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..:: Deficiente-Forum - Modalidades Desportivas ::.. Responsável: Fisgas => Outros => Tópico iniciado por: migel em 07/08/2011, 10:34
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Saiba como a esgrima adaptada pode ser um dos trunfos brasileiros para a Paraolimpíada de Londres, em 2012
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Existem indícios de que a esgrima surgiu no Japão, em 1170 a.C., mas o aprimoramento e o destaque vieram durante a Idade Média, no continente europeu. Mas foi entre atletas italianos que ela foi reconhecida e entrou para o rol de esportes olímpicos. Há mais de 50 anos, a modalidade estreou nas Paraolimpíadas. Um dos responsáveis por esse feito foi Ludwig Guttmann, um neurologista alemão que sempre defendeu a esgrima como ferramenta na recuperação de pessoas com deficiência. Andréa de Melo foi a primeira representante brasileira da esgrima e disputou a Paraolimpíada de Atenas, em 2004.
Segundo o coordenador técnico da modalidade, Valber Nazareth, “ela foi a primeira a defender o País nesse esporte, uma das pioneiras na América”. Desde então, o esporte tem galgado conquistas, evoluído e ganhado adeptos, podendo ser uma das forças verde-amarelas, em Londres, no ano que vem.
Aspectos técnicos da competição
Durante os combates, as cadeiras de rodas ficam posicionadas em cima de uma plataforma com dois fixadores nas extremidades. Competem nessa modalidade os atletas com lesão medular, amputados, mutilados, paralisados cerebrais, ou seja, pessoas cujas deficiências sejam de ordem física. Ao mesmo tempo, subdivididas em categorias (A, B e C) por nível de deficiência, determinadas por classificadores internacionais. A intenção é permitir que os esgrimistas compitam em grau de igualdade.
O sistema de disputa é o mesmo para todas as categorias, e é igual ao da esgrima convencional. A primeira fase é classificatória e todos participam. Na segunda etapa, os atletas que venceram a primeira luta disputam entre si e quem perde sai, até que sobre apenas o campeão. O confronto individual é vencido pelo atleta que fizer 15 pontos ou pelo que tiver a maior pontuação ao final da batalha, que dura três tempos de três minutos cada.
Um obstáculo por vez
Historicamente, a esgrima não é popular no Brasil. Contudo, essa realidade tem mudado aos poucos. Um dos responsáveis por isso é Valber Nazareth, coordenador técnico da seleção brasileira. O profissional lida com a modalidade desde 1983, e com a categoria paraolímpica desde 1997. O pontapé deu-se depois de cursar o mestrado na Unicamp e conhecer o professor e orientador Edison Duarte, também classificador da Federação Internacional de Esportes para Cadeirantes e Amputados (IWAS/CPB).
Apesar de o esporte ter se desenvolvido mais na Europa, temos destaques nacionais, como Jovane Silva Guissone, que conquistou a primeira medalha internacional do Brasil na esgrima em cadeira de rodas. Ele ficou em terceiro lugar na prova de Espada (Categoria B) na Copa do Mundo da IWAS, que aconteceu em abril deste ano, em Montreal, no Canadá. “Ainda estou comemorando esta conquista, pois ela representa o meu esforço e dedicação, além do apoio dos meus colegas e da família. Tem que acreditar, e vale a pena lutar. Essa é a primeira medalha, de muitas que pretendo ganhar”, conta Guissone.
“É complicado conciliar as duas funções, tenho meus treinos e as competições, contudo, preciso cumprir minhas obrigações na empresa, que sempre é flexível em relação ao esporte”, Daiane Peron, atleta e funcionária de uma seguradora
“Temos evoluído, e estão aparecendo mais adeptos para o esporte. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) tem nos apoiado bastante e notou que é um investimento para longo prazo. Estamos nos tornando referência na América e tudo começou com um projeto no meio acadêmico”, fala Nazareth.
Em 2004, foi organizado um seminário no Brasil que trouxe mestres de vários países, classificadores internacionais e médicos, com o objetivo de fazer uma espécie de intercâmbio, para trocar informações e experiências em benefício da modalidade em ascensão.
De acordo com Nazareth, uma das maneiras de ajudar a esgrima é fazer que atletas paraolímpicos e convencionais treinem juntos, o que auxiliaria a ambos, além de quebrar barreiras. “Às vezes, por falta de informação, eles não se relacionam. Entretanto, quando acontece, existe uma troca legal que contribui para a inclusão no esporte”, enfatiza o técnico.
Em território nacional são disputados campeonatos importantes como a Copa Brasil e o Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas. Entre os clubes destaca-se o Asasepode (RS), com atletas de elite como Daiane Peron, Jovane Silva Guissone e Suele Rodolpho. Para Marcos Cardoso, técnico do Clube Pinheiros (São Paulo), a importância do investimento nessa modalidade não pode ser esquecida. “Começamos há pouco mais de um ano e já participamos de algumas competições. Toda iniciativa abre portas para a esgrima adaptada e para outros esportes paraolímpicos”.
“O importante é não parar de evoluir, e o Brasil está com uma iniciativa séria que poderá ser modelo para outras nações”, Valber Nazareth, técnico
Sempre lutando
Daiane Peron pratica o esporte há seis anos. No começo, enfrentou dificuldades e parecia que não iria se acostumar com a modalidade. Porém, como diria o poeta Fernando Pessoa: “Primeiro estranha- se. Depois entranha-se”. Dito e feito. Em seu currículo estão títulos do Campeonato Brasileiro e medalhas de amistosos que ela participou no exterior. “Se ficar longe da esgrima, entro em depressão”, brinca e ri a atleta, enfatizando ainda que o equipamento para praticar esse esporte tem custo bastante alto e requer investimentos. “Apesar das dificuldades, existe um esforço do Comitê Paraolímpico Brasileiro, que sempre está disposto a ajudar”.
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Daiane se multiplica, pois, além de ser esgrimista, trabalha na área administrativa de uma seguradora. “É complicado conciliar as duas funções, tenho meus treinos e as competições, contudo, preciso cumprir minhas obrigaçõesna empresa, que sempre é flexível em relação ao esporte”.
Pode ter a chance de carimbar seu passaporte para a Paraolimpíada de Londres em 2012, tudo vai depender do seu desempenho no Campeonato Regional das Américas, que será realizado em agosto próximo, no Brasil. “Espero conseguir um bom resultado para poder participar dos jogos. O importante é não desistir, se empenhar sempre, que as coisas acabam dando certo”.
Para disputar a Paraolimpíada
Os atletas têm dois meios para participar das competições de esgrima adaptada em 2012. A primeira é se classificar no ranking internacional, onde é preciso jogar todas as competições e atingir um resultado satisfatório. A segunda é pelo Campeonato Regional das Américas de Esgrima em Cadeira de Rodas. A disputa é acirrada, pois o número de vagas é limitado: 24 para o masculino e 12 para o feminino. “É um caminho difícil, entretanto, estamos indo bem com os nossos últimos resultados. O importante é não parar de evoluir, e o Brasil demonstra uma iniciativa séria que pode servir de modelo para outras nações”, finaliza o coordenador técnico da modalidade no Brasil, Valber Nazareth.
As armas da esgrima
As competições podem ser divididas em:
Florete: é a arma mais popular do esporte e uma das primeiras escolhas no começo da aprendizagem. Os pontos somente podem ser computados se a ponta tocar o tronco do oponente.
Espada: o que vale é tocar o adversário com a ponta da arma em qualquer parte acima dos quadris.
Sabre: usa mesma regra que a espada, entretanto, além da ponta, o atleta pode usar a lâmina para atingir o adversário.
Fonte: Revista Sentidos