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Autor Tópico: Tudo relacionado com Concavada/Abrantes até Lisboa em cadeira de rodas  (Lida 2782 vezes)

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Offline Eduardo Jorge

 
O Governo não cumpriu com o prometido, por isso vou voltar a sair á rua. Neste caso sair á estrada.
                                                                                     
Acontecerá no dia 23 de Setembro próximo, e irei percorrer em cadeira de rodas a distância entre a Concavada, concelho de Abrantes, localidade onde resido, e Ministério da Solidariedade e Segurança Social em Lisboa. Há um ano atrás realizei com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados, uma greve de fome em frente da Assembleia da República, cuja finalidade era dizer basta há institucionalização compulsiva por parte do Estado, das pessoas com deficiência, em lares de idosos, como única alternativa de vida.

Mais detalhes aqui: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2013/07/a-aventura-de-um-tetraplegico-para.html

Queremos ter direito a comandar as nossas vidas como o fazem restantes cidadãos, e não ser os nossos governantes a fazê-lo por nós. Luto pelo direito a uma Vida Independente. Quero ter direito a trabalhar, estudar, viver no meu bairro, círculo de amigos, perto da minha família, frequentar lugares que escolhi, e não ser obrigado a ser um número, sem voz, num lar imundo e sem condições, a vários quilómetros de distância das minhas referências, com custos financeiros altíssimos para mim e minha família, só porque nasci ou adquiri uma deficiência. Criar-nos condições para vivermos nas nossas casas, fica muito mais barato ao Estado do que a institucionalização.

Realizei a greve de fome pelo direito a uma Vida Independente e digna. Suspendi-a porque numa reunião tida na Assembleia da República, o Senhor Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho prometeu entre outras medidas, iniciar os trabalhos de redacção de legislação sobre a Vida Independente no final de Janeiro, com a participação do movimento (d)Eficientes Indignados e demais representantes da comunidade de pessoas com deficiência, mas pouco ou nada aconteceu até ao momento, facto que me leva a voltar a luta. Existiram várias reuniões entre as partes, mas avanços concretos nada.

A viagem que vou realizar entre a Concavada e Lisboa, passará pelas seguintes localidades: Saída de Concavada, dia 23 de Setembro, às 7h, sempre pela estrada nacional 118, passagem pelo Pego às 7h45, Rossio ao Sul do Tejo 8h15, Tramagal 9h, Santa Margarida da Coutada 10h15, Arrepiado 11h45, Carregueira 13h, Chamusca 15h, Vale de Cavalos 16h, Alpiarça 16h45 e Almeirim 17h30, onde vou pernoitar em vigília à frente do edifício da Câmara Municipal local.

Dia 24, saída ás 8h de Almeirim pela estrada nacional 114, Benfica do Ribatejo 9h15, Casa Cadaval 10h, Salvaterra de Magos 11h30, Benavente pela EN 118 12h15, Samora Correia/Porto Alto 13h30, Vila Franca de Xira EN10 14h45, Alhandra 15h15, Sobralinho 15h45 e Alverca do Ribatejo16h, onde vou pernoitar na Praça de São Pedro.

Dia 25 partirei às 5h de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa 7h30, Povoa de Santa Iria 7h45, e por último Praça de Londres 10h.

Durante o percurso irei pernoitar na via pública, em vigília, junto á Câmara Municipal de Almeirim no dia 23, e no dia 24 será em Benfica do Ribatejo. Em ambas as noites agradeço se alguém me disponibilizar um quintal, junto a uma torneira, que me permita tomar um banhinho refrescante de mangueira.

Tanto nas noites passadas em Almeirim e Benfica do Ribatejo, como também nas restantes localidades percorridas durante a viagem, se houver alguém que deseje participar activamente nesta luta será muito bem-vindo, basta juntar-se a mim durante o trajecto, ou acompanhar-me nas vigílias mencionadas, ou também ainda através da realização de outras iniciativas que digam respeito ao tema deficiência/Vida Independente. Ao entrar na cidade de Lisboa, seria importante realizarmos uma marcha em conjunto, até ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social, que fica na Praça de Londres. Entregaremos em conjunto um documento onde mostraremos a nossa indignação e descontentamento por até ao momento as promessas não terem sido cumpridas, assim como lançaremos um ultimato a exigir respostas concretas no imediato.

VIDA INDEPENDENTE...

O Estado Português subscreveu a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em 2009. A Convenção é muito clara: (...) “os Estados Partes comprometem-se a:

a) Adoptar todas as medidas legislativas, administrativas e de outra natureza apropriadas com vista à implementação dos direitos reconhecidos na presente Convenção;”

Passaram já 4 anos e o Estado não cumpriu o compromisso que assinou relativamente a inúmeros itens da Convenção, nomeadamente o estabelecido no Art.19º - Direito a viver de forma independente e a ser incluído na comunidade. Neste Artº o Estado Português reconheceu “o igual direito de direitos de todas as pessoas com deficiência a viverem na comunidade, com escolhas iguais às demais” e comprometeu-se a tomar “medidas eficazes e apropriadas para facilitar o pleno gozo, por parte das pessoas com deficiência, do seu direito e a sua total inclusão e participação na comunidade, assegurando nomeadamente que:

a) As pessoas com deficiência têm a oportunidade de escolher o seu local de residência e onde e com quem vivem em condições de igualdade com as demais e não são obrigadas a viver num determinado ambiente de vida;
b) As pessoas com deficiência têm acesso a uma variedade de serviços domiciliários, residenciais e outros serviços de apoio da comunidade, incluindo a assistência pessoal necessária para apoiar a vida e inclusão na comunidade a prevenir o isolamento ou segregação da comunidade;
c) Os serviços e instalações da comunidade para a população em geral são disponibilizados, em condições de igualdade, às pessoas com deficiência e que estejam adaptados às suas necessidades.”

Recordamos ainda que na Lei n.º 38/2004,de 18 de Agosto sobre o regime jurídico da prevenção, habilitação, reabilitação e participação da pessoa com deficiência, no Artigo 7.º - Princípio da autonomia, se define que a “pessoa com deficiência tem o direito de decisão pessoal na definição e condução da sua vida.” O que observamos, passados estes anos é que a política dos sucessivos governos tem-se orientado no sentido da institucionalização das pessoas com deficiência. O Estado em vez de criar condições para as pessoas com deficiência se manterem nas suas residências, no seu enquadramento familiar e social centra a sua intervenção na comparticipação de soluções orientadas para o desenraizamento social e afectivo destas pessoas.

Comparticipa por ex. os lares residenciais com 951,53€ por utente internado e no entanto, se a mesma pessoa estiver em casa, com a sua família, a comparticipação máxima que poderá ter para contratar alguém para o assistir, é de 177.79€. Existe mesmo a situação paradoxal de ser possível financiar com 672,22€ uma família de acolhimento na casa ao lado da família, que nas melhores das hipóteses, tem direito a 177,79€ para cuidar do seu familiar dependente.

É de notar que, quer na situação de internamento em lares quer nas famílias de acolhimento, as pessoas com deficiência ainda têm de comparticipar com parte dos seus magros rendimentos. Esta situação é anacrónica quer do ponto de vista do bem-estar emocional e social da pessoa, quer ainda do ponto de vista da despesa do Estado. Uma solução que passe por pagamentos directos à pessoa com deficiência, dando-lhe meios que lhe permitam escolher entre a permanência na sua residência ou o internamento, poderá, no nosso ponto de vista, ser também uma poupança para as contas do Estado.

O conceito de vida independente é a saída para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Estado quer na Convenção já referida, quer na legislação nacional existente. Cabe à pessoa com deficiência “o direito de decisão pessoal na definição e condução da sua vida.” Este foi o compromisso assumido pelo Estado Português ao assinar a Convenção. Foi também o próprio Estado que na Estratégia Nacional para a Deficiência 2010-2013 (ENDEF) inscreveu várias medidas que vão nesse sentido:

Medida 63: Desenvolver projecto-piloto que cria o serviço de assistência pessoal.
Medida 64: Executar o aumento da capacidade das residências autónomas (RA).
Medida 66: Executar o aumento da capacidade do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).

Nenhuma destas medidas, que têm como prazo de execução este ano, foi executada de uma forma expressiva, não havendo sequer notícia do projecto piloto que criaria o serviço de assistência pessoal, um dos pilares da vida independente. Está na altura de passar das boas intenções à prática. É necessária uma lei de promoção da autonomia pessoal/Vida Independente que garanta o direito a uma vida independente para as pessoas com deficiência.

Vida Independente é uma filosofia e um movimento de pessoas com deficiência que trabalham para a auto-determinação, igualdade de oportunidades e respeito por si próprias. Vida Independente não significa que queiramos ser nós a fazer tudo e que não precisamos de ajuda de ninguém ou que queiramos viver isolados. Vida Independente significa que exigimos as mesmas oportunidades e controlo sobre o nosso dia-a-dia que os nossos irmãos, irmãs, vizinhos e amigos, sem deficiência, têm por garantidos. Nós queremos crescer no seio das nossas famílias, frequentar a escola do bairro, trabalhar em empregos adequados à nossa formação e interesses e constituir a nossa família.

Visto sermos os melhores peritos nas nossas necessidades, precisamos mostrar as soluções que queremos, precisamos de estar à frente das nossas vidas, pensar e falar por nós próprios – tal como qualquer outra pessoa. Com este fim em vista nós temos de nos apoiar e aprender uns com os outros, organizarmo-nos e trabalharmos por mudanças políticas que conduzam a uma protecção legal dos nossos direitos humanos e cívicos. Nós somos pessoas comuns partilhando a mesma necessidade de se sentirem incluídas, reconhecidas e amadas.

- ENQUANTO ENCARARMOS AS NOSSAS INCAPACIDADES COMO TRAGÉDIAS , TERÃO PENA DE NÓS.

- ENQUANTO SENTIRMOS VERGONHA DE QUEM SOMOS, AS NOSSAS VIDAS SERÃO VISTAS COMO INÚTEIS.

- ENQUANTO FICARMOS EM SILÊNCIO, SERÃO OUTRAS PESSOAS A DIZER-NOS O QUE FAZER.

Fontes: Adolf Ratzka – Independent Living Institute – 2005; Movimento (d)Eficientes Indignados e Eduardo Jorge.
« Última modificação: 19/09/2014, 11:41 por migel »
 

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Entrevista à Rádio IrisFm, sobre a viagem entre Concavada e Lisboa em cadeira de rodas

DEPOIS da greve de Fome, EM 2013, em Frente à Assembleia da República los Conjunto com o Movimento (d) Eficientes Indignados, Eduardo Jorge, Que ficou tetraplégico AOS 28 Anos, vai voltar a Chamar a Atenção dos Problemas das PESSOAS com deficiencia, desta Vez Dando Destaque à Vida Independente, Realizando Uma viagem los Cadeira de Rodas Entre Concavada (Abrantes) e Lisboa, nos dias 23, 24 e 25 de Setembro.

Assista à entrevista na Rádio IrisFm, que ficará a conhecer mais pormenores:   http://www.mixcloud.com/irisfm/iniciativa-de-cadeira-de-rodas-de-abrantes-a-lisboa-por-uma-vida-independente/?utm_source=widget&utm_medium=web&utm_campaign=base_links&utm_term=resource_link



Também no Jornal Abarca
 

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Resumo sobre a viagem de 180km em cadeira de rodas entre Concavada e Lisboa pelo direito a uma Vida Independente



Deixo-vos um resumo sobre o andamento dos preparativos da minha viagem, de + ou - 180 km, entre Concavada e o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, em Lisboa, com inicio no dia 23 de Setembro, e que passará pelas localidades:

Saída de Concavada, dia 23 de Setembro, às 7h, sempre pela estrada nacional 118, passagem pelo Pego às 7h45, Rossio ao Sul do Tejo 8h15, Tramagal 9h, Santa Margarida da Coutada 10h15, Arrepiado 11h45, Carregueira 13h, Chamusca 15h, Vale de Cavalos 16h, Alpiarça 16h45 e Almeirim 17h30, onde irei pernoitar, em vigília, à frente do edifício da Câmara Municipal local.

Dia 24, saída às 8h de Almeirim pela estrada nacional 114, Benfica do Ribatejo 9h15, Casa Cadaval 10h, Salvaterra de Magos 11h30, Benavente pela EN 118 12h15, Samora Correia/Porto Alto 13h30, Vila Franca de Xira EN10 14h45, Alhandra 15h15, Sobralinho 15h45 e Alverca do Ribatejo16h, onde pernoitarei na Praça de São Pedro.

Dia 25 partirei às 5h de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa 7h30, Povoa de Santa Iria 7h45,
e por último Praça de Londres 10h.

Todas as autarquias das localidades referidas acima, foram convidadas a participar na iniciativa. Até ao momento responderam positivamente:

- Junta de Freguesia do Tramagal, seu executivo aquando da minha passagem por aquela vila, vai estar presente no Largo dos Combatentes da Grande Guerra, no dia 23 de setembro, pelas 9 horas;

- Câmara Municipal da Chamusca, confirmou a presença da Sr.ª Vice-Presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Dr.ª Cláudia Moreira, na N118 no dia 23 de Setembro pelas 15h;

- Junta de Freguesia de Samora Correia, o executivo está disponível para me receber e colaborar, e

- Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, totalmente disponíveis para colaborar. Irei pernoitar na Praça de São Pedro.

Em conversações com: CM de Lisboa e CM de Almeirim. Ainda não obtive resposta por parte das localidades de: Pego, Rossio ao Sul do Tejo, Santa Margarida da Coutada, Arrepiado, Carregueira, Vale de Cavalos, Alpiarça, Benfica do Ribatejo, Salvaterra de Magos, Benavente, Vila Franca de Xira, Alhandra, Forte da Casa e Povoa de Santa Iria.

ESTÃO COMIGO…

- Movimento (d)Eficientes Indignados;
- ASCD os Trovões;
- Mithós Associação Apoio Multideficiência e
- UDF-União Deficiente Fórum

- Manuel Feijão disponibiliza gratuitamente uma carrinha, com motorista, e um veículo menor para me prestarem apoio;
- Presidente da ASCD os Trovões põe também à minha disposição o seu veículo pessoal, e disponibiliza-se para me apoiar durante os dias 24 e 25 e
- Mithós, vai acompanhar-me durante todo o trajeto realizado dentro do concelho de Vila Franca de Xira.

AINDA PRECISO…

- Cama articulada com colchão, local para tomar banho, alguém para me virar durante a noite, vestir, dar banho, higiene, carregar baterias da cadeira de rodas, levantar e deitar, apoiar na alimentação, etc., motorista para conduzir um dos veículos, internet móvel para permitir relatar a viagem, e alguém que o faça.

GNR OK, ESTRADAS DE PORTUGAL QUEREM DINHEIRO.

- Divisão de Trânsito e Segurança Rodoviária-Comando Operacional da GNR: Em resposta ao seu email, informamos que na realidade não necessita de qualquer procedimento legal prévio para realizar a viagem indicada. Aproveitamos para lhe desejar os melhores sucessos no evento que se propõe realizar.

- Estradas de Portugal-Direção de Operações de Rede: Vimos agradecer os esclarecimentos prestados, pelo que a pretensão aqui expressa irá ser analisada pelos serviços internos da EP, S.A.
Adicionalmente informa-se que, a taxa a pagar será em função do impacto que esta iniciativa terá para a circulação do tráfego nas vias sob jurisdição desta empresa, mas a existir nunca num valor superior a 20 €.

NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

- Esclarecedora entrevista à Rádio Iris Fm
- Jornal Abarca
- Noticias do Ribatejo
- Jornal Torrejano

Mais informação AQUI


Eduardo Jorge
Publicada por Eduardo Jorge Tetraplégicos
 

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180 kms em cadeira de rodas, porque "nada sobre nós, sem nós"
« Responder #3 em: 07/09/2014, 10:40 »
 
180 kms em cadeira de rodas, porque "nada sobre nós, sem nós"?


Eduardo Jorge

Se o permitirmos as desigualdades socialmente construídas em torno da deficiência vão continuar. A
nossa deficiência não pode continuar a ser um obstáculo à igualdade de oportunidades. Muito triste verificar que as nossas oportunidades são nulas. Temos que exigir mecanismos sociais corretores das desigualdades cada vez mais acentuadas e herdadas. Temos de deixar de ser penalizados por oportunidades desiguais nas diversas esferas da vida social, só porque nascemos ou adquirimos uma deficiência. O que está em causa não é só a privação material no sentido estrito, mas a realidade mais ampla dos processos sociais que nos excluem da vida em sociedade.

Discriminação essa que não está condenada a duração eterna, se nos unirmos e lutarmos juntos, pois só pedimos o direito a alguns dos mais elementares direitos de cidadania, quanto a mim, garanto-vos que vou continuar lutar por esses direitos, até não poder mais, ainda guardo dentro de mim o idealismo de acreditar num mundo justo, sem desigualdades, e em que todos podemos cooperar para o tornar ainda melhor. O meu sonho jamais morrerá, daí mais uma vez voltar á luta. Desta vez irei realizar uma viagem de 180 Kms entre Concavada (Abrantes) e Lisboa, pelo direito a uma Vida Independente. Iniciará no dia 23 do corrente mês.

Mais informações: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2014/08/concavada-lisboa-em-cadeira-de-rodas.html

Porquê continuarem a institucionalizarem-nos compulsivamente, num lar de idosos, como única alternativa de vida?

Veja, o que há muito acontece noutros países:

Suécia e Dinamarca, os serviços são descentralizados pelas regiões e organizados por entidades de âmbito local, e de natureza gratuita. Outros países têm criado prestações específicas para a dependência. Nestas prestações estão contemplados apoios que permitem o pagamento de serviços domiciliários e cuidados de saúde. É o caso de Espanha, Bélgica, França, este último país, com o Abono Personalizado de Autonomia (APA) e da Alemanha com o seguro de dependência (ramo da Segurança Social). Este seguro de dependência é atribuído de acordo com três níveis de dependência que variam em função das necessidades de assistência e da duração da ajuda, traduzida em minutos e horas. Quer o APA, quer o seguro de dependência, a sua atribuição depende de uma avaliação efectuada por uma equipa médico-social, que estabelece um plano de necessidades e de cuidados, incluindo serviços de apoio domiciliário, de âmbito social e de saúde.

Outros países têm desenvolvido sistemas mistos, contemplado sistemas de financiamento directo aos beneficiários. É o caso de França com o CESU – cheque de emprego. Este constitui um meio de pagamento que permite suportar os serviços usufruídos pelas pessoas, em situação de dependência, a residirem no domicílio. O montante estipulado no âmbito do CESU inclui serviços como, a preparação e distribuição de refeições, lavandaria, apoio pessoal (com exclusão para os cuidados médicos), companhia, ajuda no transporte, compras, cuidados de estética e assistência administrativa no domicílio.

Temos também o exemplo misto Inglês, com um sistema de serviços organizado pelas autoridades locais. O pagamento directo às famílias é um sistema facultativo aos serviços de âmbito local, o qual é pago pelas autoridades locais, e dirige-se a todas as pessoas que necessitam de apoio social, e que pretendam organizar ou pagar os seus próprios cuidados, ao invés de receber directamente os serviços provenientes da comunidade local. No caso Inglês, o sector privado lucrativo é responsável pela prestação de uma grande percentagem dos serviços de apoio à população dependente.

Em Espanha não existe um financiamento directo às instituições, mas são lançados anualmente concursos públicos, aos quais as entidades lucrativas, e não lucrativas, se candidatam mediante um caderno de encargo devidamente especificado, para os serviços de apoio pessoal, alimentação e lavandaria prestados no domicilio. Nas actividades de âmbito pessoal, podem concorrer também profissionais, devidamente qualificados, para a prestação de serviços. Existe uma estreita articulação entre o Ministério do Emprego e dos Assuntos Sociais, dado que se privilegia grupos de risco, desempregados de longa duração, imigrantes, de forma não só a fomentar o emprego, como também a valorizar estes serviços como actividades socialmente úteis.

Já em 2009, o Instituto de Segurança Social, aconselhava a apostar na amplitude e diversidade de serviços destinados a dependentes, baseado na comparticipação nominal de serviços usufruídos e de acordo com as necessidades individuais, previamente identificadas por uma equipa médico-social, polarizada em parcerias entre segurança social e saúde, pois poderia constituir uma estratégia de requalificação do actual modelo de serviços de apoio domiciliário, assim como o financiamento directo às famílias ao assentar no princípio da discriminação positiva, competiria ao cliente escolher no mercado social a entidade (lucrativa ou não lucrativa) prestadora dos serviços que melhor respondesse às suas necessidades. O Estado entregaria directamente ao beneficiário um determinado montante pelos serviços usufruídos. Este sistema, para além de ser muito mais transparente, assentaria na relação directa entre o Estado e o beneficiário, e promoveria a protecção ao cidadão e o princípio da discriminação positiva. Que valor a comparticipar? Teria-se como referencial os valores de mercado no sector privado, pagos á hora, esse valor reverteria directamente às famílias que assim teriam liberdade de escolher no mercado a melhor solução de resposta às suas necessidades efectivas.

E por fim, aconselha uma maior adequação do modelo vigente de serviços às necessidades da população, de maneira a responder à questão da dependência, como também contribuir para a permanência da pessoa dependente no seu domicílio e contexto social.

Eduardo Jorge e In ISS

Eduardo Jorge

- Ajude a divulgar por favor a minha próxima ação. Basta ir à página do evento e clicar em "convidar": https://www.facebook.com/events/779329265452752/

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- Nós Tetraplégicos no facebook: https://www.facebook.com/nos.tetraplegicos


Fonte: http://tetraplegicos.blogspot.com/
 

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180Km em Cadeira de rodas
« Responder #4 em: 13/09/2014, 10:22 »
 


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Friozinho na barriga...

Sobre a viagem de 180 kms em cadeira de rodas que iniciarei no próximo dia 23: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2014/08/concavada-lisboa-em-cadeira-de-rodas.html Uma leitora escreveu o seguinte: "É necessário ter muita coragem, desespero ou então muita revolta contra o sistema político para ter uma atitude destas. Que é muito digna pela parte deste tetraplégico..." Respondo: "São as três coisas, coragem, desespero e revolta".

 Isto porque está a chegar a hora de me por á estrada. Em situações idênticas não sou de me por a pensar e preocupar como o que pode ou não dar errado. Avanço e será o que tiver de ser. Mas depois de vários alertas para isto e aquilo, não é que senti um friozinho na barriga...A hora está a chegar, existe previsão de chuva para esses dias, e sempre são 180 kms que vou percorrer em cadeira de rodas, durante 3 dias, por estradas desconhecidas.

Um amigo pergunta: "tens quantos pneus e câmaras-de-ar subselentes?" Outro pergunta se nas perigosas curvas do Tramagal e sei lá mais onde, se era acompanhado por um veículo a avisar que circulava um veiculo lento. Claro que tento preparar as coisas de maneira a alcançar os objetivos propostos, mas nada mais que isso, pois a logística nunca é fácil, até porque neste caso estou praticamente sozinho a preparar tudo.

Também já me perguntaram se levo uma caixa de ferramentas, se requisitei bombeiros. Há quem pergunte o que farei se chover, tiver frio de noite, outros se calor apertar, outros ainda como vou fazer para me alimentar, como carregar baterias da cadeira de rodas, etc.,

 É claro que nem eu sei o que me espera e se conseguirei ultrapassar obstáculos que venham a surgir! Nunca viajei mais que 4 kms num dia. Não faço ideia se a cadeira aguenta, existe o perigo de furarem os pneus, se meu organismo vai suportar o desgaste físico e mental, se terei perdas, algo mais grave...perigos...até porque todos sabemos como é cruzarmo-nos ou ser ultrapassados por veículos pesados. Até parece que o vento nos vai derrubar.

Ano passado quando fui realizar a greve de fome, também fui alertado para eventuais perigos, mas nem sequer pensei neles, se o fizesse talvez nem avançasse, eu fui para a grave de fome convicto que tudo poderia acontecer, inclusive a morte. Desta vez irei com o mesmo espírito, preparado para tudo, e não vou mais uma vez parar para pensar.

Única certeza que tenho, é que como vivo não é viver. Não quero esta vida para mim. Tenho direito a mais, quero mais, e enquanto tiver forças lutarei, desta, ou de outra maneira, mas lutarei sem medo, pois o direito a lutar esse ninguém me o pode tirar.

 Como refere Merle Shain, só há duas maneiras de abordar a vida: Como vítima ou como um corajoso lutador. Temos que decidir se queremos agir ou reagir. Dar as cartas ou jogar com um baralho viciado. E, se não decidirmos como queremos jogar com a vida, ela joga sempre connosco.

 A propósito, deixo-vos abaixo um texto do querido amigo Jorge Falcato, sobre o assunto que me leva a sair à rua:

IMAGINA-TE

Na cama.
O sol já te acordou e são horas de levantar.
Esperas.
Já cá deviam estar para te tirarem da cama, levarem-te para o banho, lavarem-te os dentes, pentearem-te.
Imagina que estavas à espera.
Na cama.
Que ninguém chegava.
E que não conseguias levantar-te. Nem tomar banho. Nem lavar os dentes. Nem penteares-te.
(O corpo é um peso)
Era fodido, não era?

Há quem viva assim.
Todos os dias.
Todos os anos.

 EU ACRESCENTO AO TEXTO: Isso quando temos alguém que nos possa abrir os estores para permitir a entrada do sol, e quem nos possa dar banho todos os dias. Já nem me lembro de ter esse privilégio de tomar banho dois dias seguidos. Banho debaixo do chuveiro, e não banho de gato na cama.
Eduardo Jorge

- Ajude a divulgar por favor a minha próxima ação. Basta ir à página do evento e clicar em "convidar": https://www.facebook.com/events/779329265452752/

- Tetraplégicos:  http://tetraplegicos.blogspot.com/

 

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180 kms em cadeira de rodas pelo NÃO à institucionalização compulsiva



PELA DIREITO A UMA VIDA INDEPENDENTE. PRECISAMOS DE TODOS.

Valores pagos pelo Estado às instituições para nos tirar do nosso ambiente familiar:

- Lares residenciais: € 951,53 acrescido da nossa coparticipação que pode atingir os 85% dos nossos rendimentos, fora extras como fraldas, medicação, etc;
- Centro de Atividades Ocupacionais: € 482,45 mais 40% dos nossos rendimentos;
- Famílias de Acolhimento: € 672,22 mais uma percentagem dos nossos rendimentos.
... mas nossa família se cuidar de nós recebe máximo de € 177,79

PAGAM TANTO PARA NOS INSTITUCIONALIZAREM

Fonte: Movimento (d)Eficientes Indignados

Solidários com o meu protesto de 180 kms em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Independente

Sobre a minha viagem de protesto: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2014/08/concavada-lisboa-em-cadeira-de-rodas.html Tenho que partilhar convosco dois dos vários emails de incentivo que recebi, e que me tocaram de uma maneira muito especial. É nestes gestos que vou buscar muita da força que neste momento necessito.

1º enviado por Mário Relvas, pai de um filho autista:

Bom dia,

Está a chover em Braga. O céu está escuro e troveja.  Renovam-se as estações do ano. Os dias começarão a diminuir e a noite chegará mais cedo.  É o Outono que está à porta e nos recorda que a viagem do tempo prossegue inexoravelmente.

O silêncio reina pela manhã. Muitos bracarenses passaram a noite em branco. A cidade, neste domingo cinzentão, começará a retomar a sua normalidade lá mais para a hora do almoço.

Muitos outros ao longo do resto do país não resistiram à febre de sábado à noite e também passaram a noite em branco.

É bom que as pessoas se divirtam, de quando em vez, para espairecer. Com tino.

Mas não podemos esquecer a realidade dos diferentes e de quem com eles vive em dedicação. E dos que vivem sem grande apoios e buscam apenas um pouco de conforto e ânimo.

Há casos que não se entendem: "trataram-me pior que um cão". Este é um velho caso e alerto para as subempreitadas: 200 mil casas têm TV pirata - a EDP está a acabar com elas formando técnicos próprios com formação geral e específica e devidamente credenciados para poderem atuar no terreno. Este eu também entendo: Vítor Bento confirma saída do Novo Banco - há que vender o que resta do banco o mais rápido possível. E também entendo o motivo porque asFinanças atacam criadores de cães - há por aí gente a ganhar muito dinheirinho com o negócio dos animais de estimação sem declararem um cêntimo ao fisco.

Mas o principal motivo porque escrevo este correio é para que nos lembremos do Eduardo Jorge e de tantos como ele que gostariam apenas de ser um pouco mais confortados na sua vida diária.

Quanto a nós, cá em casa: vamos passar mais um domingo em volta do Bruno e do seu autismo - cansativo por hiperativíssimo, mas honestíssimo porque desconhece o oportunismo e as falcatruas da vida.

E vou para a cozinha desforrar-me na feitura de umas favas estufadas com frango que leva uns condimentos especiais a que não poderia faltar um pouco do meu molho especial de piripiri. O seu principal ingrediente já nasce aqui na varanda - ver foto em anexo.

Deixo-vos um texto e o endereço de correio eletrónico do Eduardo Jorge para o caso de o querem contatar: tetraplegicos@gmail.com

Cumprimentos e bom domingo.


2º email é da autoria do Tó Silva (tetraplégico), que fez o favor de o enviar para todos os grupos parlamentares:

Aos representantes do ...

Exmos. Senhores

Escrevo-vos na condição de deficiente motor, tetraplégico, dependente de terceiros
Tendo em consideração que o vosso partido se preocupa com causas sociais, venho pela presente informá-los e também pedir um pouco de atenção e ajuda para uma causa que vem sendo desconsiderada há muito tempo.
De 23 a 25 de Setembro, um colega tetraplégico, fará uma viagem de cadeira de rodas desde a Concavada (Abrantes) até Lisboa, com o intuito de chamar a atenção para o direito que uma pessoa com deficiência motora tem de ter uma vida independente.

Já no ano passado este senhor, Eduardo Jorge, propôs-se fazer uma greve de fome em frente à Assembleia da República, sendo na altura abordado pelo Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Agostinho Branquinho , que o demoveu da referida greve de fome, com a promessa de que iriam ser desenvolvidos meios de auxílio. Mentira. Até hoje nada foi feito. Portanto, apelo, junto do vosso partido com toda a estima que ele merece, para que apoiem esta causa e se informem da situação.

O Eduardo Jorge tem a coragem de levar a cabo esta façanha que pode ser perigosa para a sua própria saúde. No entanto, ele representa um grande numero de pessoas que estão dependentes de terceiros e, como tal, não têm independência para fazer uma vida normal, nem meios para conseguirem expor os seus problemas. No fundo, é como se fossem obrigadas a cumprir uma pena pelo crime de serem deficientes motores, simplesmente porque não têm quem as auxilie. São um grupo de pessoas sem voz, mas com problemas reais e com um pedido simples: ter quem as auxilie no dia-a-dia.

Neste momento tenho quem cuide de mim, uma MÃE espectacular e lutadora que tudo faz para que eu tenha o mínimo de qualidade de vida, estudasse e trabalhe (e tantas vezes à custa da sua própria qualidade de vida). Pergunto-me: qual é o agradecimento que tem por isso?
Considero-me uma pessoa inteligente, com iniciativa e trabalhadora. Sim, porque estudei, tenho emprego e participo em actividades de âmbito social. Isto tudo graças à minha mãe, que se certifica que tenho independência para o fazer. Veste-me, lava-me, cuida da minha higiene, alimenta-me, levanta-me e deita-me; mais umas quantas coisas que necessito.

Interrogo-me frequentemente, se quando a minha mãe não conseguir cuidar de mim, terei de abdicar da minha vida actual?
Neste momento a resposta é sim. Deixaria de ser uma pessoa participativa na sociedade, para ficar confinado a um lar, porque o Estado não me concede a hipótese de ter um cuidador. É triste e frustrante, pois tenho muito a contribuir para a comunidade.

 Por vezes fico triste quando vejo na televisão programas que transmitem pessoas com deficiência, dependentes, felizes e contentes porque têm por trás uma independência financeira que lhes permite ter um certo conforto e independência. Isso não corresponde à realidade. Trata-se apenas de uma pequena percentagem.
Tal como eu existem inúmeros casos parecidos, sem independência, mas com o direito de a ter. Coisa que não acontece.

Fazer uma viagem como esta, de cadeira de rodas, pode parecer algo simples para quem é leigo no assunto. No entanto, isso acarreta vários problemas físicos, desde o simples facto de poder ser atropelado, pois a maior parte das estradas não têm passeios acessíveis; ao poder ganhar uma ulcera de pressão; até poder ganhar uma tendinite por dirigir tanto tempo; isto e muitos mais factores perigosos.

Portanto esta iniciativa não é apenas um acontecimento "bonito", mas uma chamada de atenção para este drama, que o Eduardo Jorge defende, por ele, e principalmente por todos que não se podem manifestar, mesmo colocando em risco a saúde.

Por isso, mais uma vez reitero a minha consideração pelo vosso partido e peço que apoiem esta iniciativa, informando-se sobre esta luta por uma vida independente e contribuindo para que sejam criados meios de apoio.
Peço que enviem alguém para falar com o Eduardo Jorge, que certamente lhes explica todos os porquês desta revindicação.

Podem seguir o blog dele em: tetraplegicos.blogspot.com
e o evento no facebook: https://www.facebook.com/events/779329265452752/?fref=ts

Certo que este mail e toda esta causa, terão a melhor das considerações da vossa parte.
Subscrevo-me com estima e consideração.

Eu: Através destes dois exemplos de emails deixo um obrigado muito especial a todos os que me têm contatado a solidarizar-se com a minha ação.  Professor António Carraço, a sua carta emocionou-me.

Eduardo Jorge

enviado por email
 

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Tetraplégico faz vigília na porta da Câmara Municipal de Almeirim

Durante os dias 23, 24 e 25 de setembro, Eduardo Jorge um tetraplégico com 90% de incapacidade vai percorrer 180 kms em cadeira de rodas desde Concavada (Abrantes) até à Praça de Londres em Lisboa.

Esta é mais uma maratona que Eduardo Jorge tem levado a cabo nos últimos anos, lutando pelo direito a uma vida independente. Este homem que tem dedicado os seus últimos anos a lutar por mais direitos para os que sofrem de deficiências físicas, concluiu ainda assim o seu curso superior e tem trabalhado na sua junta de freguesia onde tem feito um importante trabalho social.

Eduardo irá percorrer as estradas nacionais 118, 114 e 10, passando por localidades como Chamusca, Alpiarça e Almeirim onde chega por volta das 17h30 do dia 23 de setembro para fazer uma vígilia em frente ao edifício da Câmara Municipal de Almeirim. No dia 24 saí de Almeirim às 8h00 passando por Benfica do Ribatejo, Salvaterra de Magos, Benavente, Vila Franca de Xira e Alverca onde pernoitará e no dia 25 segue até à Praça de Londres em Lisboa onde pretende chegar às 10h00.

Eduardo já garantiu um colchão e uma cama articulada para passar a noite em Almeirim e Alverca.

Fonte: Almeirinense
Publicada por Eduardo Jorge Tetraplégicos
 

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Tetraplégico vai de Abrantes a Lisboa em cadeira de rodas para reclamar uma vida independente



Um deficiente motor residente em Concavada, Abrantes, propõe-se realizar, na próxima semana, 180 quilómetros em cadeira de rodas até ao Ministério da Segurança Social, em Lisboa, para reclamar o direito a uma vida independente.

Eduardo Jorge, 52 anos, tetraplégico e activista do movimento "nos.tetraplégicos", revela que a finalidade da iniciativa é "chamar a atenção para os problemas dos deficientes motores e idosos" em Portugal e "dizer basta à institucionalização compulsiva, por parte do Estado, das pessoas com deficiência em lares de idosos, como única alternativa de vida".

O ex-gerente comercial, licenciado em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou numa cadeira de rodas.

Eduardo Jorge já havia realizado uma greve de fome em frente da Assembleia da República, no ano passado (com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados), que suspendeu, depois ter sido recebido pelo secretário de Estado da tutela e este ter assegurado, na ocasião, iniciar os trabalhos de redacção de legislação sobre a Vida Independente no final de Janeiro.

"Realizei a greve de fome pelo direito a uma vida independente e digna, e suspendi-a porque obtivemos determinadas garantias e promessas, numa reunião tida na Assembleia da República com o secretário de Estado da tutela, mas pouco ou nada aconteceu até ao momento, facto que me leva a voltar a luta, neste caso, à estrada", destacou.

"Não quero deixar de ser uma pessoa participativa na sociedade e não quero ficar confinado a um lar, só porque o Estado não concede a hipótese de ter um cuidador e sermos nós a contratar o serviço que entendemos que possa prestar uma ajuda específica à medida e tendo em conta as necessidades de cada um", vincou.

"Criar-nos condições para vivermos nas nossas casas, fica muito mais barato ao Estado do que a institucionalização, e é pelo direito a uma vida independente que vou fazer este percurso até Lisboa em cadeira de rodas”, justificou.

Eduardo Jorge reclama para os deficientes motores o crescimento junto da família, poder frequentar a escola do bairro ou trabalhar num emprego adequado à formação.

O plano de viagem começa em Concavada, Abrantes, na terça-feira, às 7h, e durante o percurso Eduardo Jorge vai pernoitar na via pública, em vigília, junto à Câmara Municipal de Almeirim, no dia 23, e no dia seguinte vai pernoitar em Benfica do Ribatejo. A chegada está prevista para quinta-feira, às 10h, à Praça de Londres, sede do Ministério da Solidariedade Social, Emprego e Solidariedade, em Lisboa.


Fonte: Publico
 

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Tetraplégico percorre 180 quilómetros de cadeira de rodas
« Responder #9 em: 23/09/2014, 10:19 »
 
Tetraplégico percorre 180 quilómetros de cadeira de rodas


   
A jornada é de 180 quilómetros e inicia-se na manhã desta terça-feira, 23 de setembro.

Eduardo Jorge, um tetraplégico de 52 anos que reside na aldeia de Ribeira do Fernando, Concavada, concelho de Abrantes, promete cumprir a distância que o separa do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social na sua própria cadeira de rodas, numa viagem que serve para lembrar o governo de que há promessas por cumprir.

Há cerca de um ano atrás, o homem tentou dar início a uma greve de fome à porta da Assembleia da República, tendo sido demovido por Agostinho Branquinho, secretário de Estado da Segurança Social, que lhe prometeu dar início ao processo legislativo da Vida Independente.

"É inacreditável como de lá para cá nada foi feito. Mas eu estou aqui para lembrar ao secretário de Estado e ao governo que o prometido é devido", disse à Rede Regional Eduardo Jorge, que se diz preparado para tudo e consciente dos riscos que vai correr, ao longo de um percurso que será feito por estradas nacionais.

"É óbvio que sei os riscos que corro, mas eu não sou daqueles de ficar em casa, de braços cruzados, à espera que as coisas aconteçam", acrescentou, enquanto planeava a viagem de três dias, que tem duas paragens para pernoitar em Almeirim e Alverca do Ribatejo.

O tetraplégico luta pela implementação da chamada Vida Independente, um novo corpo legislativo que dá aos portadores de deficiência a hipótese de escolherem os seus próprios cuidadores de acordo com as suas necessidades específicas, e permanecendo no seu ambiente familiar.

Na situação atual, "qualquer deficiente é obrigado a ir para um lar de idosos, onde se fica praticamente à espera da morte. Além de não existirem vagas, a maioria deles não está preparado para lidar com a deficiência nem responde às especificidades de cada caso", afirma Eduardo Jorge, explicando que o governo pode entregar o dinheiro com que subsidia as instituições sociais diretamente a quem sofre de deficiência, dando-lhe a possibilidade de pagar a quem poderá cuidar dele.

Entre as muitas questões que não fazem sentido, está o facto do Estado atribuir aos lares residenciais 951 euros por cada utente internado, mas dar até um máximo de 177 euros para o mesmo portador de deficiência contratar alguém para o assistir em casa.

"A Vida Independente já existe noutros países europeus. O que nós queremos é a possibilidade de escolher, porque está na altura do Estado deixar de decidir por nós", diz Eduardo Jorge, lembrando que, desde outubro de 2013, houve apenas uma reunião com o governo sobre uma matéria que prometeu legislar, e feita a pedido do Movimento dos (d)Eficientes Indignados.

"Eu recuso-me a viver desta maneira", desabafa Eduardo Jorge, que é tetraplégico há 24 anos, desde que um acidente de viação em 1991 o atirou para uma cadeira de rodas.

Como sempre se recusou em resignar-se à sua condição de deficiente, é hoje funcionário da União de Freguesias da Concavada e Alvega, e acabou há poucos meses a sua licenciatura em serviços sociais.

Conta chegar a Lisboa na quinta-feira, dia 25, onde vários outros portadores de deficiência ligados aos (d)Eficientes Indignados se juntarão a ele para um protesto à porta do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social.

Fonte: http://www.rederegional.com/index.php/sociedades/10245-tetraplegico-percorre-180-quilometros-de-cadeira-de-rodas#
 

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Tetraplégico faz 180 km de cadeira de rodas para protestar


O ativista Eduardo Jorge

Eduardo Jorge vai fazer o percurso entre Abrantes e Lisboa de cadeira de rodas para protestar contra a falta de legislação em torno dos direitos dos cidadãos com deficiência


A partida está agendada para hoje, 23 de setembro, o dia em que o tetraplégico e ativista dos direitos dos portadores de deficiência, Eduardo Jorge, sairá de sua casa, em Concavada, Abrantes, para percorrer 180 quilómetros de cadeira de rodas até ao Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, em Lisboa.

O autor do blogue Tetraplégicos e da página de Facebook Nós Tetraplégicos , resolveu protestar desta forma contra a falta de legislação em torno da Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, subscrita por Portugal há cinco anos, mas ainda por cumprir.

Eduardo Jorge já havia feito uma greve de fome, no ano passado, junto à Assembleia da República, que só terminou depois de ter sido recebido pelo secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho, que se comprometeu a avançar com legislação tendo em vista a promoção da vida independente dos cidadãos com deficiência.

Oito meses depois da reunião com o secretário de Estado, "pouco ou nada aconteceu" e Eduardo Jorge resolveu voltar aos protestos, desta vez deslocando-se a Lisboa na sua cadeira de rodas.

A chegada a Lisboa está prevista para o dia 25 de setembro e, pelo caminho, o ativista vai procurar ser recebido por autarcas de cada região.

Eduardo terá o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados, ASCD Os Travões - Mithós Asspciação Apoio Multideficiência e UDF - União Deficiente Fórum. No entanto, ainda precisa de uma cama articulada para pernoitar, um local para dormir, alguém para o ajudar na sua higiene, um motorista para conduzir o veículo de apoio e internet para ir relatando a viagem.
Pelo direito a uma vida independente é o lema do protesto de Eduardo Jorge.

Ler mais: http://visao.sapo.pt/tetraplegico-faz-180-km-de-cadeira-de-rodas-para-protestar=f794761#ixzz3E9QuuSja

Fonte; Visão
 

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Deficiente em cadeira de rodas viajou de Abrantes a Lisboa em protesto


foto Ângelo Lucas/Global Imagens


Eduardo Jorge, um deficiente motor residente em Concavada, Abrantes, chegou às 11.00 horas a Lisboa após ter percorrido mais de 150 quilómetros na sua cadeira de rodas como forma de reclamar o direito a uma vida independente.

Deficiente em cadeira de rodas viajou de Abrantes a Lisboa em protesto
Eduardo Jorge (à esquerda) fez percurso de Abrantes a Lisboa em cadeira de rodas
 

A viagem de três dias, que terminou cerca das 13.00 horas à porta do Ministério da Segurança Social, pretende alertar para uma alteração legislativa que permita às pessoas com deficiência, e com necessidade de assistência, permanecer em casa, contratar o seu assistente e dispensar internamento em lares.

"Esta viagem em protesto tem sido muito dura, com algumas peripécias e algum receio inicial pelas condições atmosféricas e por circular em cadeira de rodas pelas estradas nacionais, de Concavada até Lisboa, mas as incógnitas não me demoveram de fazer este percurso porque de uma coisa eu estou certo: esta vida, para mim, não serve", vincou Eduardo Jorge, à agência Lusa.

Com 52 anos, tetraplégico e ativista do movimento "nos.tetraplégicos", Eduardo disse que a finalidade da iniciativa é a de "chamar a atenção para os problemas dos deficientes motores e idosos" em Portugal e "dizer basta à institucionalização compulsiva por parte do Estado das pessoas com deficiência em lares de idosos, como única alternativa de vida".

O ex-gerente comercial, licenciado recentemente em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou numa cadeira de rodas, tendo sido institucionalizado.

"Estar internado num lar, para mim, era normal. Durante vários anos foi assim. Eu não sabia nada, não tinha conhecimento nem estava desperto para os meus direitos. Mas ganhei consciência das coisas, olhei para mim e disse: chega. Isto não é vida para mim. Quero ter uma vida independente, quero ser útil à sociedade, quero sentir-me útil e feliz comigo mesmo, não quero ir para um lar distante, quero ficar em casa, junto dos meus, e poder contratar quem cuide de mim", explicou.

Eduardo Jorge já havia realizado uma greve de fome em frente da Assembleia da República, no ano passado, com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados, tendo-a suspendido depois de ter sido recebido pelo secretário de Estado da tutela e este ter assegurado, na ocasião, iniciar os trabalhos de redação de legislação sobre a "Vida Independente" no final de janeiro último.

"Realizei a greve de fome pelo direito a uma vida independente e digna, e suspendi-a porque obtivemos determinadas garantias e promessas. Pouco ou nada aconteceu até ao momento, facto que me levou a voltar a luta, neste caso, à estrada", notou.

"O carinho, as palavras de incentivo, os aplausos, as buzinadelas e as centenas de pessoas que me esperavam em algumas localidades para me acompanhar e dar ânimo nesta viagem deixaram-me muito feliz e deram-me muita motivação", relevou.

Para o final da jornada de protesto, Eduardo Jorge promete "entregar em mãos um documento reivindicativo para avivar a memória ao secretário de Estado Agostinho Branquinho, que prometeu e não cumpriu".

"Espero que o Governo avance a curto prazo com as medidas acordadas há um ano, caso contrário, a minha luta, que é a de todos os deficientes motores, idosos e de todas as pessoas com necessidade de assistência, vai continuar", prometeu.


JN
 

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Vida Independente ENTREGUE A CARTA ABERTA. DIVULGUEM-NA.
« Responder #12 em: 26/09/2014, 16:10 »
 
Vida Independente    ENTREGUE A CARTA ABERTA.   DIVULGUEM-NA.



"O Governo pode usar o nosso dinheiro para nos encarcerar, mas não pode usá-lo para nos dar independência e uma vida digna? Que interesses está a proteger?"


ENTREGUE A CARTA ABERTA.
DIVULGUEM-NA

Exmo Sr. Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social Agostinho Branquinho.

Como deve estar recordado, há quase um ano, anunciei que iria entrar em greve de fome até ter garantias que iria ser iniciado um processo legislativo que garantisse uma Vida Independente às pessoas com deficiência que, tal como eu, necessitam de apoio para cumprir as tarefas do dia-a-dia.

Por proposta sua, reuni consigo, estando presentes também representantes do Movimento (d)Eficientes Indignados (MDI). Nessa reunião explicámos o conceito de Vida Independente. Sublinhámos os pontos que consideramos indispensáveis para desenvolver uma política que promova a autonomia e o direito a uma vida digna fora das instituições, tais como o pagamento directo às pessoas com deficiência da quantia necessária à contratação dos assistentes pessoais e a liberdade na escolha da pessoa que presta assistência.

Defendemos uma política em que a pessoa com deficiência seja dona sua própria vida, com a possibilidade de decidir onde, como e com quem viver. Uma política que inverta a tendência institucionalizadora seguida até aos dias de hoje pelos sucessivos governos.

Não estamos sozinhos nesta pretensão. A Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada por Portugal, é clara na recomendação da implementação da Vida Independente. E, como sabe, esta é também uma orientação da Comunidade Europeia para a aplicação dos fundos do próximo quadro comunitário de apoio.

Após a referida reunião, interrompi a greve de fome que estava disposto a prosseguir até às últimas consequências, porque Vexa me garantiu que o processo de redacção de uma lei de Vida Independente/Assistência Pessoal começaria no final de Janeiro, com a participação do MDI e demais representantes da comunidade das pessoas com deficiência.

“Nada sobre nós sem nós”, velho slogan que continuo a reafirmar.

Em Janeiro, nem uma reunião que estava prevista para a primeira semana teve lugar. Teve de ser o MDI a solicitá-la e ocorreu apenas a 27 de Fevereiro. Nessa reunião assisti a uma alteração de posições da Secretaria de Estado. Fomos informados, numa clara violação dos compromissos assumidos, que nada mais passaria pela colaboração com MDI e que já estava decidido apenas promover a formação de Assistentes Pessoais sem que tivéssemos sequer sido informados dos conteúdos dessa formação. A Secretaria de Estado revelou a sua incapacidade para colaborar com as organizações de pessoas com deficiência, impondo a sua vontade, não aceitando nem propostas nem críticas às suas decisões.

O conceito de Vida Independente foi resultado de muitos anos de luta pelo direito a viver de uma forma digna. Foi uma conquista das pessoas com deficiência. Não é admissível que a implementação de uma política de Vida Independente seja feita contra ou ignorando a Comunidade de pessoas com deficiência. Muito menos num País democrático.

Está em causa em o direito à autodeterminação de cidadãos portugueses.

Está em causa acabar com o internamento compulsivo de milhares de portugueses, fechados contra a sua vontade em lares para idosos ou outras instituições residenciais.

Sejamos sérios: Estas instituições recebem por pessoa internada 950 euros mensais. Pagos pelo Estado. Recebem ainda até 85% do rendimento da pessoa internada. Todos os estudos existentes demonstram que a Vida Independente sai mais barata ao Estado, gera mais emprego, e aumenta a satisfação e qualidade de vida dos utentes.

A quem interessa manter esta situação? Haja coragem de enfrentar estes interesses.

Somos contribuintes. O Governo pode usar o nosso dinheiro para nos encarcerar, mas não pode usá-lo para nos dar independência e uma vida digna? Que interesses está a proteger?

Sabemos que uma mudança desta envergadura precisa de tempo. Mas essa é mais uma razão para não estarmos parados. Temos que dar passos concretos.

Tenho o direito de exigir:

1. Um projecto-piloto de Vida Independente, à escala nacional, que abranja pelo menos 100 pessoas com necessidade de assistência pessoal, a entrar em funcionamento no prazo máximo de 6 meses.
2. Constituição no prazo de um mês de um grupo de trabalho que integre o MDI e outros representantes da Comunidade de pessoas com deficiência para definir os detalhes necessários à concretização deste projecto-piloto.
Isto parece-lhe pedir muito? Acha difícil? Acha demais? A mim não me parece. Especialmente considerando que acabei de fazer 180 km numa cadeira de rodas, pondo em risco a minha vida para lhe entregar esta carta.

Caso isto não seja cumprido, farei mais. E sei que seremos muitos mais a fazer muito mais.

Atentamente

Eduardo Jorge

Fonte: Facebook https://www.facebook.com/home.php
« Última modificação: 26/09/2014, 16:21 por Sininho »
 

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180 km em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Independente


Eduardo Jorge percorreu, em dois dias e meio, a distância entre Concavada (Abrantes) e Lisboa para exigir o cumprimento de promessas feitas pelo Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho. Ao fim de um ano nada foi feito, denunciou, ao entregar uma carta aberta no Ministério da Praça de Londres.


25 de Setembro, 2014 - 17:55h
O grupo que recebeu Eduardo Jorge e o acompanhou à Praça de Londres. Foto de Catarina Oliveira.


Às 12h30, pontualmente, Eduardo Jorge, 52 anos, tetraplégico, chegou à Praça de Alvalade, em Lisboa, depois de ter percorrido em dois dias e meio cerca de 180 km, desde a Concavada (Abrantes) a Lisboa para reclamar o seu direito a uma vida independente.

Esperavam-no outros cidadãos em cadeiras de rodas, do movimento dos (d)Eficientes Indignados e cidadãos que se deslocaram para apoiar a sua luta, entre eles a deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda.

“Sinto-me cansado”, disse o ex-gerente comercial, “mas tenho a alma a doer por ter de vir mendigar direitos básicos, como é o direito a ter um cuidador, em vez de me obrigarem a sair da casa para ir para um lar”. Numa curta intervenção aos jornalistas que também o aguardavam, Eduardo Jorge sublinhou: “São direitos que nós temos. Ninguém tem de me tirar do meu ambiente para eu ir para onde não quero ir”.

Promessas não cumpridas do secretário Agostinho Branquinho

O objetivo da viagem, explicou Eduardo Jorge, foi também denunciar que o Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho, comprometeu-se no ano passado com uma série de reivindicações, “teve um ano inteiro para cumprir e não fez nada, não há um único passo concreto que tenha sido dado”.

    O Secretário de Estado Agostinho Branquinho comprometeu-se no ano passado com uma série de reivindicações, “teve um ano inteiro para cumprir e não fez nada”.

Eduardo Jorge fez questão de sublinhar que “nós damos o benefício da dúvida, nós acreditamos nos homens, ainda, mas os homens não fizeram nada. E ele politicamente podia ter feito muito. Não fez, a intenção é vir avivar-lhe a memória e tentar saber por que ele não fez”.

O grupo formou então uma pequena manifestação que seguiu até à Praça de Londres, onde foi Jorge Falcato, do movimento (d)Eficientes Indignados, que leu a carta aberta dirigida ao secretário Agostinho Branquinho, porque Eduardo Jorge já estava exausto.

Na carta, Eduardo Jorge recorda a promessa de que iria ser iniciado um processo legislativo que garantisse uma Vida Independente às pessoas com deficiência que necessitam de apoio para cumprir as tarefas do dia a dia. Entre outras, as reivindicações são o pagamento direto às pessoas com deficiência da quantia necessária à contratação dos assistentes pessoais e a liberdade na escolha da pessoa que presta assistência.

“Defendemos uma política em que a pessoa com deficiência seja dona da sua própria vida, com a possibilidade de decidir onde, como e com quem viver. Uma política que inverta a tendência institucionalizadora seguida até os dias de hoje pelos sucessivos governos.”

Mas as promessas iniciais foram sendo alteradas e a Secretaria de Estado “revelou a sua incapacidade para colaborar com as organizações de pessoas com deficiência, impondo a sua vontade, não aceitando nem propostas nem críticas às suas decisões”.


“A quem interessa manter esta situação?”
A deputada Helena Pinto foi levar a solidariedade a Eduardo Jorge. Foto de Catarina Oliveira.


Na carta aberta, Eduardo Jorge volta a questionar por que as instituições, como os lares, recebem por pessoa internada 950 euros mensais, pagos pelo Estado, e recebem ainda até 85% dos rendimentos da pessoa internada. Mas todos os estudos existentes mostram que a Vida Independente sai mais barata ao Estado, gera mais emprego, e aumenta a satisfação e a qualidade de vida dos utentes.

“A quem interessa manter esta situação? Haja coragem de enfrentar estes interesses”, diz Eduardo Jorge na carta aberta.

O documento conclui com duas exigências:

“1 – Um projeto-piloto de Vida Independente, à escala nacional, que abranja pelo menos 100 pessoas com necessidade de assistência pessoal, a entrar em funcionamento no prazo máximo de seis meses.”

“2 – Constituição no prazo de um mês de um grupo de trabalho que integre o MDI e outros representantes da Comunidade de pessoas com deficiência para definir os detalhes necessários à concretização deste projeto-piloto.”



Fonte: ESQUERDA.NET
 

 



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