Valongo carece de espaços de atendimento a deficientes
Unidade de deficiência de Alfena tem mais 200 pessoas em lista de espera
A unidade de deficiência do Centro Paroquial e Social de Alfena, composta por um lar residencial e um CAO, foi inaugurada em Outubro de 2005, embora o projecto tenha mais de 30 anos. Idealizada pelo Padre Nuno Cardoso, anterior pároco da freguesia, falecido em 1999, a sua intenção era criar um espaço que abrigasse três centenas de pessoas portadoras de deficiência e que fosse auto-suficiente. Entretanto, uma vez que a unidade é uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) e tutelada pelo Ministério da Segurança Social, foi estabelecida uma capacidade máxima tendo em conta o espaço físico e a legislação em vigor, a qual é de 24 residentes para o lar e 30 utentes para o CAO.
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Segundo Marta Gonçalves, directora técnica da unidade, o CAO é um espaço de desenvolvimento de competências, de forma a permitir que os portadores de deficiência possam participar com mais autonomia e mais activamente na sociedade. Para alcançar esse objectivo, o corpo de trabalho do Centro conta com um assistente social, um terapeuta ocupacional, um fisioterapeuta, um psicólogo, duas monitoras de reabilitação e um conjunto de auxiliares. "Muitos dos jovens portadores de deficiência, que ou vêm de escolas ou ainda vêm de casa, não foram estimulados o suficiente, apesar das suas potencialidades para poderem ser o mais autónomos possível. E muitos deles até reúnem condições para integração no mercado de trabalho. E é isso que o CAO se propõe, incluí-los na sociedade e torná-los cidadãos efectivos", afirma a directora.
Sobre a lista de espera, Marta Gonçalves diz categoricamente que é o "desespero" da instituição. Valongo é um dos concelhos do país com maior necessidade de apoio a portadores de deficiência. Desde que a população soube, nos finais dos anos de 1980, que um dia iria existir uma unidade de deficiência em Alfena, começaram a acumular-se inscrições. Aquando da abertura em 2005, já havia cerca de 80 inscritos, dos quais apenas 30 puderam ser seleccionados, 30 esses que ainda se mantêm na unidade dado o aumento de esperança média de vida. Foi também a partir desse momento, em que a instituição declarou à sociedade que estava em pleno funcionamento, que o número de inscrições não parou de aumentar. Hoje, a lista tem 230 inscritos, dos quais mais de 190 são para o CAO.
Para Marta Gonçalves, a única solução para a diminuição da lista de espera passa pela abertura de outros espaços. "A comunidade tem de estar mais aberta a esta problemática, os pais e os familiares de portadores de deficiência deveriam criar outras associações que pudessem dar respostas complementares. É inconcebível pensarmos numa instituição receber mais de 200 portadores de deficiência porque o trabalho é extremamente particular, cada um é de facto um, a atenção tem de ser personalizadíssima e o atendimento é diário. Muitas vezes temos dois técnicos para um utente", reitera.
Uma vez que a instituição faz parte da rede social de Valongo, esta situação é do conhecimento da Câmara e dos organismos envolvidos com a causa, que têm consciência da necessidade de implementar outros espaços que atendam a esta demanda. Entretanto, essas respostas são muito caras quer em recursos humanos quer em recursos materiais, e, dada a actual conjuntura económica, dificilmente a curto prazo as perspectivas para solucionar a problemática concretizar-se-ão. "Mas que é necessário, é mais do que necessário. E a meu ver é a única esperança para todos estes miúdos e jovens que estão diariamente em casa a perder competências", conclui Marta Gonçalves.
Fonte: http://www.verdadeiroolhar.pt (http://www.verdadeiroolhar.pt)