Homossexuais só podem dar sangue se estiverem em abstinência sexual
O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) afirmou esta quarta-feira que é um fator de exclusão para a dádiva de sangue ser homem e ter tido sexo com outros homens. Tribunal de Justiça da União Europeia diz que proibição pode ser "justificada" e deixa a decisão a cargo de cada estado-membro.
Segundo Hélder Trindade, que foi ouvido hoje na Comissão Parlamentar de Saúde, o instituto não faz qualquer discriminação em função da orientação sexual, mas sim em função da prática sexual.
“O contacto sexual de homens com outros homens é definido como fator de risco”, admitiu o presidente do IPST, sem contudo reconhecer tratar-se de preconceito como acusam os partidos da oposição.
O sangue doado é sempre testado antes de ser usado, mas o questionário realizado ao dador é considerado um passo crucial para a segurança da transfusão, na medida em que há uma “janela de tempo”, que é variável, em que o VIH pode não ser detetado na análise ao sangue doado.
No final da comissão parlamentar e em declarações aos jornalistas, Hélder Trindade voltou a explicar que está definido como fator de exclusão para a dádiva de sangue “ser homem que tem sexo com homens”.
Pergunta formulada oralmenteApesar de a pergunta ter saído dos questionários escritos feitos antes das dádivas de sangue, continua a haver indicações para que seja sempre formulada a quem se apresente para doar sangue.
Hélder Trindade entende que não se trata de um preconceito, uma vez que nada é perguntado sobre a orientação sexual, mas antes sobre o comportamento sexual.
“O que o instituto questiona é o comportamento de risco. Tanto faz se é homo ou heterossexual. Não há discriminação por grupos de risco, mas sim por comportamentos de risco”, afirmou, adiantando que o dador não será excluído por se assumir homossexual, mas por praticar sexo com outros homens.
In sapo.pt