Inclusão para pessoas com deficiência Escrita em Dia

É muito pertinente que a nossa sociedade olhe para uma pessoa portadora de deficiência como uma pessoa normal porque não é por esta pessoa ser menos válida (expressão utilizada em Espanha) que vai deixar de ser tratada como uma pessoa normal. Eu posso dar o meu exemplo que aconteceu na escola EB 2,3 de Lamaçães.
Foi no 9.º ano. Ia haver uma viagem de finalistas a Londres e era o meu último ano naquela escola porque ia para o 10.º ano na Escola Secundária Carlos Amarante, quando eu disse à professora que estava a organizar a viagem que eu também queria ir. A professora disse que era muito complicado, tendo colocado muitos obstáculos. Como eu não me acreditei nem um bocadinho decidi investigar através da internet e descobri que Londres tem mais acessibilidade do que Portugal inteiro. Eu só não fui a esta viagem de finalistas porque não quiseram que eu fosse, sabe-se lá bem porquê.
Perante este exemplo verídico, deixo aqui uma pergunta: é isto a inclusão para as pessoas com deficiência? Estou em crer que não. E porque não? É simples. Uma pessoa com deficiência motora deve fazer as mesmas coisas que os considerados normais... incluindo ir à viagem de finalistas.
Convido a toda a nossa sociedade a ler na íntegra a Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948. Se fosse nos anos 40, 50 poderíamos compreender porque aqueles tempos eram complicados. Isto porque as pessoas que tinham filhos portadores de deficiência não saiam de casa; tinham vergonha. Ainda bem que essa situação mudou. Ainda bem que não somos todos iguais porque senão eu ia ter muita vergonha porque existem pessoas que têm muito que aprender nomeadamente com pessoas com deficiência.
Outro dia irritado com uma situação fui ao facebook publicar um pequeno texto: “a deficiência não pode ser um obstáculo, por isso está na hora do estado português acordar para a realidade e dar todos os direitos às pessoas com deficiência”. E é verdade. Porque não é por uma pessoa ser cega ou andar numa cadeira de rodas que deixa de ser uma pessoa. Limitações toda a gente as tem, uns mais que outros, mas não existe ninguém que não tenha limitações. E porque não se sabe o dia de amanhã. Basta uma pequena queda para ficar igual ou pior e já tem havido casos assim infelizmente.
Por isso peço à sociedade para quando virem na rua, ou <ins><ins></ins></ins>seja lá onde for, uma pessoa com deficiência não a olhem nem a tratem como coitadinho(a) porque ninguém é coitadinho e como se costuma dizer coitadinho é...
No nosso país existe realmente uma lei que protege a pessoa com deficiência, que a considera como um indivíduo com direitos civis, políticos, económicos e sociais mas infelizmente esta mesma lei não é cumprida sabe-se lá bem porquê. Uma coisa é certa, está colocada na gaveta. Um cidadão deve ser digno, honrado e principalmente respeitado por outra pessoa qualquer, ou seja, todos os deficientes, mas mesmo todos, têm o direito a ser respeitados. Porque não é por sermos diferentes que deixamos de ser cidadãos.
Alguns dos objetivos de vários países são: “promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”; “Construir uma sociedade livre, justa e solidária”; “Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. Portugal tem os mesmos.
Será? Um certo dia tive a sensação que a pessoa que me auxiliava tinha uma cara de incomodada por estar a tirar pele que ganho nos lábios devido à necessidade de beber água. Como é obvio não me senti confortável. Por isso, peço à nossa sociedade para que se vir uma pessoa com deficiência a precisar de ajuda, não se deve sentir incomodada nem com receio pois a deficiência não se pega.
Aqui há tempos estava a falar com uma amiga da mesma escola e, de repente, surgiu em conversa o tema sobre o amor entre pessoas normais e pessoas com deficiência e essa minha amiga e eu chegamos à conclusão de que uma pessoa com deficiência pode namorar, casar, e ter filhos… O que interessa não é o aspecto físico mas sim o interior. É o que vale mais porque a deficiência não é um bicho-de-sete-cabeças e espero realmente que a nossa sociedade saiba disto e mude de uma vez por todas o comportamento que tem tido até agora.
Quero destacar as qualidades que a minha ex-professora tem: uma excelente pessoa, sempre disposta a ajudar no que pode, luta pelos direitos dos alunos dela… É verdade que acabou a relação entre aluno e professora mas vai continuar sempre a relação de amizade. Tenho pena que eu só tenha sido aluno dela por 2 anos. Muito obrigado minha querida amiga. Somos todos diferentes mas ao mesmo tempo todos iguais.
Fonte:http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=5204