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..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Noticias => Tópico iniciado por: Raposa em 06/01/2021, 14:26
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Polícia que baleou Jacob Blake e o deixou paraplégico não será acusado
(https://images.impresa.pt/sicnot/2020-09-06-RTX7RKDZ.JPG/original/mw-860)
STEPHEN MATUREN
Caso aconteceu no dia 23 de agosto, na cidade de Kenosha, no Wisconsin, nos EUA.
Jacob Blake foi atingido por sete tiros à queima-roupa, nas costas, por um polícia em Kenosha, Wisconsin, a 23 de agosto de 2020.
Quase cinco meses depois é conhecido que nenhum dos polícias envolvidos no tiroteio, que deixou Blake paraplégico, será acusado.
O procurador de Wisconsin, Michael Graveley, concluiu que não poderia refutar a alegação do polícia que baleou Jacob de que tinha agido em legítima defesa, porque temia que Blake o esfaqueasse.
O sindicato da polícia de Kenosha disse que Blake estava armado com uma faca e que o oficial Sheskey, que o baleou, pediu que a largasse várias vezes, o que alegadamente não foi acatado.
Michael Graveley revelou também que a investigação concluiu que Blake tinha uma faca no momento em que a polícia o abordou, depois de uma denúncia de que estava a tentar roubar um carro. O oficial Rusten Sheskey disse mesmo que “temia que Jacob Blake fosse apunhalá-lo com a faca” enquanto tentava impedi-lo de fugir do local.
"Dói respirar, dói dormir, dói comer". As declarações do afro-americano baleado nas costas por um polícia
As primeiras declarações de Jacob Blake após ser baleado pela polícia com sete tiros nas costas
Dentro do carro estavam três dos filhos de Blake. O momento do tiroteio foi captado em vídeo por Raysean White que, em declarações à CNN, diz que antes de estar a filmar, viu a polícia com Jacob Blake, e foi aí que decidiu começar a gravar.
O vídeo mostra, no momento em que Jacob abre a porta do carro, e se inclina para o interior, um polícia a abrir fogo contra ele. Ouvem-se sete tiros e gritos de pessoas que estavam por perto. Raysean White confirma ter ouvido polícias a pedir que Blake largasse uma faca, mas ele próprio não viu nenhuma faca nas mãos dele.
Os polícias envolvidos não estavam equipados com câmeras corporais.
A decisão, que recebeu desde logo críticas de defensores dos direitos civis e alguns funcionários públicos, ameaçou reacender os protestos que abalaram a cidade após o tiroteio de 23 de agosto.
O governador Tony Evers, um democrata, considerou que a decisão é "mais uma prova de que nosso trabalho não está feito" e pediu que as pessoas trabalhassem juntas pela igualdade.
A família de Blake também já reagiu e expressou raiva sobre a decisão de acusação.
“Isso vai impactar esta cidade, este estado e esta nação por muitos anos”, disse Justin Blake, um tio de Jacob. “A menos que as pessoas se levantem e façam o que devem fazer. Este é um Governo para o povo e pelo povo, correto? (...) Estão a permitir que os polícias façam chover terror sobre as nossas comunidades. É injusto.”
Ben Crump, advogado da família de Blake, disse em comunicado que a decisão "destrói ainda mais a confiança no sistema de justiça" e disse que iria prosseguir com o processo.
Segundo a Associated Press, uma investigação federal de direitos civis sobre o caso de Blake ainda está a decorrer. Matthew Krueger, o advogado dos EUA para o Distrito Leste de Wisconsin, disse que o Departamento de Justiça tomará sua própria decisão sobre o caso.
ONDA PROTESTOS INSTALA-SE EM KENOSHA DEPOIS DE BLAKE SER BALEADO
Depois do caso Jacob Blake as tensões agravaram-se e uma onda de protestos instalou-se nas ruas de Kenosha. Mais de 250 pessoas foram presas durante os protestos nos dias que se seguiram.
Logo na segunda noite de protestos duas pessoas morreram e uma ficou gravemente ferida num ataque feito alegadamente por um homem branco, que foi filmado por um telemóvel a abrir fogo no meio da uma estrada com uma espingarda semiautomática.
Trata-se de Kyle Rittenhouse, agora com 18 anos, que negou o homícido de Joseph Rosenbaum e Anthony Huber, e também ter ferido um terceiro homem, durante os distúrbios nas ruas. Ele estava entre muitos civis armados que invadiram a cidade em resposta à chamada de milícias de direita depois de Jacob Blake ter sido baleado.
Rittenhouse alega que os três homens o atacaram e ele agiu em legítima defesa. A seleção do júri para o julgamento começa no final de março.
O caso de violência policial contra Jacob Blake ocorreu cerca de três meses depois da morte do também afro-americano George Floyd, sufocado por um polícia caucasiano a 25 de maio, em Minneapolis.
fonte: https://sicnoticias.pt/mundo/2021-01-06-Policia-que-baleou-Jacob-Blake-e-o-deixou-paraplegico-nao-sera-acusado