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Autor Tópico: A aventura de um tetraplégico para conseguir um lar residencial em Portugal  (Lida 969 vezes)

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 A aventura de um tetraplégico para conseguir um lar residencial em Portugal

    Meus amigos, a partir de hoje (17 de Julho de 2013) vou relatar neste espaço todos os passos que
 
vou realizar na tentativa de conseguir um lar residencial que me possa vir a acolher. Tem que ser público e subsidiado pelo Estado porque valor mensal da minha reforma é de aproximadamente € 420 (quatrocentos e vinte euros) e com este valor não poderei de certeza pagar mensalidade num lar particular.
 
 Gostaria também de vos explicar que vou iniciar a procura de um lar porque Junta de Freguesia onde atualmente trabalho vai deixar de existir devido à iluminada lei da Reorganização Administrativa do Território das Freguesias e como ainda vigora a proibição de novas contratações no Estado, embora possam existir excepções desde que fundamentadas e com autorização do ministro das Finanças, não estão a ver a Câmara Municipal de Abrantes que nunca se preocupou em cumprir com os 5% de quotas de emprego previstas na legislação para pessoas com deficiência a contatar o Ministro para abrir uma exceção e me propor um contrato a termo. Meu contrato termina no dia 01 de Novembro do corrente ano e obviamente que se não trabalhar não vou receber, e por sua vez não poderei continuar na minha casa. Dai começar desde já a procurar uma alternativa.
 
 As alternativas ao lar residencial são:
 
 1-Acolhimento Familiar:
 Resposta social que consiste em integrar temporária ou permanentemente pessoas adultas com deficiência, em famílias capazes de lhes proporcionar um ambiente estável e seguro.
 
 Objetivos:
 -Acolher pessoas com deficiência;
 -Garantir à pessoa acolhida um ambiente sócio-familiar e afetivo propício à satisfação das suas necessidades básicas e ao respeito pela sua identidade, personalidade e privacidade;
 -Facilitar a relação com a comunidade, com vista à sua integração social;
 -Reforçar a autoestima e a autonomia pessoal e social e
 -Evitar ou retardar o internamento em instituições.
 
 2-Apoio Domiciliário:
 Resposta social que consiste na prestação de cuidados e serviços a famílias e ou pessoas que se encontrem no seu domicílio, em situação de dependência física e ou psíquica e que não possam assegurar, temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e ou a realização das atividades instrumentais da vida diária, nem disponham de apoio familiar para o efeito.
 
 Objetivos:
 -Concorrer para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e famílias;
 -Contribuir para a conciliação da vida familiar e profissional do agregado familiar;
 -Contribuir para a permanência das pessoas no seu meio habitual de vida, retardando ou evitando o recurso a estruturas residenciais;
 -Promover estratégias de desenvolvimento da autonomia;
 -Prestar os cuidados e serviços adequados às necessidades dos utentes (mediante contratualização);
 -Facilitar o acesso a serviços da comunidade e
 -Reforçar as competências e capacidades das famílias e de outros cuidadores.
 
 O serviço de apoio domiciliário (SAD) deve:
 -Disponibilizar os cuidados e serviços todos os dias da semana garantindo, sempre que necessário, o apoio aos sábados, domingos e feriados;
 -Prestar pelo menos quatro dos seguintes cuidados e serviços:
 a) Cuidados de higiene e conforto pessoal;
 b) Higiene habitacional, estritamente necessária à natureza dos cuidados prestados;
 c) Fornecimento e apoio nas refeições, respeitando as dietas com prescrição médica;
 d) Tratamento da roupa do uso pessoal do utente;
 e) Atividades de animação e socialização, designadamente, animação, lazer, cultura, aquisição de bens e géneros alimentícios, pagamento de serviços, deslocação a entidades da comunidade e
 f) Serviço de teleassistência.
 O SAD pode, ainda, assegurar: Formação e sensibilização dos familiares e cuidadores informais para a prestação de cuidados aos utentes; Apoio psicossocial; Confeção de alimentos no domicílio;
 Transporte; Cuidados de imagem; Realização de pequenas modificações ou reparações no domicílio e Realização de atividades ocupacionais.
 
 Mediante estas ofertas (pelo menos segundo a Segurança Social) optei pelo lar residencial porque: Acolhimento Familiar ISS informou-me que não está a funcionar em pleno e Apoio Domiciliário na minha área de residência não funciona durante os fins-de-semana e noites.
 
 MEUS PASSOS PARA CONSEGUIR UM LAR RESIDENCIAL
 
  - Consultei a Carta Social: Uma decepção. Pouco clara, muitas falhas, falta informação relevante;
 
  - Encontrei na Carta Social dois lares em Portugal destinados a receber tetraplégicos, mas só aceitam inscrições até aos 45 anos (tenho 51) e só haverá vagas livres se algum dos utentes que o frequenta actualmente vier a falecer.
 
  - Em 17 de Julho de 2013 contatei o assistente social da minha área e expus-lhe o meu caso. Como a Carta Social é muito confusa, questionei-o também se não teria uma lista dos lares com os quais a Segurança Social tem protocolos. Respondeu que não tinha conhecimento da sua existência e pediu-me que o contatasse segunda feira próxima, dia 22 de Julho, porque entretanto iria tentar informar-se junto de uma colega que domina melhor esta área. Mas realçou que não vai ser fácil conseguir-me um lar subsidiado e se viesse a acontecer seria a primeira vez. Muito estranho pois vejamos o que consta no site da Segurança Social sobre lar residencial para adultos com deficiência:
 
 Equipamento destinado a pessoas com deficiência, com idade igual ou superior a 16 anos, que se encontram impedidas, temporária ou definitivamente, de residir no seu meio familiar (12 a 24 pessoas).

 Objetivos:
-Disponibilizar alojamento permanente ou temporário a jovens e adultos com deficiência;
-Garantir condições de bem-estar e qualidade de vida adequadas às necessidades dos utentes;
-Promover estratégias de reforço da autoestima, da autonomia pessoal e social e
-Privilegiar a relação com a família e com a comunidade
E quanto a custos o ISS avisa que: As pessoas que beneficiam deste tipo de apoios pagam um valor pelo serviço prestado – comparticipação familiar – o qual é calculado com base nos rendimentos da família.
    Como me candidatar:
Para obter informações sobre estes apoios sociais deve dirigir-se:
-Aos centros distritais do Instituto da Segurança Social da área de residência ou aos serviços de atendimento da Segurança Social da área da residência;
-À instituição particular de solidariedade social que presta o apoio ou
-À Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

 
  Foi o que fiz. Dirigi-me ao ISS da minha área de residência e resposta foi a que relato acima.Segunda Feira voltarei a contata-los e continuarei a dar-vos conhecimento de tudo que vai acontecendo.
 
 4º - Dia 19 de Julho: Fui contatado por uma pessoa que leu minha noticia a informar-me sobre a possibilidade de ir morar e trabalhar num lar residencial nos arredores de Lisboa. Embora seja somente uma hipótese não deixa de ser uma excelente noticia.
 
 5º - 03 de Agosto de 2013: Há duas semanas que tento contatar meu assistente social para saber se tem novidades e nada. Como sabem só existem 2 lares em Portugal que são exclusivos para pessoas com deficiência fisica. O da Boa Vontade em Carcavelos, que só aceita inscrições de utentes até aos 45 anos, e o Lar Residencial da Casa de Santo Amaro em Lagos que aceita inscrições até aos 55 anos. Já recebi as fichas de inscrição e já me inscrevi.
 
 6º - 09 de Agosto de 2013: Desde o dia 17 de Julho que aguardo respostas por parte do meu assistente social. Contata-lo tentei durante dias em vão...resolvi contatar por email o Serviço de Atendimento para Pessoas com Necessidades da Segurança Social. Vejam abaixo troca de emails:
 
 1-Boa tarde
 Agradece-se a indicação do seu contacto telefonico, para que possamos dar orientações às técnicas  de Abrantes no sentido de o contactarem para marcação de um atendimento ou visita domiciliária.Poderá no entanto, continuar a insistir com o nº de telefone abaixo indicado, pois é através dele que habitualmente falamos com os técnicos.
Maria José LambériaInstituto da Segurança Social, IP.Centro Distrital de Santarém/font] Unidade de Desenvolvimento Social e ProgramasNúcleo de Intervenção SocialChefe de Setorfont] 2- De:Eduardo [mailto:tetraplegicos@gmail.com] Enviada: sexta-feira, 9 de Agosto de 2013 18:54
Para: M.José.Serrador
Assunto: Re: Marcar Atendimento
Certo. Hoje tentei várias vezes ligar para o respetivo número em vão. Irei continuara fazê-lo durante a semana que vem. Meus contatos constam no formulário, mas envio-os novamente. De manhã 241 822 079 e de tarde 241 107 166 Grato Eduardo Jorge 3- Boa Tarde Informa-se que o Dr. Francisco Faria se encontra de férias, regressando ao Serviço dia 19 de agosto, sendo o seu dia de atendimento semanal às quartas feiras, das 9H30 ás 12h30. Mais se informa que em sua substituição se encontram ao Serviço as técnicas, Dora Grácio e Paula Cristovão. Para qualquer contacto telefonico poerá contactar os respetivos técnicos através do tel: 241361265. Com os melhores cumprimentos    
Maria José Lambéria 
 Instituto da Segurança Social, IP.  Centro Distrital de Santarém Unidade de Desenvolvimento Social e Programas Núcleo de Intervenção Social Chefe de Setor
 

 4- Boa tarde,  Obrigado pela resposta. Eu conheço o nº que me envia e tenho ligado para o mesmo hå 15 dias praticamente todos os dias, mas ninguém atende. Por exatamente não atenderem é que vos contatei. O ISS Abrantes não tem acesso a cadeiras de rodas como a que uso, além disso não tenho transporte próprio adaptado e também não existem públicos acessiveis. Vivo a 20km de Abrantes...não existe um endereço de email que me possam facultar para contatar ação social de Abrantes ou técnicos ligarem-me? Cumprimentos Eduardo Jorge 5- Bom dia As técnicas de Abrantes já tiveram indicação para o contactar no sentido de acordarem qual a melhor forma de lhe garantir o atendimento que solicita. Cumprimentos E fui imediatamente contatado telefonicamente pela Dra Dora, que me explicou que o melhor é esperar pelo colega. Assim como eu também ela só tem conhecimento da existência de dois lares residenciais para pessoas com deficiência fisica e que entrar em lares de idosos também não é fácil, que quem tem que tratar de tudo somos nós e que geralmente para encontrar uma vaga demora meses e que comparticipa-los não é fácil que geralmente são as familias a pagar na totalidade. Irei aguardar chegada de férias do meu assistente social.
 
 Entretanto fico a saber por uma amiga que o Lar Casa de Santo Amaro, outro dos dois que recebem pessoas com deficiência fisica que são acusados de maltratar os seus utentes. Vejam no video:
 
 
  Ou seja, só existem dois lares em Portugal para receber pessoas com deficiência motora, um está lotado e só aceita inscrições até aos 45 anos e entrar lá só falecendo algum dos atuais utentes e o outro maltrata os seus clientes...
 
7º - 23 de Agosto de 2013: Estive hoje å conversa com meu assistente social e a resposta é a que imaginava. Não existem alternativas. Somente entrar num lar de idosos e que quem tem que o encontrar sou eu. Nada fazem porque para além de só existirem dois lares para receber especificamente pessoas com deficiência fisica (num deles não posso entrar porque lista de espera é extensa e só aceitam inscrições de candidatos até aos 45 anos e o outro, que é a Casa de Santo Amaro em Lagos, imprensa tem relatado maus tratos aos seus utentes desde 2008) não existem vagas disponíveis para pessoas com deficiência, e inclusive em lares de idosos.
 Acrescentou que todos os equipamentos que iniciarem sua atividade a partir de agora terão obrigatoriedade de reservar duas das suas vagas para a Segurança Social, mas neste momento a Segurança Social somente tem ao seu dispor um número minimo de vagas de emergência para idosos.
 Ou seja: tenho que procurar um lar público que me aceite dentro das minhas capacidades financeiras (€ 420 mensais) e negociar preços. O que quer dizer, "desenrascar-me".
 
 Próximo passo é enviar exposição para o INR- Instituto Nacional Reabilitação.
 
 8º - Última semana de Agosto: Vários leitores e amigos se têm juntado à minha luta e tentam ajudar. Segui o conselho da Dina Barradas e tentei contatar um conceito diferente e de alternativa aos tradicionais lares que são as . Existem duas em Portugal.

 
 
 
         Publicada por   Nós Tetraplégicos  em  http://tetraplegicos.blogspot.pt/     
« Última modificação: 01/09/2013, 23:32 por migel »
 

 



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