitenta e sete mil, novecentas e noventa e quatro) horas, das quais 647.390 (seiscentas e quarenta e sete mil, trezentas e noventa) no âmbito do ISS, acumulado aos de 3.440.604 (três milhões, quatrocentas e quarenta mil, seiscentas e quatro) horas de assistência pessoal prestadas no âmbito do FSE até 30 de setembro de 2023.

Em suma, durante o mês de janeiro de 2024, o número de PIAP ativos diminuiu, assim como o número de PIAP suspensos. O número de novos PIAP celebrados aumentou, assim como o número de PIAP terminados, face ao mês anterior. Diminuiu o número de assistentes pessoais com contrato, assim como o número de assistentes pessoais a prestar apoio.


INR
 

 



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