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..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Noticias => Tópico iniciado por: migel em 15/03/2011, 19:46

Título: Rendas sociais aumentam 800%
Enviado por: migel em 15/03/2011, 19:46
Rendas sociais aumentam 800%  


José Duarte e a mulher, Rosa Amélia Costa, de 55 e 61 anos respectivamente, vivem no Bairro Rosa, em Almada, e vão ver a sua renda aumentar de 11 para 330 euros. Ele é doente cardíaco, ela deficiente motora, e sobrevivem graças a uma reforma de 700 euros. " Não tenho possibilidades para pagar uma renda tão alta e ninguém empresta dinheiro a um doente cardíaco", lamenta José Duarte.


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A história é partilhada pelos restantes moradores deste bairro social e repete-se na Quinta do Cabral, no Seixal – há rendas que sofreram aumentos na ordem dos 800 por cento. Os moradores acusam o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) de "roubo, desleixo e abandono" na manutenção destes bairros sociais, que são habitados sobretudo por idosos, muitos deles com problemas de saúde e que gastam grande parte da reforma na farmácia. "Não somos contra o aumento, temos noção de que as rendas têm de ser actualizadas, mas não podem rectificar em cinco anos um erro de 30 anos" defendeu outro morador, Paulo Jorge.

Problemas de infiltrações, humidade e elevadores avariados são as principais queixas dos moradores, que às suas custas fazem as reparações mais urgentes. "Estas casas estiveram 27 anos sem reparações. As obras ficaram concluídas e o IHRU ganha o dinheiro e nós é que estamos a pagar", critica Maria Elisa Santos, de 66 anos, que muitas vezes teve de ajudar as vizinhas a tirar, com baldes, a água que entrava dentro de casa.

O presidente do IHRU, António José Batista, garante que os valores actualizados das rendas oscilam entre os 7,79 e os 120 euros. "Nenhuma família irá pagar uma renda superior aos seus rendimentos", assegura, justificando que, nos casos em que possa ter havido aumentos superiores, tal facto aconteceu porque as famílias não apresentaram todos os documentos necessários.

OBRAS VÃO CUSTAR UM MILHÃO

Numa "normal" visita de trabalho, o presidente do IHRU, António José Batista, fez ontem uma vistoria a algumas habitações do Bairro Rosa, em Almada. No fim reconheceu: "Há problemas na estrutura do edifício, que não dependem do bom ou do mau uso, e há casas que estão em relativo mau estado", acrescentando que não necessitam de uma intervenção complicada. O caso mais urgente é o de Celeste Sousa, que está isenta do aumento da renda, visto a sua casa ser considerada um perigo para a saúde. A humidade acumula-se nas paredes, havendo o risco de derrocada. Em relação aos edifícios, "é necessária uma pintura, bem como substituir todos os elevadores, o que acarreta um custo de um milhão de euros", sintetizou António José Batista, esperançado de que as obras estejam prontas no espaço de meio ano. "O IHRU quer relacionar-se com os moradores e gostaríamos que eles correspondessem", frisou o responsável.

MORADORES ESTÃO DISPOSTOS A IR À LUTA

"Vamos juntar-nos com o Bairro Rosa e estamos dispostos a ir à luta." A garantia é dada por Hermínia Rolo, da Comissão de Moradores da Quinta do Cabral (Seixal), onde os moradores viram as suas rendas aumentar 200%. O que aumenta é também a degradação das casas. "Nalgumas é impossível alguém lá viver", explica a responsável. O presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Antón io José Batista, visitou o bairro e reconheceu que o estado de muitas habitações é "péssimo", mas por agora só as obras urgentes é que avançam. Os moradores estão a fazer um levantamento dos problemas para apresentar ao IHRU e pretendem uma reunião com a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro.


CM