Um estudo sobre o impacto da Sida, realizado com cerca de 300 mulheres das Províncias de Maputo, Manica e Sofala, mostra que os problemas na visão as deixam mais vulneráveis ao HIV (48%), seguida pela deficiência física (19%), auditiva (15%) e mental (11%).
“O HIV/Sida e a deficiência assumem, em Moçambique, dimensões cada vez mais preocupantes”, alerta o estudo.
A pesquisa constata também que os abusos sexuais (56%) são os mais frequentes contra as mulheres, seguida da discriminação (28%) e a violência psicológica (16%).
A mesma refere que o fraco acesso aos serviços de educação sexual e reprodutiva; a falta de informação adequada; a baixa disponibilidade do preservativo feminino; e o fraco conhecimento sobre sexualidade e vida afectiva dos deficientes são alguns dos factores de risco da infecção do HIV nessa população.
O estudo destaca ainda que grande parte da população portadora de deficiência é feminina e pobre.
Para uma acção incisiva, a análise propõe a promoção do conhecimento sobre o carácter activo da sexualidade do deficiente, bem como a sua propensão aos riscos de infecção do HIV; e a criação de uma base de dados sobre essa população para compreender a dimensão do problema e planificar as reais necessidades.
Além disso, recomenda a elaboração e implementação de programas de prevenção e mitigação dos efeitos da doença que sejam mais abrangentes, considerando as diferentes formas de deficiência, os contextos sociais, culturais, geográficos e linguísticos.
A pesquisa foi apresentada nesta quinta-feira, em Maputo, durante o lançamento de um projecto de três anos sobre HIV/Sida e deficiência, coordenado pelo Fórum das Associações Moçambicanas dos Deficientes (FAMOD) e Handicap International no âmbito da Campanha Africana sobre Deficiência e HIV/Sida em Moçambique.
Durante esse período, o projecto conseguiu incluir a questão da deficiência no Terceiro Plano Estratégico Nacional de Resposta ao HIV e Sida (PEN III), na Lei de defesa da pessoas com HIV 12/2009, e levou o governo a aprovar a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Rui Maquene, da Handicap International, pede que as outras organizações incluam nos seus planos a questão da deficiência e HIV/Sida. “Batemos muitas palmas com a inclusão da questão da deficiência nos planos estratégicos e na Lei contra Sida. Isso não basta, é preciso acompanhar, fiscalizar e monitorar se o que está escrito está a ser posto em prática”, disse Maquene.
A cerimónia contou ainda com uma exposição e apresentação de um manual de formação de activistas em saúde sexual reprodutiva e prevenção do HIV e deficiência.
Fonte: Criasnoticias