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Autor Tópico: No seu lugar  (Lida 745 vezes)

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No seu lugar
« em: 16/11/2015, 09:28 »
 
No seu lugar

Teresa Carvalho | 15/11/2015 | 13:53
Texto opinião

Aquele professor fundou um grupo de dança «diferente». Para ele bastava ser pessoa e querer dançar. Tinha invisuais, com surdez, com deficiência motora, crianças, jovens, adultos. Tinha «pessoas»

Sílvia estava num recanto do auditório onde a sua cadeira de rodas não interrompia a passagem.
O conferencista explicava que uma comunidade, para ser saudável, terá de aceitar a diferença de cada pessoa. Não por generosidade, mas porque cada pessoa é diferente. É essa diferença que cria riqueza. Se quiser deixar alguém de fora, quem sai? E quem tem autoridade para o decidir?

Sílvia pensava: «Se houver muita gente a sentir assim, haverá menos excluídos».
Hoje Sílvia não é excluída, mas durante muitos anos experimentou ser tão diferente que pensava não ter lugar no mundo dos “normais”: desde os seis anos habituou-se a ficar na escola quando os colegas iam a visitas de estudo; a ficar num cantinho do recreio para não atrapalhar com a cadeira de rodas, a não fazer ginástica, a não ser convidada para ir a festas dos colegas.
Com tanto «não», Sílvia acreditou que era «diferente». E que era «menos»! Tão «menos» que sentia vergonha e culpa por precisar da ajuda de outros. Nunca seria «normal», pensava com dó de si.

Um dia, um professor diferente foi à sua escola. Entrou na sala e perguntou:
– Quais destes meninos e meninas quer experimentar uma aula de dança?
Todos levantaram o braço em pronta algazarra. Todos não! Sílvia não levantou o braço. Limitou-se a olhar os colegas e a pensar na sorte que tinham. Já nem ligava: estava habituada.
Com a euforia dos colegas nem viu o professor a aproximar-se. Sobressaltou-se com uma voz ao seu lado:
– E tu, minha querida, não queres dançar?
Sílvia olhou-o e pensou que aquele senhor não era nada esperto. Era simpático mas não percebia nada de dança. Delicadamente, explicou:
– Quando se tem uma cadeira de rodas não se pode dançar!
Mas aquele senhor continuou:
– Na minha turma de dança, os meninos que têm cadeira de rodas podem dançar! Tu gostarias?
Aos oito anitos, Sílvia não se atrevia a contrariar um professor. Disse logo que «sim», mas sabendo que seria só a fingir. Mesmo assim, soube-lhe tão bem ele não a ter deixado de fora.
E não foi só a fingir. Aquele professor fundou um grupo de dança «diferente». Para ele bastava ser pessoa e querer dançar. Tinha invisuais, com surdez, com deficiência motora, crianças, jovens, adultos. Tinha «pessoas».
– Que baralhada. Isto nunca vai ser nada de jeito – pensava Sílvia desacreditada de si e de muitos outros colegas do grupo.

Hoje Sílvia diz orgulhosamente que pertence ao reconhecido grupo «Dançando com a Diferença», convidado em numerosos eventos nacionais e internacionais.
Talvez por isso, hoje Sílvia foi a primeira a levantar o dedo para colocar uma questão:
– Professor, obrigada pela sua comunicação. Coloco-lhe uma questão: «Como o professor disse, não basta a sociedade querer incluir alguém «diferente». Essa pessoa terá, ela própria, de encontrar o papel que é seu por direito. Por isso, a sociedade só terá de permitir que cada um ocupe o seu lugar». As palmas da assembleia soltaram-se, destacando Sílvia que, da sua cadeira de rodas, sabe que tem direito a ser ela própria. Já não sente a vergonha e a culpa de quando era menina: agora ocupa o seu lugar de pessoa insubstituível – porque «alguém» não a deixou de fora e ela quis ser parte do todo a que todos pertencemos.


Fonte: http://www.fatimamissionaria.pt/artigo.php?cod=33348&sec=8
 

 



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