Atividade esportiva faz a cabeça dos portadores de deficiência em Manaus18 Nov 2012

specialista alemão garante que atividade esportiva recupera autoestima de deficientes físicos
O Brasil, não pode só haver a condição de alto rendimento para os deficientes, mas o esporte até para aqueles que nunca serão atletas. Foto: Ufam/Divulgação
Manaus - O corpo está comprometido, mas a pessoa é a mesma. Com esta frase motivadora, o alemão Horst Strohkendl, da Universidade de Colônia, sintetiza o sucesso obtido com o trabalho na reabilitação de cadeirantes utilizando o rúgbi.
A atividade esportiva como método de tratamento de portadores de deficiência foi apresentada no 4º Seminário Amazonense de Atividades Motoras Adaptadas (SAAMA), em Manaus.
Para reabilitar pessoas que adquirem limitações físicas, o esporte é fundamental. “É comum quadros de isolamento e depressão. Mas alguém numa cadeira de rodas que pratica uma atividade esportiva uma vez por semana não será um atleta, porém, o exercício servirá para uma revalorização da própria pessoa e inclusão no meio social”, explicou Horst.
Em Colônia, Horst formou um grupo com 190 voluntários para praticar atividades esportivas. “Na Inglaterra (berço das paralimpíadas), há seis equipes de rúgbi para a Seleção Nacional e que recebem 1 milhão de libras (esterlinas) por ano”, exemplificou Horst, que desconhece o apoio do poder público no Brasil ao paradesporto.
Horst explicou que o índice de deficiência física é mais crescente entre as pessoas mais velhas. “É como uma pirâmide invertida. São mais adultos e idosos e poucas crianças”, comentou o médico alemão, ao revelar que os casos de paralisia são mais frequentes na fase adulta por motivos de doenças ou acidentes.
O chamado esporte adaptado precisa de uma integração entre escolas e clínicas. Para criar uma cultura de reabilitação no meio colegial e acadêmico, Horst citou algumas medidas básicas. “Para pacientes iniciantes deve haver cursos de mobilidade, especialização para monitores, divulgação nas feiras (abertas) de reabilitação e cooperação com associações especializadas”, afirmou o especialista alemão.
No tratamento de tetraplégicos e pessoas com paralisia cerebral, a natação e o rúgbi são modalidades ideais. “Em 40 anos, o esporte adaptado evoluiu muito também para as crianças e adolescentes (na Alemanha)”, disse Horst, que explicou como fazia o recrutamento de voluntários para aulas de rúgbi com cadeirantes, em 1982. “Nas feiras, era só procurar pessoas nas cadeiras de rodas, sem necessidade de exames. Quando um cadeirante já está num espaço público é porque superou as barreiras arquitetônicas e emocionais”, explicou o especialista.
Eficiência estimula esporte
Em média, de 20 pessoas com alguma deficiência apenas uma vira atleta. Esta estatística é citada por Horst Strohkendl para não criar ilusões sobre a finalidade do esporte. Um dos ex-pupilos do médico alemão, o brasileiro Pedro Américo de Souza Sobrinho, tem outro dado curioso.
“Estatisticamente, 90% dos atletas paralímpicos brasileiros aprenderam a nadar depois de adulto, ou seja, após sofrerem alguma deficiência por acidente ou doença”, comentou Pedro Américo, que é especialista em Reabilitação e Esporte Adaptado pelo Instituto de Reabilitação e Esporte Adaptado de Colônia (Alemanha).
Um dos métodos discutidos na conferência em Manaus foi a filosofia de Stoke Mandeville, uma vila no distrito de Aylesbury Vale, no condado de Buckinghamshire, na Inglaterra. Em 1944, o neurologista alemão Ludwig Guttman, pioneiro na reabilitação física de deficientes, percebeu que os pacientes cadeirantes que praticavam alguma atividade esportiva tinham menor índice de suicídio e menos insuficiência respiratória.
Guttman trabalhou no Hospital de Stoke Mandeville, que é o maior centro para paraplégicos e pessoas com lesões na coluna vertebral da Europa.
fonte:
http://www.d24am.com/esportes/mais-esportes/atividade-esportiva-faz-a-cabeca-dos-portadores-de-deficiencia-em-manaus/73669