Desporto Adaptado: Clubes do país com pouca sensibilidade para inclusão de atletas deficientes
Huambo - O secretário-geral do Comité Paralímpico Angolano (CPA), António da Luz, disse segunda-feira, na cidade do Huambo, que os clubes desportivos do país têm pouca sensibilidade para com o desporto adaptado, por não inscreverem atletas com deficiências físicas diversas.
Falando à Angop, o responsável, que se encontra em visita de trabalho nesta região, para inteirar-se das condições de vida dos atletas deficientes que têm representado as selecções nacionais, assumiu que esta atitude tem retardado o desenvolvimento e expansão do desporto adaptado no país, uma vez que alguns atletas exigem que lhes seja atribuído mensalmente subsídios financeiros para continuarem a competir.
"Os nossos clubes, incluindo os chamados grandes, não têm sensibilidade para o desporto adaptado, pois ninguém inscreve atletas deficientes. Mesmo o Armando Sayovo, que foi recordista mundial, nunca chegou a ter clube", argumentou.
Apesar desta situação, António da Luz considera estável o desporto adaptado no país, salientando que as provas nacionais têm sido realizadas e os atletas têm participado em campeonatos internacionais que acontecem além fronteiras.
Lamentou o fraco apoio que as associações provinciais têm recebido dos governos locais, as condições difíceis de treino, agravadas com o facto dos atletas paralímpicos viverem em condições precárias.
"Oficialmente o CPA controla perto de dois mil desportistas deficientes que não recebem subsidio algum, salvo se representarem as seleções nacionais. Recentemente um grupo manifestou a intenção de abandonar, exigindo subsídios mensais de 11 a 12 mil kwanzas, mas nós não temos condições para satisfazer esta exigência", esclareceu.
O secretário-geral do Comité Paralímpico Angolano informou que várias negociações com clubes do país já foram feitas, para a inscrição dos atletas deficientes que mais se destacam, mas até ao momento a situação não se alterou.
Por esta razão, acrescentou, o CPA continua, dentro das suas possibilidades, a arcar todas as despesas inerentes ao desenvolvimento e expansão do desporto praticado por deficientes no país.
Fonte: Angop