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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Preconceito e Descriminação, Exclusão Social => Tópico iniciado por: Eduardo Jorge em 23/11/2010, 22:56
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Creio ter sido um escritor brasileiro quem afirmou “se tu agires sempre com dignidade, podes não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos”.
Vem esta frase a propósito da polémica que estalou em Alicante, porque um bar daquela cidade espanhola expulsou treze pessoas com síndroma de Down.
A queixa às autoridades foi apresentada pela Associação Síndroma de Down local, relatando que os jovens de maior idade entraram num bar para tomar uma bebida.
Nesse dia, a Associação organizou uma saída nocturna, como faz periodicamente e, após a ceia, o grupo decidiu entrar num bar, por volta das 23 horas. Ao entrar no bar, o gerente disse ao monitor que acompanhava os jovens: “não é discriminação, mas não podem entrar”.
Para evitar que os jovens “mongolóides” — como são mais conhecidos — ficassem alterados, os monitores decidiram acatar a ordem do gerente e escolher outro local onde foram atendidos e onde conviveram durante duas horas, como estava acordado com os pais.
Em Espanha, o comportamento deste gerente de bar viola um artigo do Código Penal e pune o gesto de discriminação com base na deficiência, raça, credo ou orientação sexual. A pena vai até quatro anos de incapacidade para exercer a profi ssão.
Em Portugal, o art. 240.º do Código Penal pune este comportamento com pena de prisão de seis meses a cinco anos.
Após a denúncia, o gerente admitiu que foi “um mau momento” e pede desculpa mas a verdade é que se ninguém denunciasse, o seu comportamento continuaria como antes.
Acontece que todos podem ter “um mau momento” mas também é certo que tudo se resolve com “um bom momento”. Que bons nós somos quando não nos deixam ser maus, mas não é infelizmente o caso, porque o que se passou em Espanha também se repete em Portugal, onde os seguranças e gerentes avaliam as pessoas pelo aspecto exterior.
Pelas aparências e depois pedem-se que entendamos os seus “maus momentos” que estão permanentemente agendados nos seus cérebros.
Acontece também que estes maus momentos resultam de uma concepção da vida e das relações com os outros que começa com imigrantes negros e ciganos ou judeus e se prolonga nestes pobres seres inocentes que ignoram por que são rejeitados às portas das casas com luzes de néon.
Ainda que disfarcem com o “mau momento”, este comportamento de alguns donos da noite é um “bom” momento nazi. Afinal, quem são os mongolóides? Não são os deficientes. Somos nós, os canalhas.
Fonte: Correio do Minho