Documento hoje apresentado ao Governo incide nas doenças relacionadas com os comportamentos
Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho defendeu hoje, em documento enviado ao Governo, a necessidade de criação de um plano nacional de prevenção escolar para as doenças relacionadas com os comportamentos.
O grupo, liderado por José Precioso, professor do Instituto de Educação e Psicologia, pede ainda a criação de uma disciplina de Educação para a Saúde (EpS) e aborda áreas como a da transversalidade, necessidade de formação de professores, diagnóstico precoce e tratamento, envolvimento dos pais e formação parental.
No documento propõe-se a criação de um observatório de EpS, e de um grupo de trabalho para reorganizar a disciplina e para melhorar a cooperação entre os serviços de saúde e a escola. Os investigadores emitiram um parecer com propostas para a construção do Plano Nacional de Saúde 2011/2016, traduzidas em dez medidas para ajudar a revitalizar e a implementar a Educação para a Saúde na Escola.
O documento intitulado, «A Necessidade de Revitalizar e Reorganizar a Saúde Escolar - Prevenir, diagnosticar, encaminhar e tratar», é assinado por José Precioso, Catarina Samorinha, psicóloga na UMinho, José Manuel Calheiros, catedrático na Universidade da Beira Interior, Manuel Macedo, pneumologista no Hospital de S. Marcos (Braga), e Henedina Antunes, pediatra no mesmo hospital.
O estudo defende que “é preciso organizar a EpS para que todos os alunos sejam ‘vacinados’, por exemplo, contra o tabagismo, o alcoolismo, as drogas, o sedentarismo, na idade certa, e lhes sejam ministrados os reforços ao longo do ciclo escolar”.
Acentuam que “a significativa prevalência de comportamentos de risco nos adolescentes, como o consumo de tabaco, de bebidas alcoólicas, de drogas ilícitas, e os casos de obesidade exige uma actuação de diagnóstico precoce e tratamento”.
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No documento propõe-se a criação da disciplina «Educação para a Saúde»
“A escola - e os seus intervenientes, dos quais se destaca o papel dos professores - é um local privilegiado para detectar, referenciar e encaminhar”, referem. Os investigadores lembram que, em países como a Finlândia, as ciências da saúde foram adoptadas como um tema obrigatório e que os alunos aprendem noções de biologia humana (anatomia, fisiologia e metabolismo), bacteriologia e imunologia, nutrição, ergonomia, ciências do exercício físico, pato fisiologia, farmacologia, toxicologia, saúde pública e educação sexual, auto cuidados e promoção de saúde.
Preconizam a criação de uma disciplina de EpS “para garantir que, pelo menos, os conteúdos mínimos sobre saúde sejam abordados”, sugerindo, em simultâneo, a redução do número de disciplinas, fundindo a História e a Geografia, a Física e a Química e as Ciências da Natureza e eliminando outras, como o estudo acompanhado.
Para além da criação de uma disciplina de EpS, defendem a transversalidade como via para a implementar, apontando o ensino da língua materna como um bom exemplo. “O ensino do Português faz-se numa disciplina específica, mas recomenda-se que todas as outras contribuam, para o reforçar”, sustentam.
in cienciahoje