Deficiente vendida pela mãe
Uma mulher de 70 anos foi detida pela PJ do Centro por suspeita de ‘vender’ a filha deficiente mental, de 41 anos, para fins sexuais, na zona de Cantanhede. Em troca, a suspeita recebia quantias em dinheiro e produtos agrícolas, legumes e fruta, de pelo menos três ‘clientes’ – também detidos, por crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência.
Os crimes decorriam num cenário de "absoluta miséria humana" há vários anos, mas os investigadores da PJ apenas conseguiram, "para já", reunir indícios desde 2010.
Segundo o CM apurou, o drama vivido pela vítima era do conhecimento de vizinhos, que ficavam desconfiados com "o movimento de homens" em casa das duas mulheres, que viviam sozinhas. Nos últimos dias de Janeiro, um familiar da vítima apanhou em flagrante um dos suspeitos em casa e fez queixa às autoridades policiais.
Após várias diligências, a PJ confirmou que a vítima sofre de doença profunda do foro psíquico e que a mãe, "em vez de defender a filha dos agressores, permitia e facilitava o acesso dos suspeitos à filha, para relacionamento sexuais, durante o dia e de noite", descreveu ao CM uma fonte ligada à investigação. Em troca, a progenitora "recebia batatas e outros legumes e pequenas quantias em dinheiro, num cenário de total miséria", adiantou.
A suspeita, indiciada pelo crime de lenocínio agravado, "estava sempre em casa" a receber os ‘clientes', mas nunca terá presenciado os actos, que aconteciam no quarto da vítima.
Os três homens detidos são vizinhos da família. Um deles, de 68 anos, já tem antecedentes criminais por abuso sexual de criança em França, país onde esteve emigrado. Os outros dois são um reformado e um pedreiro, de 70 e 54 anos. Os quatro estavam ontem à noite a ser ouvidos por um juiz do Tribunal de Cantanhede.
Fonte: CM