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Autor Tópico: Banco público de sangue do cordão umbilical está numa "situação aflitiva"  (Lida 637 vezes)

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Banco público de sangue do cordão umbilical está numa "situação aflitiva"


Afonso tem dois anos e recebeu as suas próprias células estaminais (Foto: Adriano Miranda)

Muitos futuros pais terão partilhado a mesma dúvida sobre o que fazer com o sangue do cordão umbilical. Guardar estas preciosas células estaminais para uso exclusivo recorrendo a uma empresa privada ou doá-las ao banco público, onde as amostras de todos estão disponíveis para todos? Uma destas opções corre o risco de deixar de existir. O Banco Público de Sangue do Cordão Umbilical (Lusocord) está em apuros e a sua possível inviabilidade reacendeu a discusssão em torno das vantagens e desvantagens da criopreservação das células estaminais.
Afonso tem dois anos e recebeu as suas próprias células estaminais (Foto: Adriano Miranda)
 
A directora do Lusocord, Helena Alves, revela que a situação daquela entidade "é aflitiva". No fim do mês, terminam os contratos das 12 pessoas que asseguram o funcionamento do banco público. E, sem eles e sem a transferência dos dois milhões de euros alegadamente prometidos pelo anterior Governo, o banco - que assegura a criopreservação das células usadas no tratamento de muitas doenças do foro hematológico - não poderá funcionar, alerta Helena Alves. A directora do Lusocord diz não ter dúvidas de que a questão "interessa, pelos mais diversos motivos, a muita gente". E Raul Santos, administrador da primeira empresa privada de criopreservação de células do cordão umbilical, a Crioestaminal, e Sílvia Martins, que dirige a concorrente Bebé Vida, não escondem que estão atentos ao destino do banco público.

Só estas duas empresas - uma com oito e outra com sete anos - já congelaram, segundo dados fornecidos pelos responsáveis, respectivamente, mais de 50 mil e 20 mil amostras de células estaminais. E ambas sentiram uma quebra na procura, nos últimos dois anos.

Raul Santos atribui-a, simplesmente, "à crise". Sílvia Martins faz uma interpretação mais completa dos acontecimentos: "A procura não baixou - cerca de 15 por cento dos pais dos cem mil bebés que nascem por ano continuam a fazer a criopreservação. Verifica-se, sim, que a crise, que coincidiu com o nascimento do banco público, fez com que uma parte significativa das pessoas optasse por essa solução, muito menos vantajosa mas gratuita", diz.

A teoria não é aceite por Helena Alves, que assegura que, "em geral, foram pessoas informadas e com possibilidades financeiras que doaram o sangue do cordão umbilical ao banco público. Por isso, não teme o reacender da discussão: "Justifica-se preservar as células estaminais num banco privado e pagar cerca de 1200 euros para garantir o direito exclusivo à sua utilização?"

Manuel Abecasis, director do Serviço de Transplantação do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, responde que não. "As células estaminais do cordão umbilical continuam a ter aplicação concreta e cientificamente fundamentada apenas no tratamento de doenças do foro hematológico. E, mesmo nestes casos, muitas vezes é desaconselhável utilizar células do próprio doente", realça.

Aos pais, o especialista em hematologia diria que "cada um é livre de gastar o dinheiro como quiser", mas que acredita que "a criança ficaria mais satisfeita se investissem em certificados de aforro". Luís Graça, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, só diverge no destino a dar ao dinheiro: "Por que não oferecer-lhes um passe de Interrail aos 18 anos?", ironizam, para sublinhar a baixa probabilidade de um indivíduo utilizar as suas próprias células criopreservadas - estima-se que, no estado actual da ciência, acontecerá a uma pessoa em cada 20 mil.

Com estes argumentos, Manuel Abecasis e Luís Graça são defensores de bancos públicos, como o Lusocord, em que o processo de recolha, análise e criopreservação é gratuito e as amostras ficam disponíveis para qualquer pessoa de qualquer parte do mundo, o que aumenta as probabilidades de virem a ser utilizadas. Os médicos concordam, também, na crítica às empresas privadas, que acusam de "vender ilusões" e de exercer "pressão emocional" sobre os futuros pais.

Raul Santos, da Crioestaminal, e Sílvia Martins, da Bebé Vida, negam que tal aconteça, ambos sublinham que a informação é "absolutamente rigorosa". Andreia Pascoal, uma advogada de 29 anos, de Penela, confirma: "Fui a uma acção de divulgação da Crioestaminal e até achei o discurso demasiado técnico. E a verdade é que não precisam de se esforçar para jogar com os nossos medos...", comenta.


PUblico
 

 



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