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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Preconceito e Descriminação, Exclusão Social => Tópico iniciado por: Pantufas em 09/03/2025, 18:54

Título: Capacitismo | Para Milei, pessoas com deficiência são idiotas, imbecis e débeis mentais
Enviado por: Pantufas em 09/03/2025, 18:54
Capacitismo | Para Milei, pessoas com deficiência são idiotas, imbecis e débeis mentais


A resolução n°187/2025 da agência Nacional da pessoa com deficiência (ANDIS) da Argentina, apresentada nesta quinta-feira 27, provocou inquietação entre instituições, tal como a Associação de Síndrome de Down (ASDRA) que expôs uma nota de repúdio a ação e famílias de pessoas com deficiência devido a classificação discriminatória do governo Milei com uso dos termos idiota, imbecil e débil mental referenciando ao grau de desqualificação cognitiva.

Carla Ezequiel
Estudante de Ciências Sociais da UFRN e militante da Faísca Revolucionária

quinta-feira 6 de março | Edição do dia

(https://www.esquerdadiario.com.br/local/cache-vignettes/L720xH417/screenshot_20250228_113745_chrome-1012647-b0858.jpg?1741294037)

Após o efeito negativo, a instituição responsável sobre o tema, protegida pela gestão, comunicou que a resolução divulgada no Diário Oficial do país foi um [“erro de uso de conceitos”] e que terá a devida correção. A publicação em questão detalha os fatores para a identificação do grau de deficiência para a autorização de ‘benefícios’ de pessoas com inaptidão para o trabalho. As devidas classificações se apresentavam da seguinte forma: Idiota - aquele que não lê, escreve, desconhece dinheiro e não atende as necessidades básicas. Imbecil - atende as necessidades elementares e consegue fazer tarefas primárias. Por último, em níveis, o débil mental - leve, moderado e profundo, como aquele que somente assina, tem fala simples, não faz uso de dinheiro e pode executar afazeres básicos.

Essas colocações são a expressão clara de um governo que fomenta o estigma e a marginalização de pessoas que não cumprem um papel laboral na sociedade, ou daqueles que não realizam por falta de condições adaptativas que o possibilitem, afinal, o sistema funciona para que isso aconteça. Comportamentos esses que são aprofundados por Trump indo para além da misoginia e ataques aos estrangeiros. Vale relembrar que desde a posse do economista, entidades que cuidam das questões dessas pessoas sofreram cortes nas políticas designadas ao setor, indo de remoção de medicamentos a cortes de pensões, restringindo cerca de 31 mil argentinos.

Mais da metade do povo vive abaixo da linha da pobreza, onde o rendimento das famílias gira em torno de menos de $665,00 por mês e aproximadamente 18% da população vive como indigente. É de se ter no imaginário quantas delas são parte das que possuem dificuldades intelectuais (e não somente) e que tiveram zero amparo social. Nesses momentos infelizes do governo que decaiu parte da popularidade, seguem atitudes que vão na direção contrária do bem-estar do povo de seu país.

Falas e atitudes discriminatórias, que se escondem atrás de mentiras como “erros de conceitos” são demonstrações de alguns dos pensamentos e posições nítidas da manifestação que é comum às ideias da extrema-direita, e principalmente na base do modelo capitalista, que não faz mal somente a estes, mas mundialmente. Na lógica capitalista, se você indivíduo não serve para produzir (e produzir excessivamente) para o seu país e enriquecer as contas das elites, ficará largado no mundo sem ajuda e se enquadrará nos conceitos horrorosos citados acima.

Além das reproduções horrendas em referência a este grupo prejudicado na sociedade, as ações refletem aquilo que o sistema tem de pior, a desumanização. O olhar para o indivíduo como objeto de uso e descarte como se não houvesse uma vida de potencialidades que cada indivíduo possui tanto por si só quanto em grupo, e que não consegue sequer reconhecer isso por ser engolido dia após dia pelas mãos dessa estrutura exploratória.

Fazendo um paralelo com o cenário brasileiro, observamos movimentações do governo Lula-Alckmin com a Frente Ampla onde acontece de tudo um pouco para saciar os interesses de camadas da classe dominante. O governo está usando 12% do investimento federal com acordos no congresso, afundando a Petrobras com leilão de campos do pré-sal atendendo aos interesses capitalistas, aumentando os salários de juízes que já são exorbitantes enquanto o povo batalha duramente e não vê seu salário aumentar. Atitudes que são vergonhosas, mas que entregam um resultado, o pobre trabalhador pagando a conta ao final e vivendo a mediocridade, enquanto os ricos ficam mais ricos. É fundamental organizar a luta contra o seu Arcabouço Fiscal, que reduz verbas da saúde e da educação para garantir lucro dos banqueiros, atingindo a comunidade PCD através de cortes farmácia popular e no BPC. Ambas medidas que contou com votos não só do Centrão, da extrema-direita, mas também do PSOL.

Tal conjuntura e figuras políticas demonstram parte do mal que a insensibilidade da produção, objetificação e segmentação do indivíduo, tanto como o apreço pelos interesses dos ricos produzidas pelo capitalismo faz na sociedade como um todo. Pessoas padecem numa vida miserável à espera de um milagre enquanto problemas atravessam fronteiras. Diariamente tem-se visto diversas movimentações e fortes sentimentos de indignação da classe trabalhadora que tem se expressado em peso nas ruas e locais de trabalho não somente em solo brasileiro mas internacionalmente.

No dia 1 de fevereiro, pessoas saíram ás ruas em Buenos Aires em marcha popular diversa, coletivos como “Mães da praça de Maio” e “Avós da praça de Maio” mostraram mais uma vez a força da mulher em meio a luta, no momento em que se aproxima o 8M, que será mais um momento de reivindicações de todos os direitos que nos são tirados. Bem como associações de trabalhadores que se levantaram em resposta ao discurso de Milei em Davos que atacou diretamente grupos feministas, LGBTs e outros. Contou com importantes colunas do Pão e Rosas, juntamente com a deputada Myriam Bregman e a legisladora Andrea D’Atri, dirigentes do PTS/Frente de Izquierda, que buscam construir uma alternativa para unificar os trabalhadores, os setores oprimidos, contra os ataques de Milei. Nesse 8M, desde o Pão e Rosas, marcharemos ao redor do mundo contra Trump e seus aliados como Milei, se enfrentando também contra o capacitismo, o patriarcado e o capitalismo.

No RJ petroleiros fizeram greve e lutaram contra atrasos, precarização e reivindicaram direitos e condições de trabalho, no RN seguiu-se greve de professores exigindo o reajuste do piso salarial e pagamento de retroativos, se enfrentando com o PT, Centrão e extrema-direita, bem como a mobilização dos servidores municipais em Florianópolis que sob coação conseguiram adiar a reforma da previdência e a luta dos metroviários em SP que também defendem o fim da escala 6x1.

Exemplos como esses e tantos outros mundo afora deixam uma mensagem importante. Nós precisamos avançar para enfrentar a extrema direita e a conciliação de classes e vencer a barreira das burocracias sindicais que impossibilitam que a classe trabalhadora seja um sujeito político, para que dessa maneira seja possível lutar e manchar a caminho de uma revolução que desmantele esse modelo de exclusão e precariedade.


Fonte: https://www.esquerdadiario.com.br/Para-Milei-pessoas-com-deficiencia-sao-idiotas-imbecis-e-debeis-mentais