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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Preconceito e Descriminação, Exclusão Social => Tópico iniciado por: Sininho em 29/12/2011, 10:45

Título: Candidata cega luta contra o preconceito
Enviado por: Sininho em 29/12/2011, 10:45
Candidata cega luta contra o preconceito

(http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/thumb2/20111223163440cega.jpg)
Egípcios elegem os deputados num escrutínio que vai até Janeiro para consolidar as bases da democracia multipartidária

Fotografia: AFP

Pela primeira vez na história do Egipto, uma mulher cega de nascença é candidata a deputada nas eleições legislativas do país, com a esperança de acabar com a marginalização dos portadores de deficiência na sociedade.
Tagrid al Manharaui, de 29 anos, é professora de inglês num colégio de cegas e representa o partido moderado islamita Al Wasat, por um distrito da província de Beni Suef, 120 quilómetros a sul do Cairo.

A sua candidatura abre as portas para que cegos e outros portadores de deficiência tenham maior integração numa sociedade que os manteve tradicionalmente no esquecimento.

“O que me move é a luta contra a marginalização por parte do regime anterior de todas as camadas sociais, especialmente os deficientes”, explicou Tagrid al Manharaui, em entrevista à agência Efe.

A jovem filiou-se ao  partido Al Wasat em Setembro, porque o partido foi formado sob os princípios de “igualdade de oportunidade e não discriminação”.

O Wasat, que obteve na primeira volta das eleições 4,3% dos votos, propôs a Tagrid  al Manharaui um lugar nas listas de deputados pelo seu destacado trabalho social nos últimos anos.

O antigo Partido Nacional Democrático, do ex-presidente Hosni Mubarak, também lhe ofereceu a possibilidade de representar a formação política.


“Rejeitei totalmente a oferta porque discordava intelectualmente deste partido e em todas as suas políticas”, realçou a candidata do Al Wasat, assegurando que agora representa também a luta contra “a grande corrupção”.
Para Tagrid al Manharaui, a sua candidatura nestas eleições representa uma mensagem para todas as pessoas deficientes, às quais aconselha a não desanimarem, pois a sua condição “não é um defeito”.

“Se for eleita no Parlamento, isso vai encorajar todos os deficientes a praticar plenamente os seus direitos para serem integrados na sociedade”, afirmou.

Dessa forma, a professora espera que os eleitores colaborem com ela “como um ser humano que tem todos os direitos e deveres, sem levar em conta a sua condição”.

Apesar do apoio limitado que o seu partido - uma antiga cisão da Irmandade Muçulmana - obteve até agora, Tagrid al Manharaui mostrou-se optimista quanto à possibilidade de conseguir um lugar, pois a sua campanha teve “um grande apoio das pessoas”.

O seu programa político inclui a promoção de emendas à Constituição para acabar com os poderes absolutos que ostentava o Presidente da República e para que o Parlamento tenha o direito de lhe pedir contas dos seus actos.

Outro dos seus objectivos é impulsionar reformas na agricultura, saúde e educação, porque, na sua opinião, “as políticas do antigo regime nessas áreas foram um fracasso”.A candidata declarou que a sua prioridade vai para as classes baixa e média, assim como os deficientes, pois pretende trabalhar para aumentar as suas oportunidades de trabalho e de reabilitação.

Tagrid Manharaui confia nas capacidades desta parte da sociedade e nas dela mesma, para representar “muito bem” todos os egípcios.
“Claro que posso”, garantiu de forma contundente a jovem cega, lembrando que o seu trabalho social ajudou-a a ganhar experiência em actividades similares ao trabalho político. A candidata aspira trabalhar por todo o país, mas não esconde a inclinação para  continuar a luta em defesa de certos grupos. “A época de subestimar os incapacitados acabou”, concluiu.

in Jornal de Angola