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Autor Tópico: Idosa vive aterrorizada  (Lida 1375 vezes)

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Offline Eduardo Jorge

Idosa vive aterrorizada
« em: 22/10/2010, 17:28 »
 
                                                       
Uma mulher de 86 anos que reside com os dois filhos – ex-combatentes do Ultramar - vive aterrorizada com as crises do mais velho, que sofre de stress de guerra e por vezes é violento. Sempre que isto acontece Maria da Conceição Fonte tem necessidade de refugiar-se num barracão, fechada a cadeado, em Arneiro de Tremês, concelho de Santarém, onde residem.

“Quando lhe dá aquela fúria desgraçada tremo toda. No outro dia deu-lhe um grande ‘terramoto’. Tinha um tabuleiro com tomates e ele começou a cortar aquilo tão miudinho que até pensei que se calho estar ao pé talvez ele me fizesse aquilo a mim… Mas ele coitadinho nem sabe o que diz e o que faz”, desabafa.

O filho já chegou a ser fechado no mesmo barracão nas alturas em que é mais agressivo. O MIRANTE encontrou-o tapado com um cobertor num barracão escuro, anexo à casa de habitação. A mãe já não tem forças para garantir a devida higiene diária do filho.

José da Fonte Dourado, 62 anos, passou dois anos e meio em Moçambique e chegou a receber tratamento no Hospital Júlio de Matos, que entretanto foi interrompido. O irmão, que também vive na casa, esteve apenas um ano na guerra colonial em Angola.

O filho mais velho de Maria da Conceição Fonte chegou a trabalhar numa cerâmica, mas depois do regresso do Ultramar não voltou a empregar-se. “Foi para a guerra e veio de lá assim. O Zé apanhou lá muitos trambolhões. Ia numa furgonete quando um dia rebentou uma mina. Bateu com a cabeça”, chora a mãe.

A idosa tem uma reforma de cerca de 200 euros. O filho mais velho recebe cerca de 500 euros. É o mais novo que gere o orçamento familiar. O marido morreu há dez anos. Maria Conceição da Fonte completa 87 anos a 22 de Outubro. Vive com o dilema do filho há mais de três décadas. “Queria ir para um lar com ele. Se eu fosse sozinha, preocupada sem saber o que se passa, ainda ficava pior da minha cabeça”.

Maria da Conceição Fonte trabalhou uma vida inteira no campo com o marido, que faleceu há 10 anos. Teve dois filhos que criou sozinha. Orgulha-se de não ter ficado a dever favores a ninguém. “Criei-os com a ajuda de um burrica e ia para o campo cavar. Andaram na escola e aprenderam a ler. Eram santos os meus filhos. Tenho muitas testemunhas disso”. A família reside na Rua Dr. Jacob Pinto Correia, em Arneiro de Tremês, freguesia de Tremês, concelho de Santarém.

O MIRANTE contactou a presidente da Junta de Freguesia de Tremês, Maria Emília Santos, que só depois do contacto do jornal tomou conhecimento da situação, mas manifestou de imediato vontade de ajudar a resolver o caso com a ajuda da Segurança Social. O nosso jornal contactou igualmente o Centro Distrital de Segurança Social de Santarém e a GNR, mas não foi possível obter uma resposta até ao fecho de edição.

A ACUP - Associação Combatentes do Ultramar Português não tem conhecimento do caso em concreto. O mesmo acontece com a Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra. O actual presidente, psicólogo de formação, Augusto Freitas, lembra que este é apenas um dos milhares de casos espalhados por todo o país que precisam de ajuda. Aconselhou a família a recorrer ao médico de família a fim de iniciar um processo de pedido de encaminhamento que é moroso ou a contactar uma associação mais próxima de Lisboa, caso da Apoiar ou da Associação dos Deficientes das Forças Armadas.

Fonte: O Mirante
 

 



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