Sangay fez o juramento numa cerimónia presidida pelo Dalai Lama no templo de Tsuglagkhang, o centro espiritual de Dharamsala, a cidade na região norte da Índia onde fica a sede do governo no exílio.
Sangay, que nunca visitou o Tibete, sucederá o Dalai Lama numa mudança histórica na política tibetana, já que pela primeira vez não estará dominada por líderes religiosos.
A figura do novo primeiro-ministro terá uma importância renovada, mas o Dalai Lama, de 76 anos, manterá a posição como líder espiritual e tomará as principais decisões políticas.
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O líder espiritual tibetano insistiu recentemente no fato de que não deixará nas mãos da China o controlo da sua sucessão.
"A reencarnação ou a próxima vida do Dalai Lama logicamente é assunto meu, não de outros", declarou ao canal norte-americano NBC.
A reencarnação ou a próxima vida do Dalai Lama logicamente é assunto meu, não de outros Dalai Lama
Para já, o desafio de Sangay é gigantesco. O líder espiritual tem uma profunda influência sobre os tibetanos, enquanto o novo primeiro-ministro é pouco conhecido fora de algumas alas da comunidade no exílio.
Em público, Sangay manifesta apoio à política do Dalai Lama de busca por uma "autonomia significativa" para o Tibete sob o controlo da China. Mas devido à sua idade e por ter integrado o Congresso da Juventude Tibetana é objeto de especulações de que poderia ocultar uma agenda mais radical.
O Dalai Lama luta pelos direitos dos tibetanos desde que partiu para o exílio na Índia em 1959, quando fracassou uma revolta contra o domínio chinês, exercido desde o início daquela década.
Após as ofertas tradicionais de chá adocicado e arroz, Sangay foi empossado exatamente nove segundos após a 09H09 local, já que o número nove é associado à longevidade.
Nascido e criado na região produtora de chá da Índia, Darjeeling (nordeste), Sangay estudou na Universidade de Delhi, antes de completar um mestrado na Faculdade de Direito de Harvard, nos Estados Unidos, onde passou a lecionar.
O perfil do novo primeiro-ministro não é muito comum entre a nova geração de ativistas tibetanos no exílio, que, apesar de serem budistas praticantes, vêem as suas qualificações profissionais como algo crucial para exercer uma boa liderança.
Em entrevista à Agência France Press em Dharamsala no início do ano, Sangay reconheceu que o Dalai Lama era insubstituível, mas acrescentou que há uma fome na comunidade tibetana "para ver a nova geração assumir a liderança."
O novo primeiro-ministro foi eleito em abril, altura em que derrotou facilmente dois outros candidatos e ganhou 55% dos votos dos 49 mil que votaram no exílio na Índia e noutros países.
A figura escolhida é vista como um alívio para o Dalai Lama na sua luta pela autonomia do Tibete, mas não estará isenta de dificuldades, dizem os especialistas.
O governo no exílio não é reconhecido pela China nem por outros países e a sua legitimidade aos olhos dos tibetanos que vivem no Tibete pode ser questionada agora que já não é liderado pelo Dalai Lama.
@AFP