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Autor Tópico: A perspectiva da própria pessoa deficiente sobre o desporto para deficientes 1  (Lida 1524 vezes)

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Offline Eduardo Jorge

 
Apesar de nos últimos anos se terem registado progressos sensíveis, na problemática do cidadão portador de deficiência, os problemas persistem e continuam a ser responsáveis pela diminuta participação das pessoas deficientes na sociedade.

Um cidadão em cada dez na Comunidade Europeia sofre de uma deficiência.

O número total de pessoas com pelo menos uma incapacidade encontrada em todo o território português é de 905.488 o que corresponde à percentagem de 9,16% da população. Este valor está próximo do que foi apurado através de estudo realizado em outros países da União Europeia (Secretariado Nacional de Reabilitação, 1996).

Os problemas dos deficientes foram bem descritos e comprovados, num relatório intitulado "Os cidadãos invisíveis" publicado por diversas organizações não governamentais para assinalar o dia Europeu das Pessoas Deficientes, em Dezembro de 1995. O próprio Parlamento Europeu evocou por diversas ocasiões a difícil situação das pessoas deficientes e a discriminação a que podem ser sujeitas em toda a União (Comissão das Comunidades Europeias,1996)

Segundo Ferreira e Branco (1995) é necessário que se mudem as atitudes para que os deficientes desenvolvam as suas capacidades e "cresçam" enquanto pessoas. Crescer na relação é partilhar lugares comuns, isto é, frequentar os mesmos espaços físicos e desenvolver as mesmas actividades.

Mas ... quanto tempo passam essas pessoas em locais segregados? Será que incrementamos, apoiamos ou facilitamos essa partilha de lugares?

Por outro lado a pessoa deficiente tem direito a fazer escolhas.

Todos tem direito a optar.

Mas ... será que optamos com elas ou por elas?

Os problemas sociais que os deficientes encontram, são extremamente visíveis. De facto, existe uma opinião generalizada de que os grupos minoritários revelam falhas no que se refere à integração social. Como todos sabemos as diferenças entre as pessoas, quer sejam de raça, religião ou por deficiência, têm o seu impacto social (Lowenfeld,1964).

*Professor Associado da Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física - Universidade do Porto

Consequentemente os indivíduos deficientes geralmente mostram relações sociais muito pobres e uma integração muito limitada.

Segundo Hunt (1966) e Aufsesser (1982) citados por Shephard (1990), a estigmatização surge das dificuldades sociais que o deficiente encontra, devido à deficiência criar um estigma visível que tende a ser socialmente desacreditado.

Assim, uma vez que faz parte da natureza humana evitar estímulos negativos, as pessoas podem ter tendência para evitar relações mais próximas com a pessoa deficiente.

Como já foi referido muito se avançou no atendimento à pessoa com necessidades especiais, no entanto, façamos uma análise reflexiva comparando o processo educativo da pessoa deficiente e da sua prática desportiva, pois julgamos que existem fases semelhantes.

A educação começou por um atendimento segregado em serviços especifícos para transbordar para a integração atingindo nos nossos dias a inclusão (ainda em debate).

O conceito de inclusão vai obrigar, não a deixar os alunos deficientes estarem nas classes regulares (integração) mas a repensar todo o sistema de ensino (Correia,1997).

A integração permite o convívio e igualdade de oportunidades em serviços para todos. Mas o que é verdade é que a pessoa com necessidades educativas especiais vive no meio dos outros isolada. Isto é, há um sistema no meio de outro sistema.

No Desporto para a pessoa deficiente também é a mesma coisa.

O desporto para deficientes começou por uma orientação segregada, passando gradualmente para um sistema mais ou menos integrado. No entanto, continua a viver num isolamento principalmente em relação à comunicação social, grande público etc.. É um desporto no meio de outro desporto. Será que deverá continuar assim ?

Em Barcelona foi realizado o Iº Congresso Paralímpico Barcelona'92 com o objectivo de integrar o desporto Paralímpico no marco olímpico, na tentativa de evitar a marginalização social (COOB´92, 1992).

Assim, através do lema "Desporto sem limites" foi expressa a universalidade dos acontecimentos e o valor do desporto competitivo como elemento integrador.

Neste contexto, foi reafirmado o papel fundamental da comunicação social nesta aproximação e em nosso entender deve fazê-lo segundo o pensamento de Nietzsche (s.d.) "é necessário criar condições para poder reter o sublime".

Também as instalações foram estudadas assim como os sistemas de informação para que todos pudessem utilizá-los sem barreiras.

Mas apesar de tudo os atletas deficientes e os atletas "normais" não coabitaram no mesmo espaço na mesma altura.

Sendo o desporto por todos apontado como um meio primordial de integração, importa saber, se tem sido utilizado de maneira a alcançar correctamente tal objectivo.
 

Offline Eduardo Jorge

 
Por outro lado, será que indivíduos portadores de deficiência desejam, praticar desporto sendo este por excelência uma montra ?

Assim, estas e outras questões devem ser colocadas às pessoas deficientes, pois parece existir uma tendência para determinar orientações sem que os indivíduos alvo, tomem parte activa emitindo suas opiniões.

Neuer-Miebach (1997) relata uma experiência de um jovem em cadeira de rodas que vivia numa instituição sob tutela legal, pois não tinha familia. "Ele queixava-se dos técnicos da instituição, que não admitiam qualquer participação nas tarefas diárias. Os técnicos argumentavam que sabiam muito bem os interesses das pessoas que viviam na instituição, sem lhes perguntar previamente a sua opção. O jovem sentia-se inútil.

A mesma autora diz-nos que quanto mais as pessoas dependem da ajuda dos outros, maior é a atenção que lhes devemos prestar, ouvindo-as e aprendendo com as suas capacidades, auto-determinação e independência. É essencial ser sensível, ouvir as pessoas com deficiência. Se não, corremos o risco de projectar os nossos sentimentos nelas.

Assim, pensamos que devemos reflectir sobre o que o próprio deficiente pensa e deseja sobre a organização e prática desportiva, de recreação ou de competição.

Será que embora queiram praticar desporto, o querem fazer isoladamente? Ninguém gosta de mostrar o que socialmente não é aceite.

Será que o deficiente tem que se submeter integralmente ao Desporto que não teve em conta a sua partcipação? Ou deverá ser tudo repensado na tentativa que todos o pratiquem com seus interesses e motivações?

Todos sabemos que as pessoas quando competem e treinam para evoluir nos seus resultados gostam que os mesmos sejam apreciados pelos outros.

Segundo Sherrill (1984) cit. Varela (1991) o "atleta deficiente, e é ele mesmo que o afirma, gosta de ser conhecido pelas suas características individuais e pretende que a sua prestação seja avaliada e comentada de acordo com a área e classe de deficiência em que compete".

Contudo é para além dos aspectos técnicos que devemos tentar saber qual a opção dos cidadãos deficientes relativamente a esta temática.

Não basta dar condições é necessário que estas vão ao encontro das necessidades e maneira de pensar das pessoas deficientes, relativamente ao que devem praticar, onde devem praticar e com quem devem praticar.

Estamos convitos que as suas opiniões vão naturalmente ser linhas de orientação levando concerteza a algumas mudanças.

Material e Métodos

A amostra foi constituida por 162 indivíduos de ambos os sexos portadores de várias patologias.

Um critério de selecção foi considerar indivíduos com idade mínima de 15 anos.

A amostra foi recolhida durante determinado tempo e aproveitando as situações para aplicação do questionário pelo que esta é considerada uma amostra de conveniência.

Foi realizado um questionário (em anexo) que foi submetido a um pré-teste e aplicado individualmente.

Através de um computador marca Macintosh Performa 5200 foi feito o tratamento estatístico com o programa Statview 4.0 calculando-se a distribuição de frequências relativas para a totalidade da amostra. Recorreu-se ainda à estatística não paramétrica para comparar os resultados de cada uma das deficiências (análise inter-grupo de ordem de escolha para cada pergunta através do teste Kruskal Wallis).
Apresentação e análise dos resultados

A amostra inicial de 162 indivíduos ficou reduzida a 146 devido aos dados de 16 questionários não poderem ser utilizados.

Da amostra 94 indivíduos são do sexo masculino e 52 do sexo feminino cujas idades oscilavam entre 15 e 55 anos.

Relativamente à tipologia 25 indivíduos são deficientes visuais (D.V.), 17 deficientes auditivos (D.A.), 67 deficientes motores (D.M.) e 37 deficientes mentais (D.Me.).

Dos 146 indivíduos 95 são deficientes congénitos e 51 com deficiência adquirida.

Da amostra, 32 indivíduos utilizavam cadeira de rodas, 12 canadianas e 23 próteses.

Quanto ao grau de autonomia, 21 indivíduos eram dependentes; 19 parcialmente independentes e 106 independentes.

Da totalidade da amostra 21 dos indivíduos não tiveram educação física durante a sua escolaridade e 14 nunca praticaram qualquer desporto.

A dimensão da amostra é reduzida, no entanto, nos estudos com populações com necessidades especiais é quase uma constante (Moura e Castro, 1994),
 

Offline Eduardo Jorge

 
Através dos resultados do Quadro 1 verifica-se que 52,05% dos indivíduos preferem em 1º lugar praticar desporto de recreação com pessoas normais.

Relativamente à questão da prática com indivíduos com a mesma deficiência a maior percentagem 41,81% recai na 2º escolha. Na prática com outros deficientes a maior percentagem 52,77% recai na 3ª escolha.

Quadro 1 - Frequência relativa da totalidade da amostra para a Questão - Como gostaria que fosse a prática desportiva de Recreação?

Fonte e resultados do estudo: http://motricidade.com/index.php?option=com_content&view=article&id=178:a-perspectiva-da-propria-pessoa-deficiente-sobre-o-desporto-para-deficientes&catid=51:necessidades-especiais&Itemid=90
 

 



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