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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Preconceito e Descriminação, Exclusão Social => Tópico iniciado por: Eduardo Jorge em 23/10/2010, 15:02

Título: Deficiente motora deseja casa camarária em Matosinhos
Enviado por: Eduardo Jorge em 23/10/2010, 15:02
                                                       (http://www.imprensaregional.com.pt/jornal_de_matosinhos/~media/downloads/862.jpg)
Temporariamente Liliana de Fátima da Silva Oliveira está a viver na casa da irmã, Marlene Almeida, no Bairro da Biquinha. Há dias a irmã encontrou-a a dormir na rua, apesar de Liliana ser inválida e ter de recorrer a uma cadeira de rodas para se movimentar. Os seus dois filhos menores estão a viver à guarda do Estado, devido à falta de meios para os sustentar. O que mais deseja é ter uma casa onde possa viver dignamente.

O apartamento de Marlene Almeida é um T1, onde vive com o seu companheiro e dois filhos. A exiguidade do espaço não a impediu de ser solidária para com a irmã. Liliana Silva Oliveira reconheceu que anteriormente dormia onde calhava, “na casa de vizinhos ou mesmo na rua. Ela é sempre quem me ajuda. Os meus filhos estão em instituições, um na Obra do Padre Grilo e outro na Nossa Senhora da Conceição, pois foram-me retirados há oito meses por eu não ter casa certa para viver com eles. A Comissão de Menores garantiu-me que passo a viver com eles quando tiver uma casa própria”.

Desde há muito tempo que Liliana não vive com o companheiro, alcoólico, optando por viver noutro lugar, mas ainda não conseguiu realizar o seu desejo. Inscreveu-se “há muitos anos” na Matosinhos Habit, “mas até agora não obtive nada. Nunca mais soube como está o meu processo”. Desloca-se em cadeira de rodas devido a um acidente de trabalho, ocorrido há 14 anos, recebendo uma reforma de invalidez.
A exiguidade da casa de Marlene Almeida não é porém solução, uma vez que, apesar de ser considerada uma cave, para aceder à porta de entrada é preciso subir umas escadas. No interior existe apenas um quarto, uma sala, casa de banho e cozinha. Na sala foi colocada uma cama, onde a hóspede dorme nos dias de semana. Aos fins-de-semana tem de passar para o chão, porque os seus filhos ocupam a sua cama. A outra divisão é o quarto do casal e dos respectivos filhos, um dos quais só vem ao fim-de-semana pois está igualmente numa instituição, a ABC. O outro também esteva internado mas fugiu e vive actualmente com os pais.

Marlene Almeida reconheceu que acolheu a irmã porque não podia continuar a aceitar o seu destino: “Ela não tem casa certa, às vezes chegava a dormir debaixo de escadas ou no chão. Não me sentia bem sabendo que ela andava sem lugar para viver”.

Liliana da Silva Oliveira tentou marcar uma entrevista com o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, tendo telefonado para os Paços do Concelho, “mas até agora ainda ninguém me chamou”. Fez o telefonema pouco depois das últimas eleições autárquicas. O que mais deseja é que a autarquia lhe atribua “um sítio onde possa viver com os meus filhos. Sei que aqui no bairro existem casas vazias. Por exemplo a que está aqui ao lado, não tem ninguém a viver. A Câmara e a Matosinhos Habit deviam dar habitações aos mais necessitados”.

Matosinhos Habit afirma que desde 2008 a cidadã nunca mais voltou a solicitar casa

Contactada Olga Maia, a administradora da empresa municipal Matosinhos Habit esclareceu que Liliana de Fátima Oliveira “abriu um processo de procura de habitação em 10 de Novembro de 2005”, enquanto vivia “na Rua do Sardoal, 147, casa 2, em Leça da Palmeira, numa ilha constituída por várias casas em razoável estado de conservação”. Segundo Olga Maia, “a munícipe era proveniente do Conjunto Habitacional da Biquinha, residindo aí há 8 meses na casa da Rua do Sardoal, pagando 200 euros de renda mensal. À data já apresentava cinco meses de dívida de renda”.
A casa em questão era constituída “por dois quartos, sala, cozinha e quarto de banho interior. O problema apresentado pela cidadã à Matosinhos Habit é que não se conseguia mover dentro da casa já que é dependente da cadeira de rodas”.
Liliana de Fátima Silva Oliveira, “em 24 de Maio de 2006, voltou aos serviços informando que tinha voltado para a casa da sua irmã na Biquinha com os dois filhos, já que não tinha conseguido fazer face às despesas com a renda”.

Anos mais tarde, “em 3 de Junho de 2008, a munícipe solicitou a autorização para coabitar no fogo do seu pai, Joaquim, na Biquinha, dado não ter alternativa habitacional. O pedido foi aprovado e tanto ela como o arrendatário foram oficiados a 18 desse mês”.
Olga Maia informou que, “desde então, que Liliana de Fátima Silva Oliveira e os seus filhos alternam a sua residência pelas moradas da irmã, pai e companheiro. A alternância é justificada pela munícipe e pelos familiares pelos conflitos cíclicos existentes entre eles. Isto é, quando ocorre um determinado desentendimento com um dos familiares, a D. Liliana muda de fogo sem autorização da Matosinhos Habit. Os conflitos são provocados pelo consumo de álcool de alguns elementos, pelas separações do companheiro, pela ausência de rendimentos elevados face às despesas e, acima de tudo, pelos conflitos pessoais entre os familiares”.

A administradora da empresa municipal referiu, ainda, que “durante este período, os menores dos núcleos familiares foram acompanhados pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Os filhos do senhor Joaquim, pai de Liliana, foram institucionalizados na ABC e na Nossa Senhora da Conceição; os dois filhos de Marlene Almeida foram para a ABC, tendo um deles fugido daí; e, mais recentemente, os filhos de Liliana foram para a Obra do Padre Grilo e Nossa Senhora da Conceição”.

A actual situação da cidadã, era desconhecido para a Matosinhos Habit, uma vez que “o pedido de atribuição de uma habitação após o regresso ao Conjunto Habitacional da Biquinha, em 2008,, nunca mais foi apresentado junto dos nossos serviços”, afirmou Olga Maia, referindo ainda que “a habitação de que é titular o companheiro de Liliana Silva Oliveira é de tipologia T3, adequada ao agregado familiar”.

Fonte: Jornal de Matosinhos