Para ti, 2020
Escrevo-te com as mãos trémulas, mas o com o coração na maior plenitude e intensidade. Foste um desafio gigante para a maioria de nós e deixaste muitas feridas pelo caminho. Não tivemos possibilidade de abraçar quando queríamos, não concretizamos alguns sonhos nem chegamos a metade das metas que nos comprometemos realizar no teu dia 1. Todas as resoluções tiveram de ser adaptadas e fazer um balanço, passado tantos dias de luta e de mudança, torna-se difícil e, até, emotivo. Largamos, agora, um peso de um ano exigente e desgastante, que ficará, para sempre, na (nossa) história.
Contigo, aprendi a amar-me em primeiro lugar e a espalhar boas energias, todos os dias, com pequenos gestos e palavras. Aprendi que somos muito mais fortes do que imaginamos e que somos capazes de criar uma armadura à nossa volta perante as adversidades e viver com qualidade. Depois disto, sei o que é bater no fundo até não suportar mais dor, mas também sei o que é viver com um sentimento de gratidão imenso que transborda a minha alma mal me levanto da cama. Compreendi que somos um sopro e que perdemos ou ganhamos, tudo ou nada, numa fração de segundos.
Reconheço-te a valência de me teres dado asas para voar e conhecer o mundo a partir de casa, de me autodefinir enquanto pessoa e de desenhar um mapa interior que me organiza e estabiliza no tempo e no espaço. Agradeço, sempre, pelo tempo que me deste, para que eu pensasse em mim, na minha vida, nos meus propósitos.
Agora, peço-te que vás e que deixes as tuas marcas de luz. A concretização de alguns projetos, a capacidade de nos moldarmos aos obstáculos, a imaginação e o sair da nossa zona de conforto, o amor que precisamos para nos sentirmos completos, a vontade férrea de sermos mais e melhores todos os dias, ao lutarmos por um mundo mais justo e equilibrado para todos os que co-habitam connosco.
Peço que vás e que deixes passar o novo ano, para que possamos recomeçar e restaurar energias, forças e ambições. Para que possamos traçar um caminho mais adaptativo e para que saibamos mediar as nossas emoções, capacidades e limitações, sem colapsarmos no meio de tantos medos. Para que possamos viver com mais harmonia, paz e fé. Para que a esperança e a saúde se apoderem do mundo, porque precisamos de respirar de alívio e de mostrar e ver sorrisos. Sem máscaras.
Obrigada, 2020. Por tudo o que me (nos) trouxeste de bom e de mau, por nos dares a certeza que somos do tamanho da nossa confiança e da nossa capacidade de adaptação.
2021, estamos preparados. A meta é só uma: ser feliz em tudo o que fizermos.