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Autor Tópico: Descriminação na Carris  (Lida 101 vezes)

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Descriminação na Carris
« em: 02/01/2020, 20:43 »
Alguns de vocês já sabem o que me aconteceu na noite de passagem de ano, mas passo a explicar, com pormenor, a situação.



Saí do Terreiro do Paço e dirigi-me à Praça do Martim Moniz, para a paragem onde passaria o 208, que garante o serviço noturno, de hora em hora. Começou a espera de 50 minutos.

O autocarro chegou às 2h40 e a rampa estava avariada. A temperatura era de cerca de nove graus e a primeira coisa que o motorista disse, pela janela, depois de ter tentado acionar umas seis vezes o dispositivo, foi “vai ter que esperar pelo próximo.” Este é o discurso habitual.

Um pouco antes do autocarro parar, enviei sms para saber dali a quanto tempo seria o próximo e tinha a informação de que seriam 112 minutos.

Eu não estava sozinho e a Carmen já estava à frente do autocarro, informando os passageiros de que se não fôssemos todos, não iria ninguém. Neste momento, o motorista foi tentar abrir a rampa em modo manual, mas não conseguiu. Perguntei-lhe qual a alternativa que a Carris me daria e ele insistiu que eu teria que “esperar pelo próximo”.

Os passageiros foram informados, por nós, do motivo do bloqueio, da descriminação que a Carris promove diariamente, do descaso com que são tratadas as pessoas com mobilidade reduzida. Um dos passageiros que mais apoiou a nossa decisão, chamou a PSP.

O motorista, sem alternativa, entra em contato com a central. Do outro lado oiço alguém (dizem eles que “é um chefe”): “_Então, se não funciona, o passageiro tem de esperar pelo próximo autocarro”. Com esta tranquilidade.

Carris – Espere pelo próximo! Esta deveria ser a frase assinatura da empresa.

Perguntei qual a garantia que me davam de que o próximo autocarro teria a rampa a funcionar. A resposta foi: “Esteja descansado que a central vai entrar em contacto com o colega e ele vai ver se a rampa funciona”. Conhecendo a Carris, e não de hoje, isto não é garantia nenhuma, mas sim um “fique a aguardar e depois logo se vê”. Been there! Seen that!

Não confio na Carris, muito menos numa madrugada com temperaturas abaixo dos 10 graus.

Entretanto, com autocarro impedido de avançar, tenho todo o tempo para descrever a situação aos agentes da PSP. Reforço que a situação é constante e, naquele contexto, tudo se torna ainda mais grave. Expliquei que tenho o mesmo direito que todos os passageiros a viajar naquele autocarro, que tenho passe, que a Carris incumpre a Lei 46/2006, que proíbe e pune a discriminação em razão da deficiência e da existência de risco agravado de saúde, e que a alternativa que a Carris me estava a dar era um autocarro mais de 1h30 depois, sem garantias de ter uma rampa funcional.

Os agentes identificaram-nos e depois foram conversar com o motorista para perceber como a Carris pretendia resolver a minha situação. O motorista, sem meios de se justificar pela empresa, passou-lhes mesmo o telemóvel para falarem diretamente com o “chefe” que exigia que a PSP identificasse as pessoas que não deixavam o autocarro seguir a viagem. Ficamos assim a saber que a Carris pensa que dá ordens à PSP.

O motorista continuava a tentar seguir viagem, mas connosco e alguns passageiros em frente ao autocarro, era impossível.

Pelo mesmo motorista chega então a informação de que a Carris já teria um autocarro a caminho, reservado, apenas para me deixar em casa. Ou seja, não efetuaria quaisquer paragens para tomada ou largada de passageiros. Seria uma forma de me “compensar pela situação”, disseram.

Logo que o autocarro “reservado” chegou, o motorista do primeiro queria ir embora, os agentes tentaram dissuadir-nos, mas, mais uma vez, por falta de confiança na Carris, foi impedido de ir até que a rampa fosse testada. A rampa estava… avariada, caros amigos.

O segundo motorista, visivelmente incomodado, garantiu que testara a rampa à frente do chefe e “estava boa.”

O primeiro motorista continuava a ligação com o “chefe” da Carris. Apercebo-me que todos os passageiros estavam a sair do primeiro autocarro, por ordem da empresa, e que o tal autocarro “reservado”, iria continuar a carreira do primeiro.

Parece-me claro que o “chefe” queria tentar libertar um autocarro, mas não aconteceu. E doravante não mais acontecerá. Ficaremos todos retidos: nós, os passageiros, os motoristas e os carros que forem enviados. Interpreto, este momento, a esta distância, como prova do foco errado da Carris, em relação ao que ali estava a ocorrer.

O motorista do segundo autocarro, sentindo-se inseguro, porque, por esta altura, os primeiros ânimos começavam a exaltar-se entre alguns passageiros, pergunta aos agentes da PSP o que deveria fazer e se seria seguro fazer aquela viagem.

Entretanto, a rampa deste último conseguiu ser aberta manualmente e entrei.

Os polícias, mais uma vez, pelo telefone, questionam o chefe da Carris acerca da situação. O “chefe” foi perentório – o primeiro autocarro seguiria fora de serviço e o segundo seguiria com toooodos os passageiros que se juntaram ali ao longo de mais de uma hora. E não éramos poucos. A resposta do senhor agente àquela decisão da Carris foi “vocês é que sabem a imagem que querem dar da empresa”.

Aqui parece tudo resolvido, mas acreditem que vem a pior parte. Já comigo dentro do autocarro, entram os restantes passageiros e nem todos estavam “do meu lado”. Tive que ouvir “só tinha era que esperar por um que viesse a funcionar”, “eu também tenho problemas e sofro com frio”, etc.

O meu relato já vai longo e faltam imensos detalhes, mas não queria terminar sem algumas observações.

Isto é obviamente uma prática discriminatória da Carris mas não se circunscreve a esta empresa. STCP, Rodoviária, Vimeca, Metro de Lisboa, etc., contribuem diariamente para uma situação insustentável. Uma situação que não deixa prever nada de bom, porque não há legislação compulsória e punitiva.

Não somos cidadãos de segunda. Não deixarei que me tratem como se fosse.

Não sou o primeiro a fazer este tipo de ação, mas não podemos deixar que situações como esta se repitam, a cada hora, sem fazermos nada.

Agradeço ao grupo de passageiros que se juntou a mim. Agradeço aos agentes da PSP que, desde o início, disserem que não nos iam deter pela validade da nossa posição ali.



Tirado do facebook de Sérgio Alexandre Lopes
 

 



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