Residência Autónoma da CERCI Braga abre em Fevereiro
Sem retaguarda familiar, cinco pessoas com deficiência intelectual vão mudar-se para a nova casa já em Fevereiro. Cerci Braga está a ultimar o processo, depois de casal ter oferecido donativo para comprar um T4 , na freguesia de S. Vicente.
Cinco pessoas com deficiência intelectual e sem retaguarda familiar vão viver, a partir de Fevereiro, na Residência Autónoma da CERCI Braga. O sonho só é possível, porque um casal mecenas celebrou 38 anos de casamento, oferecendo à instituição um donativo para a aquisição de um T4 na freguesia de S. Vicente. “Existe uma franja enormíssima de jovens/adultos com deficiência intelectual ligeira que necessita sempre de retaguarda. Decidimos continuar a apostar e surgiu o apoio deste casal, que também já esteve ligado à área da deficiência e quis contribuir para uma sociedade mais inclusiva”, contou a presidente da CERCI, Vera Vaz.
Depois de cinco jovens/adultos, utentes da CERCI Braga, partilharem um apartamento na cidade, no âmbito do ‘Capacitar para a Autonomia’, projecto-piloto e inovador que conta com o apoio do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), a procura por este tipo de valência “foi muita”.
“Existe uma lacuna muito grande em termos de resposta residencial, obviamente que estas residencias respondem às necessidades de pessoas com deficiência com algum nível de autonomia, não aos casos mais complicados”, esclareceu Vera Vaz, reforçando a necessidade de abrirem lares residenciais.
O casal doou dinheiro para comprar um T4, sendo que se disponibilizou para “dar também algum valor durante algum tempo para assegurar o funcionamento, até a instituição conseguir o acordo de cooperação com a Segurança Social”, referiu a presidente, realçando o gesto deste casal.
“Este é um exemplo também para as pessoas perceberem o bem que podem fazer à comunidade, este casal já tem a vida resolvida e achou que podia contribuir e acompanhar um projecto que lhes dá satisfação ser concretizado, tornando a sociedade um bocadinho melhor”, aplaudiu a presidente.
Vera Vaz acredita que a nova casa daqueles cinco utentes estará de portas abertas no próximo mês. “Já fizemos o contrato promessa e venda, seguindo-se agora as burocracias normais, por isso, no próximo mês já teremos os cinco utentes a viver na nova casa”, referiu.
Esta nova casa funcionará em moldes idênticos ao do projecto ‘Capacitar para a Autonomia’. “O apartamento foi direccionado para utentes que estão na parte da formação. São utentes que ainda têm retaguarda familiar e que já passavam parte do tempo connosco no sentido de se formarem e capacitarem para a vida activa de forma partilhada”, explicou Vera Vaz, referindo que no apartamento vivem dois jovens/adultos que já não têm retaguarda familiar e vão ser encaminhados para a nova Residência Autónoma.
Entretanto, para a nova Residência Autónoma, a CERCI Braga abriu vagas a clientes que não frequentam o Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) da instituição. “Esta residência vem dar resposta aos que têm mais autonomia, mas não têm retaguarda. Tivemos um jovem connosco que nos primeiros meses de confinamento esteve a viver sozinho numa pensão sem qualquer retaguarda, porque foi o único sítio que a Segurança Social conseguiu arranjar para o colocar. Também agora na altura do Natal e Passagem de Ano tivemos dois ou três casos de utentes que tivemos de assegurar que eles permanecessem connosco, porque não têm retaguarda familiar”, confidenciou.
in correiodominho.pt