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Autor Tópico: [Macau] Condutores descriminam deficientes  (Lida 863 vezes)

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[Macau] Condutores descriminam deficientes
« em: 29/07/2012, 12:59 »
 
Condutores descriminam deficientes



July 29, 2012

O acesso dos portadores de deficiência aos autocarros e táxis de Macau é, em grande parte, dificultado pelos condutores que, ou recusam os passageiros, ou não têm a atitude de apoio necessária. São as conclusões de um estudo do Instituto Politécnico, que afirma que Macau não está a cumprir as recomendações da ONU.

Inês Santinhos Gonçalves

Grande parte dos autocarros do território continuam a não estar adaptados para os portadores de deficiência, nem todos os semáforos têm sinais sonoros ou solos com relevo para os cegos. Mas o maior desafio que as pessoas com dificuldades físicas ou intelectuais enfrentam em Macau, no que toca ao uso dos transportes públicos, é a atitude dos motoristas de autocarros e de táxis.

As conclusões fazem parte de um estudo sobre as dificuldades que portadores de deficiência encontram no acesso aos transportes, elaborado por um grupo de estudantes do curso de Serviço Social, do Instituto Politécnico de Macau.

Foram entrevistadas pessoas com quatro diferentes tipos de deficiência: física, mental, cegos, surdos e ainda idosos com dificuldades de locomoção, que apesar de não serem portadores de deficiência, enfrentam muitas vezes problemas semelhantes.

Os entrevistados admitem que há cada vez mais autocarros adaptados, mas que é comum os condutores dizerem que não sabem activar os mecanismos de acessibilidade e que tal não lhes foi explicado pelas operadoras.

A falta de uma atitude “positiva” e de apoio por parte dos condutores de autocarros é várias vezes mencionada. Mas não só destes profissionais – depois de entrevistarem 41 pessoas, os estudantes concluíram que a atitude geral da população perante portadores de deficiência que querem aceder a transportes públicos não é suficientemente prestável e que é preciso ajudar mais.

O problema agrava-se em relação aos táxis, um transporte que muitos portadores de deficiência poderão preferir, por assumirem que será mais fácil do que um autocarro – não vão cheios, têm sempre lugar sentado, um condutor personalizado e deslocam-se até um local exacto. No entanto, o que acontece com regularidade, contam os entrevistados, é que os taxistas rejeitam este tipo de passageiros, incluindo portadores de deficiência mental acompanhados pelos pais.

Depois de ter sido rejeitado diversas vezes, um passageiro surdo tentou mesmo colocar-se em frente do veículo, que o contornou e seguiu em frente, recusando-se a levá-lo. Por seu lado, os cegos afirmam ter receio de serem enganados quanto ao preço das viagens e pedem a instalação de um aparelho que diga alto o preço indicado do taxímetro. E os portadores de cadeiras de rodas denunciam ser-lhes cobrada uma taxa como aquela que é aplicada a quem transporta bagagens.

Há queixas? Dicky Lai, o professor do Instituto Politécnico que acompanhou este trabalho, diz que é difícil apresentar provas que sustentem as reclamações. “Se o taxista se recusa a levá-los, como reclamar? Às vezes os taxistas vêem um portador de deficiência e afastam-se. Não há provas disso. É difícil apresentar queixa à polícia ou às empresas”, explica.

No caso dos autocarros, além das queixas acerca da atitude dos condutores, que aceleram nas paragens e não activam os mecanismos de apoio, os portadores de deficiência queixam-se também do facto de muitas funções dentro dos autocarros estarem frequentemente avariadas, como os botões de STOP, para indicar que se quer sair, e os avisos sonoros com as paragens e o alerta da abertura das portas.

A maioria dos entrevistados queixou-se ainda da altura do degrau de entrada nos autocarros e do reduzido número de rotas que passem a porta dos hospitais.

Tudo isto faz com que o estudo conclua que Macau não cumpre a Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Um problema social

Dicky Lai, que estima existirem cerca de dez mil portadores de deficiência em Macau, admite que a atitude dos condutores é um problema. “Claro que não podemos dizer que todos os taxistas ou condutores de autocarros são maus e não apoiam as pessoas com deficiências. Mas uma grande parte deles não criam o ambiente necessário par que as pessoas usem os meios de transporte públicos”, aponta.

No entanto, o académico defende que este não é um problema exclusivo de uma classe profissional, mas faz parte “de um contexto maior”. “Na sociedade de Macau, as pessoas não têm uma boa atitude para com os deficientes. A maioria não contribui para a criação de uma sociedade igualitária, onde toda a gente tem as mesmas oportunidades”, acusa.

Para Lai, esta é uma questão que espelha a visão que a população tem do que é viver em sociedade, uma noção ainda pouco aperfeiçoada. “As pessoas pensam que os deficientes são diferentes deles. Que o problema do transporte e do emprego é do indivíduo com deficiência e não da sociedade. É diferente de na Europa. Macau continua a ser muito conservadora neste assunto. O Governo já criou políticas e medidas sociais, mas só quando as pessoas estiverem comprometidas em criar uma sociedade inclusiva é que a situação pode melhorar”, explica.

Formação precisa-se

Para minimizar as dificuldades dos portadores de deficiência na utilização dos transportes públicos, os estudantes do Instituto Politécnico sugerem que seja dada formação aos condutores sobre como ajudar este tipo de passageiros, tendo em conta os diferentes tipos de deficiências.

É também sugerido que se aumente o número de autocarros adaptados e a frequência com que circulam. A criação de um apoio financeiro para o uso de autocarros foi também apresentada.

Quanto aos táxis, os estudantes sugerem a introdução de alguns veículos adaptados, como já existem em Hong Kong.

O PONTO FINAL contactou a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego mas não conseguiu obter uma resposta em tempo útil.


O esperado metro

As expectativas dos entrevistados em relação ao metro ligeiro são elevadas, indicaram ainda os estudantes. Esperam que o sistema de entrada nas carruagens e de compra de bilhetes seja simples, que o chão tenha relevo adaptado para os invisuais, que sejam emitidas mensagens sonoras e que exista um serviço de autocarros shuttle para aceder às estações. Os entrevistados sugerem ainda a criação de um serviço GPS, através e aplicações para o telemóvel, que ajude na orientação.


Fonte: ponto final
« Última modificação: 29/07/2012, 13:02 por migel »
 

 



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