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Autor Tópico: Histórias em um minuto  (Lida 10041 vezes)

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Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #30 em: 28/07/2011, 23:32 »
O Órfão e o Aleijado


Era uma vez um pequeno menino que vivia em um orfanato e que desejava poder voar como um pássaro. Era muito difícil para ele entender por que não podia voar. Havia pássaros que eram maiores que ele, e eles podiam voar...

E ele pensava:
- Por que não posso voar? Tem alguma coisa errada comigo?.

Um dia o pequeno menino fugiu do orfanato. Correu, correu e correu muito até que descobriu um parque onde crianças corriam e brincavam. Ele viu um outro pequeno menino que não podia correr e brincar com as outras crianças. Era aleijado.

O órfão se aproximou do aleijado e perguntou:
- Alguma vez você já quis voar como um pássaro?

- Não - respondeu o menino que não podia caminhar ou correr - mas eu gostaria de caminhar e correr como os outros meninos e meninas.

- Isso é muito triste. Falou o menino que queria voar. Nós podemos ser amigos?

- É claro que podemos! respondeu o outro.

Os dois pequenos meninos brincaram por horas. Fizeram castelos de areia... Emitiram sons engraçados com as bocas. Sons que os fizeram rir bastante. Então o pai do pequeno menino veio com uma cadeira de rodas para apanhar seu filho.

O pequeno menino que queria voar se aproximou do pai de seu novo amigo e sussurrou algo em seu ouvido.
- Isso seria ótimo disse o homem.

O pequeno menino, que sempre desejou voar como um pássaro, correu até o novo amigo e disse:
- Você é meu único amigo e eu gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer para você caminhar e correr como outros pequenos meninos e meninas. Mas eu não posso. Mas tem algo que eu posso fazer por você.

O pequeno menino órfão virou-se e pediu ao amigo que subisse em suas costas. Depois ele começou a correr pela grama. Mais rápido e mais rápido ele correu, enquanto levava o pequeno menino aleijado às costas. Cada vez mais rápido ele corria pelo parque. O vento assobiava em suas faces.

O pai do pequeno menino começou a chorar, vendo seu pequeno filho aleijado, agitando os braços para cima e para baixo, soltos ao vento, enquanto gritava bem alto:
- EU ESTOU VOANDO, PAPAI. EU ESTOU VOANDO!

E realmente "voava", feliz, com as asas da amizade.
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #31 em: 29/07/2011, 12:48 »
O Piano


Desejando encorajar o progresso de seu jovem filho ao piano, uma mãe levou seu pequeno filho a um concerto de Paderewski.

Depois de sentarem, a mãe viu uma amiga na platéia e foi até ela para saudá-la. Tomando a oportunidade para explorar as maravilhas do teatro, o pequeno menino se levantou e eventualmente suas explorações o levaram a uma porta onde estava escrito: "PROIBIDA A ENTRADA".

Quando as luzes abaixaram e o concerto estava prestes a começar, a mãe retornou ao seu lugar e descobriu que seu filho não estava lá.

De repente, as cortinas se abriram e as luzes caíram sobre um impressionante piano Steinway no centro do palco. Horrorizada, a mãe viu seu filho sentado ao teclado, inocentemente catando as notas de "Cai, cai, balão".

Naquele momento, o grande mestre de piano fez sua entrada, rapidamente foi ao piano, e sussurrou no ouvido do menino:
- Não pare, continue tocando .

Então, debruçando, Paderewski estendeu sua mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Logo, colocou sua mão direita ao redor do menino e acrescentou um belo acompanhamento de melodia. Juntos, o velho mestre e o jovem noviço transformaram uma situação embaraçosa em uma experiência maravilhosamente criativa.

O público estava perplexo. É assim que as coisas são com Deus. O que podemos conseguir por conta própria mal vale mencionar. Fazemos o melhor possível, mas os resultados não são exatamente como uma música graciosamente fluida.

Mas, com as mãos do Mestre, as obras de nossas vidas verdadeiramente podem ser lindas. Na próxima vez que você se determinar a realizar grandes feitos, ouça atentamente. Você pode ouvir a voz do Mestre, sussurrando em seu ouvido:
- Não pare, continue tocando.

Sinta seus braços amorosos ao seu redor. Saiba que suas fortes mãos estão tocando o concerto de sua vida. Lembre-se, Deus não chama aqueles que são equipados. Ele equipa aqueles que são chamados. E Ele sempre estará lá para amar e guiar você a grandes coisas.

 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #32 em: 29/07/2011, 12:51 »
Homenagem à Mulher


A Mãe e o Pai estavam assistindo televisão, quando a Mãe disse:
"Estou cansada e já é tarde. Vou me deitar".

Foi à cozinha fazer uns sanduiches para o almoço do dia seguinte na escola, passou uma água nas taças das pipocas, tirou carne do freezer para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas dos cereais não estavam vazias, encheu o açucareiro, pôs tigelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira do café para estar pronta para ligar no dia seguinte.

Pôs ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro e pregou um botão que estava caindo. Guardou umas peças do jogo que ficaram em cima da mesa, e pôs a agenda do telefone no lugar dela. Regou as plantas, despejou o lixo, e pendurou uma toalha para secar.

Bocejou, espreguiçou-se, e foi para o quarto. Parou ainda na secretária e escreveu uma nota para o professor, pôs num envelope o dinheiro para uma visita de estudo, e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira. Assinou um cartão de parabéns para uma amiga, selou o envelope, e fez uma pequena lista para o supermercado. Colocou ambos perto da carteira.

Nessa altura o Pai disse lá da sala:
- Pensei que você tinha ido deitar!

- Estou a caminho respondeu ela.

Pôs água na tigela do cão, e chamou o gato para dentro de casa. Certificou-se que as portas estavam fechadas. Espreitou para o quarto de cada um dos filhos, apagou a luz , pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto da roupa suja, e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava estudando.

Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte arrumou os sapatos. Depois lavou a cara, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha partida.

A essa altura, o pai desligou a televisão e disse:
- Vou me deitar...

E foi... sem mais nada. Notam aqui alguma coisa de extraordinário? Ainda perguntam porque é que as mulheres vivem mais...? porque são mais fortes feitas para resistir.

 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #33 em: 29/07/2011, 12:53 »
A Cobra


Caminhando por uma estrada de terra batida, no meio da mata, Lúcia ia tranqüila. Morava num sítio das redondezas e dirigia-se à escola, distante uns quinhentos metros de sua casa.

De súbito, dentre a vegetação, surgiu, se arrastando, enorme e ameaçadora cobra. Colocando-se no meio do caminho, ela armou o bote e ficou esperando.

A princípio, assustada, a menina parou. Pensou em voltar. Naquele momento, porém, lembrou-se de tudo o que já aprendera. Sua mãe sempre lhe dizia que tudo na Natureza é criação de Deus, e que devemos respeitar qualquer forma de vida, fosse humana, animal ou vegetal.

Assim, enchendo-se de coragem, tendo o cuidado de manter uma boa distância, dirigiu-se ao réptil dizendo:
- Minha amiga Dona Cobra. Nada tenho contra a senhora. Ao contrário, somos todos irmãos, porque filhos de um mesmo Pai, que é Deus. Estou indo para a escola e preciso passar por este lugar, que a senhora está ocupando. Assim, se fizer gentileza de deixar-me passar, eu lhe ficarei muito grata.

A voz da menina, serena e doce, aquietou o animal, que a contemplava com seus olhinhos miúdos. Depois, parecendo compreender o que lhe foi dito, coleou pela terra lentamente, desaparecendo no meio do mato.

Lúcia, grata a Deus pela proteção que lhe dera, continuou seu trajeto até a escola. Durante horas, ali permaneceu entregue às atividades escolares, esquecendo-se do incidente.

Mais tarde, quase no horário de tocar o sinal para a saída, chegou alguém. Era um homem que tinha socorrido um menino. Ainda assustado, contou ele:
- Eu vinha a cavalo pela estradinha, quando vi um moleque ao longe, na minha frente. Ele tinha um pau na mão, e brincava, batendo nas árvores à beira do caminho, assustando os passarinhos e afugentando os pequenos animais. Percebi quando uma enorme cobra surgiu à sua frente. Quis avisá-lo do perigo, gritar para que ficasse quieto, sem fazer movimentos bruscos, mas não deu tempo. O menino, ágil, levantou o porrete, tentando esmagar a cobra. Ela, porém, foi mais rápida e, dando um bote certeiro, picou-o.

- E o garoto, como está? - perguntou a professora, aflita.

- Felizmente, foi socorrido há tempo. Encontra-se no hospital da cidade, sob cuidados médicos. Como ele estivesse com uma mochila escolar, pelo horário, cheguei à conclusão de que era um aluno que tinha "matado" a aula, e a trouxe para a senhora.

Aqui está ela! - disse ele, entregando a mochila à professora.

- É do Roberto! Bem que estranhei ele não ter comparecido hoje à escola! Muito obrigada, senhor. E os pais dele, já foram informados?

- Exatamente por isso vim aqui. Não sei onde ele mora. Se me disser o endereço do garoto, irei avisar à família dele.

A professora explicou onde Roberto morava, e o bom homem despediu-se, apressado. Após a saída dele, Lúcia comentou:
- Deve ser a mesma cobra que encontrei hoje cedo na estrada!

- É verdade? Você viu uma cobra? Conte-nos! Como foi isso? Quis saber a professora.

E Lúcia, diante da classe que a ouvia com atenção, relatou o que tinha acontecido com ela, como se portou diante do perigo e como a cobra se afastou, sem molestá-la.

O silêncio se fez na sala. Todos estavam perplexos e pensativos. Ficou muito claro como o comportamento de cada um determinara uma reação diferente no animal. O respeito de Lúcia e a agressão de Roberto geraram conseqüências diversas.

 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #34 em: 29/07/2011, 22:42 »
Lenda Persa


Há uma lenda persa que fala a respeito de um rei que carecia muito de um servidor. Dois homens se apresentaram e o rei os contratou por um salário fixo.

Depois de alimentados, voltaram à presença do soberano para ouvirem a respeito de suas tarefas...A primeira ordem foi que cada um pegasse uma cesta, colocando-a ao lado do poço. Iriam, alternadamente, tirando a água do poço e despejando-a dentro da cesta. No final do dia, o Rei, pessoalmente, iria apreciar o trabalho deles.

Depois de cinco ou seis baldes de água tirados e jogados na cesta, um dos contratados falou:
- Afinal, qual é o valor deste serviço? Quando lançamos a água dentro da cesta, ela se escoa imediatamente!

O outro, entretanto, respondeu:
- O rei certamente conhece a utilidade do nosso trabalho. Ele sabe o valor dele, do contrário não teria nos contratado.

- Pois não vou gastar as minhas energias na execução de uma tarefa assim. Dizendo isso, deixou de lado seu balde e partiu.

O outro homem, pacientemente, continuou o trabalho. O poço continha muita água, mas, sem desanimar, ele foi repetindo a operação até que conseguiu esgotá-lo.

Olhando atentamente para o seu fundo forrado de lodo, ele viu que havia lá um objeto, que brilhava intensamente. Era um valioso anel de diamantes!... e pensou: O meu esforço teve sua utilidade. Foi útil e necessário!

Na hora marcada, chegou o rei e lá encontrou um dos contratados fiel às suas ordens. E sua recompensa foi grande.

Muitas vezes, ao longo da vida, deparamos com tarefas penosas para serem realizadas e caminhos dificeis a serem palmilhados.

Somos, por vezes, tentados a pensar que o sacrificio não compensa e uma forte tendência de abandonar tudo e tomar novo rumo tenta apoderar-se de nós.

Entretanto, quando dominamos o desânimo e nos enchemos de coragem para chegar ao fim da responsabilidade, sempre descobrimos uma compensação e nos levantamos prontos para um novo embate.

O desânimo tem sido a arma mais poderosa que o inimigo usa para nos desviar do plano e do caminho traçado por Deus para a nossa vida.

 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #35 em: 29/07/2011, 22:44 »
O Uso das Palavras


Certa vez, uma jovem foi ter com um sábio para confessar seus pecados. Ele já conhecia muito bem uma das suas falhas. Não que ela fosse má, mas costumava falar dos amigos, dos conhecidos, deduzindo histórias sobre eles.

Essas histórias passavam de boca em boca e acabavam fazendo mal - sem nenhum proveito para ninguém.

O Sábio a olhou e disse:
- Minha filha você age mal falando dos outros; tenho que lhe dar um dever. Quero que vá comprar uma galinha no mercado e depois caminhar para fora da cidade. Enquanto for andando, deverá arrancar as penas e ir espalhando-as. Não pare até ter depenado completamente a ave. Quando tiver feito isso, volte e me conte.

Ela pensou como os seus botões que era mesmo um dever muito singular! Mas não objetou. Comprou a galinha, saiu da caminhando e arrancando as penas, como ele dissera. Depois voltou e contou ao sábio.

- Minha filha - disse o sábio - você completou a primeira parte do dever. Agora vem o resto.

- Sim senhor, o que é?

- Você deve voltar pelo mesmo caminho e catar todas as penas.

- Mas senhor é impossível! A esta hora o vento já as espalhou por todas as direções. Posso até conseguir algumas, mas não todas!

- É verdade, minha filha. E não é isso mesmo que acontece com as palavras tolas que você deixa sair? Não é verdade que você inventa histórias que vão sendo espalhadas por aí, de boca em boca, até ficarem fora do seu alcance? Será que você conseguiria seguí-las e cancela-las se desejasse?

- Não, senhor.

- Então, minha filha, quando você sentir vontade de dizer coisas indelicadas sobre seus amigos, feche os lábios. Não espalhe essas penas, pequenas e maldosas, pelo seu caminho. Elas ferem, magoam, e te afastam do principal objetivo da vida que é ter amigos e ser feliz! Pense nisso e use apenas lindas palavras...
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #36 em: 29/07/2011, 22:45 »
O Cavalo e os Diamantes


Um jovem recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a um outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para levá-lo na jornada. No dia viagem o soberano ao se despedir disse-lhe:
- Cuida do mais importante e cumprirás a missão!

Assim, o jovem preparou o seu alforje, escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada à cintura, sob as vestes. Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar.

Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria. Assim, exigia o máximo do animal. Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não lhe aliviava da sela e nem da carga, tampouco se preocupava em dar-lhe de beber ou providenciar alguma ração.

Um dia alguém vendo os maus tratos do animal disse-lhe:
- Assim, meu jovem, acabarás perdendo o animal.

E ele respondeu:
- Não me importo, tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro. Nenhuma falta fará

Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportando mais os maus tratos, caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu o caminho a pé.

Acontece que nessa parte do país havia poucas fazendas e eram muito distantes umas das outras. Passadas algumas horas, ele se deu conta da falta que lhe fazia o animal. Estava exausto e sedento.

Já havia deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei:
- Cuide do mais importante!

Seu passo se tornou curto e lento. As paradas, freqüentes e longas. Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pé da estrada, onde ficou desacordado.

Para sua sorte, uma caravana de mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou dele. Ao recobrar os sentidos,encontrou-se de volta em sua cidade.

Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e com a maior desfaçatez, colocou toda a culpa do insucesso nas costas do cavalo "fraco e doente" que recebera e disse:
- Porém, majestade, conforme me recomendaste, "cuidar do mais importante", aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti, não perdi uma sequer.

O rei as recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos. Abatido, o jovem deixou o palácio arrasado.

Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calça a mensagem do rei, que dizia:
"Ao meu irmão, rei da terra do Norte. O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e um bom cavalo. Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifique o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem aprecia a fidelidade e força de quem o auxilia na jornada. Se porém, perder o animal e apenas guardar as pedras,não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância à rainha nem àqueles que o servem".

Comparamos esta história com o ser humano que segue sua jornada na vida, tão preocupado com seu exterior, isto é, com os bens, que tudo guarda como se fosse ouro, esquecendo de alimentar sua alma e espírito com a alegria e o amor de Deus.

 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #37 em: 31/07/2011, 23:43 »
A Crítica


Convidado a fazer uma preleção sobre a crítica, o conferencista compareceu ante o auditório superlotado, sobraçando pequeno fardo. Após cumprimentar os presentes, retirou os livros e a jarra d'água de sobre a mesa, deixando somente a toalha branca.

Em silêncio, acendeu poderosa lâmpada, enfeitou a mesa com dezenas de pérolas que trouxera no embrulho com várias dúzias de flores colhidas de corbelhas próximas. Logo após, apanhou da sacola diversos "biscuits" de inexprimível beleza, representando motivos edificantes, e enfileirou-os com graça.

Em seguida, situou na mesa um exemplar do Novo Testamento em capa dourada. Depois, com o assombro de todos, colocou pequenina lagartixa num frasco de vidro.

Só então comandou a palavra, perguntando:
- Que vedes aqui, meus irmãos?

E a assembléia respondeu, em vozes discordantes:
- Um bicho! - Um lagarto horrível! - Uma larva! - Um pequeno monstro!

Esgotados breves momentos de expectação, o pregador considerou:
- Assim é o espírito da crítica destrutiva, meus amigos! Não enxergastes o forro de seda lirial, nem as flores, nem as pérolas, nem as preciosidades, nem o Novo Testamento, nem a luz faiscante que acendi. . Vistes apenas a diminuta lagartixa...

E concluiu, sorridente:
- Nada mais tenho a dizer...

Nada nesta vida acontece por acaso. Ninguém chega até nós por um simples acaso. Existe um dito popular muito sábio que diz: " As pessoas se encontram por acaso, mas não permanecem em nossa vida por causa desse simples acaso.

 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #38 em: 04/08/2011, 13:42 »
Momentos

Um homem tinha quatro filhos.

Ele queria que seus filhos aprendessem a não ter pressa quando fizessem seus julgamentos.

Por isso, convidou cada um deles para fazer uma viagem e observar uma pereira plantada num local distante.

O primeiro filho chegou lá no INVERNO, o segundo na PRIMAVERA, o terceiro, no VERÃO e o quarto, o caçula, no OUTONO.

Quando eles retornaram, o pai os reuniu e pediu que contassem o que tinham visto.

O primeiro chegou lá no INVERNO.

Disse que a árvore era feia e acrescentou:

"- Além de feia, ela é seca e retorcida!"

O segundo chegou lá na PRIMAVERA.

Disse que aquilo não era verdade.

Contou que encontrou uma árvore cheia de botões, e carregada de promessas.

O terceiro chegou no VERÃO.

Disse que ela estava coberta de flores, que tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais tinha visto.

O último filho chegou no OUTONO.

Ele disse que a árvore estava carregada e arqueada cheia de frutas, vida e promessas...

O pai então explicou a seus filhos que todos eles estavam certos, porque eles haviam visto apenas uma estação da vida da árvore...

Ele disse que não se pode julgar uma árvore, ou uma pessoa, por apenas uma estação.

A essência do que se é, (como o prazer, a alegria e o amor que vem da vida) só pode ser constatada no final de tudo, exatamente como no momento em que todas as estações do ano se completam!

Se alguém desistir no INVERNO, perderá as promessas da PRIMAVERA, a beleza do VERÃO e a expectativa do OUTONO.

Não permita que a dor de uma estação destrua a alegria de todas as outras.

Não julgue a vida apenas por uma estação difícil.

Persevere através dos caminhos difíceis e melhores tempos certamente virão, de uma hora para a outra!!!
« Última modificação: 04/08/2011, 13:46 por Aislin »
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #39 em: 19/12/2011, 22:21 »
Conto Árabe sobre os sonhos   


 

Um sultão sonhou que tinha perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.
- Que desgraça, senhor! - Exclamou o adivinho. - Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
- Mas que insolente - gritou o sultão, enfurecido. - Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem chicotadas. Mandou que trouxessem outro adivinho e  contou-lhe sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos disse-lhe admirado:
- Não é possível! A interpretação que fizeste foi a mesma que o teu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem chicotadas e a ti com cem moedas de ouro.
- Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer... Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas.
A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta. Mas se a envolvemos numa delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceite com facilidade.
 
 
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #40 em: 02/02/2012, 16:10 »
Lenda das Águas de Almofala


Almofala foi em tempos terra de Mouros como o indica o significado do seu nome em árabe: "hoste ou arraial de Mouros". Nesses tempos longínquos vivia em Almofala uma jovem muito bela chamada Salúquia que a todos fascinava e trazia presos aos seus caprichos, em completa submissão. Até que um dia um novo governador árabe jovem, bonito e altivo veio chefiar aquela região e a todos pediu obediência completa na organização da defesa na luta contra os cristãos. Todos baixaram as cabeças, excepto Salúquia que, habituada a não obedecer e a ser obedecida, lhe perguntou se ela também teria de obedecer. O governador inteirando-se do estranho poder de Salúquia, disse-lhe que se não obedecesse seria castigada. Desafiadora, Salúquia disse que se ele ousasse castigá-la seria amaldiçoado e, perante o ousado desafio, o governador mandou que lhe dessem seis vergastadas. Passou algum tempo, durante o qual as invasões cristãs não davam descanso ao governador que, de repente, começou a padecer de dores estranhas que nem os melhores físicos conseguiam curar. Era a maldição de Salúquia que começava a fazer efeito.

Os cristãos estavam agora já nos arredores de Almofala confrontando-se com os mouros. Salúquia que o castigo tinha amargurado andava pelos campos, vagueando sozinha. Foi então que encontrou um cristão velho e ferido que lhe pediu ajuda. Salúquia recusou porque iria contra as ordens do governador. Quando o cristão lhe perguntou se o governador era cruel, Salúquia surpreendeu-se a si própria ao dizer que era apenas justo. Nesse momento, surpreenderam-na o tom da sua voz e a emoção que sentiu. Foi então que o cristão lhe disse o que o seu Deus lhe tinha dito: apesar de ter amaldiçoado o governador Salúquia amava-o e, pelo seu lado, o governador também a amava e nunca a tinha esquecido. Se Salúquia o ajudasse, o Deus dos cristãos também a ajudaria a reparar o mal que tinha feito com a sua maldição. A pedido do ferido, Salúquia levou-o a uma fonte próxima e verificou com espanto que as suas águas lhe saravam as feridas. Nesse momento, Salúquia e o cristão ouviram os passos de um cavalo que se aproximava: era o governador que quando os viu se apeou do cavalo. As dores fortes que sentia interromperam as suas primeiras recriminações. Salúquia deu-lhe a beber a água da fonte e começou a chorar, dizendo-lhe que era capaz de dar a vida por ele. O governador, curado das suas dores, abraçou-a e disse-lhe que a amava desde o primeiro momento que a tinha visto, mas o orgulho de ambos os tinha afastado. O cristão desapareceu e Salúquia e o governador viveram felizes para sempre. Mais tarde, quando aquelas terras foram conquistadas pelos cristãos, foram ambos baptizados. As águas de Almofala continuam ainda hoje, diz o povo, a manter os seus incríveis poderes curativos.

Fonte; Lendas de Portugal
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #41 em: 02/02/2012, 16:11 »
A Vendedora de cebolas (Conto tradicional)   

A rapariga tinha sido mandada à feira pela madrasta para vender um cesto de cebolas e uma giga de ovos. Saíra de casa com o cesto à cabeça ainda o sol não tinha nascido. Por várias vezes, ao longo do caminho, os socos derraparam nas pedras escorregadias pela geada. Salvou-a da queda o bom equilíbrio que sempre teve. Deixasse cair o cesto e era certa a tareia da madrasta. Tanto mais que não se vendem cebolas maçadas e ovos muito menos e ela tinha de entregar em casa o dinheiro certinho.

Chegou à feira já o sol ia alto. Quanto mais cedo se chegasse, melhor negócio se fazia. Os preços começavam a baixar com o arrastar da manhã e os mercadores acabavam por vender os últimos produtos a menos de metade do preço, para não terem de regressar a casa com eles.

Passou ao lado da tenda do mercador de caldeirões e corou quando o viu a falar com uma velha que apontava para um caldeirão. Ele era tão bonito, que a rapariga gostava de passar ali só para o ver. O jovem mercador nem para ela olhava. E como poderia ele olhar para uma rapariga tão feia e tão miseravelmente vestida? Mas ela não se importava. A lembrança dele nos dias duros de trabalho e nas noites frias aquecia-lhe o peito e isso bastava-lhe.

Poisou o cesto – ninguém ali à volta se oferecera para a ajudar a descê-lo da cabeça, nem mesmo as conhecidas de outros dias de feira que ao lado apregoavam os produtos – e sentiu-se derreada.

No dia anterior, a madrasta tinha-a mandado retirar o estrume do curral, trabalho que lhe ocupou grande parte do dia. Já na cozinha, quando tinha mais vontade de comer e ir para a cama do que fazer o que quer que fosse, a madrasta ainda a obrigou a fazer a ceia e a preparar o cesto para a feira. Enquanto picava uma cebola para o refogado, chorou e o pai, que acabava de chegar de uma lavrada, perguntou-lhe:

– Por que choras, minha filha?

E ela disse-lhe que por causa da cebola. O pai acreditou e sentou-se junto à lareira a tirar as botas antes de pôr os pés ao fogo. A madrasta, ao lado, cosia uns fundilhos e ali estiveram a fazer sala à espera que o manjar estivesse pronto, enquanto os dois miúdos, seus meios-irmãos, por ali andavam a arranhar-se com gritos e correrias.

Foi muito tarde que a rapariga se foi deitar no quarto das traseiras, depois de ter lavado a loiça, preparar o avental, a saia e a blusa que no dia seguinte vestiria para a feira. Mesmo assim, aos olhos de quem passava, não parecia mais do que uma mendiga, tão remendada estava a saia, tão gasto o avental e tão puída a blusa.

Apesar de todas as desgraças, o negócio corria-lhe bem e no final da manhã tinha vendido quase todos os ovos e boa parte das cebolas. Estava com tanta fome que se atreveu a pegar numa cebola, das mais pequenas. Tirou-lhe as várias camadas de casca e começou a comê-la com um pedacito de pão duro que guardara no bolso do avental. Estava ela de boca cheia, sentindo a acidez da cebola a picar-lhe a língua, quando se aproximou a velha que ela tinha visto a conversar com o jovem mercador. Trazia um caldeirão na mão, parou junto ao cesto e perguntou-lhe pelo preço das cebolas. A rapariga disse-lhe que, como eram as últimas, lhas dava por metade do preço. A velha apalpou uma e comentou:

– Não me parece que durem todo o Inverno. Têm a casca mole.

Piscou o olho direito e acrescentou:

– Se mas deres por metade do preço dessa metade que dizes, talvez as leve.

– Não posso, tiazinha – respondeu a rapariga. – A minha madrasta recomendou-me que não descesse o preço mais do que o justo. Se não lhe entregar o dinheiro certo, ela castiga-me.

– E como sabe ela qual é o dinheiro certo antes de a feira acabar? – perguntou a velha piscando desta vez o olho esquerdo. – É por acaso bruxa?

A rapariga não sabia dizer. As bruxas são más, toda a gente sabe, e se assim fosse, a madrasta era uma bruxa. Mas a rapariga também sabia que as bruxas eram velhas e feias. E então a madrasta já não podia ser bruxa. Foi por ser nova e bonita que o pai, quando ficou viúvo, casou com ela. Mas não sabia explicar como sabia a madrasta o dinheiro que a rapariga lhe deveria entregar.

– Talvez – sugeriu a velha – ela não saiba, mas diz que sabe para tu ficares com medo e não te deixares enganar pelos clientes ou não gastares o dinheiro mal gasto.

E pôs-se a matutar. Bem que as cebolas valiam o dinheiro que a rapariga pedia. Mas ela não tinha moedas suficientes. Foi então que lhe surgiu uma ideia:

– Dás-me as cebolas pelo meu preço e não precisarás mais de te preocupar com a tua madrasta, que deve ser uma mulher bem mais malvada do que eu.

A rapariga não percebeu bem a fala da velha do caldeirão. Mas porque lhe pareceu que a velha era atrasadinha, coitada, deu-lhe as cebolas ao preço que ela estava disposta a pagar. A velha meteu as cebolas no caldeirão e foi-se embora muito satisfeita depois de ter dito como despedida:

Eu te fado bem fadada
Para que sejas bem casada.

A rapariga guardou as moedas no bolso do avental, acabou de comer a cebola e o pão, ajeitou o cesto na cabeça, agora bem mais leve e preparou-se para abandonar a feira. Passou na tenda do mercador dos caldeirões e, como sempre fazia, olhou para lá de relance. Estava estranhamente abandonada, com os caldeirões brilhando ao sol sem ninguém que os guardasse. A rapariga aproximou-se, poisou o cesto e pôs-se a observar a tenda. Ali perto havia um charco e ela ouviu um coaxar. Junto à água estava um enorme sapo, tão grande como ela nunca vira. A maneira como o bicho coaxava parecia dizer: Beija-me, beija-me, mas dito pelo nariz. Ela pôs-lhe a mão e sentiu-lhe o dorso viscoso. Se fosse outra, sentiria nojo e fugiria dali a cuspir. Mas a rapariga estava habituada a coisas bem mais nojentas que a madrasta a obrigava a fazer.

– Estás aqui sozinho? Coitadinho! – disse ela.

E o sapo coaxava: Beija-me, beija-me. Ela pegou nele em ambas as mãos, como se pegasse numa flor, passou-lhe os lábios pela cabecita sem pescoço e, sem que ela percebesse como, viu-se ao colo do jovem mercador de caldeirões. Ele sorriu e retribuiu-lhe o beijo. Depois disse:

– És a rapariga mais bela deste reino. E porque me salvaste, farei de ti a rainha dos caldeirões.

 

Fórum Lendas e Calendas
 
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #42 em: 02/02/2012, 16:13 »
A Lenda de Timor   

Conta a lenda que há muito, muito tempo um crocodilo já muito velhinho vivia numa ilha da Indonésia chamada Celebes. Como era muito velho, este crocodilo já não tinha forças para apanhar peixes, por isso estava quase a morrer de fome.

 

Certo dia, resolveu entrar terra adentro à procura de algum animal que lhe servisse de alimento. Andou, andou, andou, mas não conseguiu encontrar nada para comer. Como andou muito e não comeu nada, ficou sem forças para regressar à água.

 

Um rapaz ia a passar e encontrou o crocodilo exausto. Teve pena dele e ofereceu-se para o ajudar a voltar. Então, pegou-lhe pela cauda e arrastou-o de volta à água.

 

O crocodilo ficou-lhe muito agradecido e, em paga, disse ao rapaz que fosse ter com ele sempre que quisesse ir passear pelas águas do rio ou do mar. O rapaz aceitou a oferta e, a partir daquele dia, muitas foram as viagens que os dois amigos fizeram juntos.

 

A amizade entre os dois era cada vez maior, mas, um dia, a fome foi mais forte e o crocodilo pensou que comer o rapaz era a melhor solução. Antes de tomar esta decisão, perguntou aos outros animais o que achavam da ideia. Todos lhe disseram que era muito ingrato da parte dele querer comer o rapaz que o tinha salvo. O crocodilo percebeu que estava a ser muito injusto e ficou com muitos remorsos. Então, resolveu partir para longe, para esconder a vergonha.

 

Como o rapaz era o seu único amigo, pediu-lhe que fosse com ele. O rapaz saltou para o dorso do crocodilo e deixou-se guiar pelo mar fora. A viagem já ia longa quando o crocodilo começou a sentir-se cansado. Já exausto, resolveu parar para descansar, mas, naquele momento, o seu corpo começou a crescer e a transformar-se em pedra e terra.

 

Cresceu tanto que ficou do tamanho de uma ilha. O rapaz, que viajava no seu dorso, passou a ser o primeiro habitante daquela ilha em forma de crocodilo.

 

E assim nasceu a ilha de Timor.

 

Fonte: Desconhecida

 
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #43 em: 02/02/2012, 16:14 »
O VALE DOS SENTIMENTOS   


   Um pai, vendo o jovem e inexperiente filho possesso de ódio e fúria tomado de um ciúme doentio pela namorada que vira conversando com outro rapaz chamou-o para um canto e contou-lhe a seguinte história:

 

Havia um lugar chamado Vale dos Sentimentos e lá moravam todos os sentimentos do mundo. Cada qual com o seu nome: Alegria, Tristeza, Sabedoria, Determinação e outros.
   

Apesar de serem tão diferentes, davam-se muito bem. Até os sentimentos como o Orgulho, Tristeza e Vaidade não tinham problemas entre si.
   

Mas era lá no fundo do vale, na última casinha que morava o mais bonito dos sentimentos: o Amor.

Ele era tão bom que quando os outros sentimentos chegavam perto dele ficavam mudados. Isso acontecia porque entre todos eles o Amor era o melhor. Porém, no mesmo vale, num lugar mais afastado havia um castelo. Nesse castelo também morava um sentimento, só que não tinha nada de bom.

Era o lar da Raiva. E a Raiva de tão ruim que era não gostava dos outros moradores do vale. Por isso, quando acordava de mau humor fazia tudo para estragar a beleza do lugar.

Certo dia teve uma ideia. Preparou uma poção “estraga prazeres” a mais estranha de que se tem notícia. O fumo que se ergueu da poção tomou conta do lugar e do vale todo transformando-se numa tempestade como nunca se tinha visto antes.

 

Quando o vale se encheu de raios, chuva e vento todos correram para se proteger. O Egoísmo foi o primeiro a esconder-se, deixando todos para trás. A Alegria deu risadas de alívio por se ter salvo rapidamente. A Riqueza recolheu tudo o que era seu, antes de se abrigar. A Tristeza, a Sabedoria... a Vaidade... Todos conseguiram chegar às suas casas a tempo,... menos o Amor.

Ele estava tão preocupado em ajudar os outros sentimentos que acabou ficando para trás. Então uma coisa ruim aconteceu: Um raio cortou os céus. Ouviu-se um estrondo gigantesco e um corpo caiu no chão. A raiva deu a sua tarefa por cumprida e retirou-se para dormir. Quando a tempestade passou, os sentimentos puderam abrir as suas janelas aliviados. Mas ao saírem, eles sentiram uma coisa diferente no ar.
Algo que nunca tinham sentido antes. Foi então que eles viram a cena.
_O que aconteceu com o amor? - perguntavam entre si.

_Ele não se mexe - afirmou outro dos sentimentos.

_Está tão parado que até parece que morreu exclamou outro.


Nesse momento a Tristeza começou a chorar, o Orgulho não aceitava., disse que era  tudo mentira. A Riqueza afirmava que era um desperdício e a Alegria pela primeira vez verteu lágrimas pelos olhos.
   

Foi nesse instante que uma coisa estranha começou a acontecer. Os sentimentos começaram a ter desavenças porque sem o Amor para uni-los, as diferenças apareceram. A situação já estava bem ruim quando eles repararam que estavam sendo observados. Alguém que eles nunca tinham visto antes  por ali. O estranho ajoelhou-se na frente do Amor... tocou-o calmamente... e ele abriu os olhos.

_Ele não morreu. O amor não morreu! - gritavam os outros sentimentos.


Foi aí que todos puderam ver o rosto do estranho. Ele era ela, e seu nome era Tempo. Todos comemoraram, o Amor estava vivo e sempre estará! Não há nada que possa acabar com o amor enquanto o Tempo estiver ao seu lado para ajudá-lo.
   

Assim a paz voltou a reinar no Vale dos Sentimentos. O Amor e o Tempo casaram-se e tiveram três filhos. Os nomes deles são: Experiência, Perdão e Compreensão. E moram juntos, hoje e para todo o sempre no Vale dos Sentimentos, bem lá no fundo daquele lugar que se chama CORAÇÃO.


Após ouvir a história o jovem, chorando, agradeceu o pai dando-lhe um abraço e saiu correndo à procura da namorada para pedir desculpas e voltar a viver a sua grande paixão com a segurança própria daqueles que amam de verdade...

 

 (José Dias)

 
 

Offline Aislin

Re: Histórias em um minuto
« Responder #44 em: 02/02/2012, 16:16 »
As estrelas do céu.   

Só ficou uma estrelinha

Um poeta polonês, Felix Zamenhof, imaginou que as estrelinhas do céu resolveram, certo dia, descer do azul, abandonar a altura do sem-fim e vieram todas, muito alegres, viver, na Terra, entre os homens. Mas as estrelinhas aqui ficaram pouco tempo; aborreceram-se, por vários motivos, e voltaram para o firmamento.
Houve, porém, uma estrelinha que resolveu ficar. E ficou mesmo. Qual seria essa estrela que vive, para sempre, entre os homens e no coração dos homens? Qual seria?
O caso que vou narrar, meu amigo, aconteceu há muitos e muitos anos.
As estrelinhas do céu resolveram, certa vez, deixar as alturas que vivem. Deixariam o céu e viriam todas para a Terra.
- Vamos para a Terra! Vamos para a Terra! - Gritavam, com alegria, as estrelinhas do céu. - Na Terra há mares, há rios e há florestas! Na Terra há frutos, há flores e há perfumes. Vamos todas para a Terra! As estrelinhas falaram ao Anjo da Serena Compaixão.
Esse Anjo da Serena Compaixão é que vigia e comanda, por ordem de Deus, todos os astros luminosos do céu.
O Anjo da Serena Compaixão sabia que as estrelas, que parecem, lá longe no céu, tão pequeninas, são grandes, imensas. E foi, por isso, falar a Deus, o Senhor da Eterna Bondade.
- Deus Poderoso – disse, muito humilde, o anjo – as estrelinhas do céu querem ir a Terra. Mas elas são pesadas, enormes e cheias de calor. A Terra não poderia conter as constelações que povoam o céu.
Deus, o Senhor do Mundo, sorriu bondoso e respondeu:
- Ora, tudo é muito simples. Eu permitirei que as estrelinhas desçam do céu e passem a viver na Terra. Sim, irão para a Terra. Mas elas descerão do céu e permanecerão, assim, pequeninas, como aparecem lá das alturas; pequeninas e bem pequeninas. E sempre pequeninas e brilhantes permanecerão na Terra.
E todas as estrelas, por ordem de Deus, desceram do céu e vieram para a Terra.
Houve, nesse dia, ao cair da noite, uma chuva maravilhosa de estrelas.
Uma chuva de estrelas!
No céu ficaram o Sol, a Lua e um cometa rabugento, de cauda comprida, que não quis descer. Mas as estrelinhas desceram.
Desceram e encheram a Terra. Espalharam-se por toda parte. Pelos campos, pelas praias, pelas estradas e pelos jardins.
Havia estrelinhas brancas, azuis, verdes, roxas e amarelas. Havia até (vejam só!) uma estrela furta-cores! Que beleza! Algumas ficou bem quietinhas, a cintilar, no alto das torres; vieram outras pousar nas fontes, nos repuxos, ou saltitar entre as flores e iluminar os bosques.
As mais pequeninas, brincalhonas, apostavam corrida com o vaga-lume: outras iam devagarinho assustar os sapos que dormiam tranquilos entre as pedras junto das lagoas.
Que alegria para as crianças! Que alegria!
Mas no fim de poucos dias as estrelinhas começaram a fugir da Terra, aos grupos, aos bandos. Deixavam a Terra e voltavam para o céu. Voltavam a brilhar lá em cima, para além das nuvens, para além da Lua.
O Anjo da Serena Compaixão ao ver que as estrelinhas voltavam, interrogou-as:
- Por que vocês voltaram?
A primeira estrela respondeu:
- Senhor! Vi tanta maldade na Terra que fiquei triste. Muito triste. E resolvi voltar para o céu.
- E você? - Perguntou, ainda o Anjo, a uma terceira estrela. - E você? Por que voltou?
 – Senhor – respondeu a estrelinha – na Terra, durante os três dias que lá passei, vi homens ricos sem piedade; vi enfermos abandonados; velhos sem lar, que vivem famintos, na miséria. Vi crianças andrajosas que mendigam pão pelas ruas. Tudo isso encheu de mágoa o meu coração. Resolvi voltar. Voltar para o céu.
Uma estrelinha amarela, do Cruzeiro, seguida de outras três (que eram suas irmãs) voltava também. O anjo da serena compaixão perguntou-lhe:
- Que viu você na Terra, estrelinha amarela? Por que voltou?
Respondeu, cheia de funda mágoa, a estrelinha amarela do Cruzeiro:
- Senhor, vi na Terra homens sem fé que não crêem em Deus! Sofri, com isso, um profundo abalo. Que tristeza! Homens ateus, sem fé, que não acreditam em Deus! Deixei a Terra e resolvi voltar para o céu.
E assim todas as estrelinhas, por terem visto maldades na Terra, voltaram para o céu. E cada uma, ao chegar, ia muito quietinha, retomar o seu antigo lugar no meio das constelações.
O anjo da serena compaixão achou que devia contá-las. E contou-as, uma a uma!
 – Um, dois, três, quatro, cinco...
E nessa conta, uma a uma, foi até vinte mil e seis:
- Vinte mil e seis!
Estranhou o Anjo aquela conta. Estranhou e disse:
- O que é isso? Essa conta não está certa. Desceram vinte mil e sete estrelinhas, e só voltaram vinte mil e seis! Está faltando uma! Falta uma estrelinha!
 – Sim, sim – confirmou uma estrelinha azul que estava perto. - Falta uma estrelinha. Houve uma companheira que não quis voltar. Resolveu ficar, para sempre, entre os homens.
Indagou o Anjo:
- Que estrela foi essa? Qual foi a estrela que não voltou?
A estrela azul, falando muito baixinho, respondeu:
- Escuta, anjo da serena compaixão. Escuta! Foi a Estrela Verde da Esperança, nossa boa amiga e companheira. Foi essa, a estrela verde da esperança, a única que não voltou...Ficou...
A estrela verde da esperança!
É por isso, meu amigo, que os homens, todos os homens, nos momentos mais tristes da vida, nos momentos de perigo, de dor ou de aflição, nunca perdem a esperança...
É que a estrelinha da esperança, nossa boa amiga, deixou o céu e veio (diz a lenda) viver na Terra e vive, para sempre, no coração dos homens.
Foi a única que ficou.


 
 

 



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