Portugal e Brasil pensam juntar-se em negócio internacional de plasma
17/10/2011
Portugal e o Brasil vão cooperar na área do sangue para ajudar os países de língua portuguesa a desenvolver os seus sistemas, com a perspectiva de envolvimento em negócios internacionais de plasma, foi anunciado na sexta-feira, de acordo com a agência Lusa.
O protocolo entre os titulares das entidades responsáveis dos dois países foi assinado sexta-feira em Coimbra, durante a inauguração das novas instalações do Centro de Regional de Sangue de Coimbra.
"O protocolo com o Brasil prevê a possibilidade da criação de indústria em Portugal de fraccionamento de plasma para o mercado" luso-brasileiro e europeu, referiu Álvaro Beleza, presidente do Instituto Português de Sangue.
No Recife, Brasil, está em construção uma fábrica, que entrará em funcionamento em 2014, que poderá receber o plasma português enquanto não for construída uma em Portugal com a parceria do Ministério da saúde brasileiro, explicou.
Segundo Álvaro Beleza "o mercado europeu é muito grande nesta área" e pode haver fábricas no Brasil e uma em Portugal.
"A ideia é irmos juntos ajudar a modernizar os centros de sangue dos países de expressão portuguesa", referiu, sobre outra das vertentes do protocolo celebrado sexta-feira com o Brasil, frisando que "Cabo Verde é o que tem o melhor sistema" actualmente.
A intenção é "juntar o saber e o dinheiro", aproveitar a "enorme capacidade económico-financeira do Brasil" e o conhecimento de que dispõe Portugal, explicou.
No âmbito do protocolo com o Brasil, a revista editada pelo Instituto Português de Sangue, a "AB0", transformar-se-á, a partir do próximo ano, numa publicação luso-brasileira, assumindo-se como a primeira publicação científica de cooperação no espaço de língua portuguesa.
Haverá também uma tradução em inglês da "AB0", para "penetrar nos [mercados dos] EUA e Europa", e que "tem condições de ser uma das melhores revistas mundiais da área da medicina transfusional", sublinhou Álvaro Beleza.
"Portugal foi dos primeiros países a ter a especialidade da medicina transfusional e nesta área não deve nada a ninguém. Temos um óptimo sistema e podemos dar cartas a nível internacional", acentuou.
O responsável pela Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde do Brasil destacou o facto de este ser o primeiro protocolo entre os dois países nesta área
Guilherme Genovez destacou o facto de Portugal e o Brasil poderem cooperar na produção de medicamentos a partir do plasma, que disse ser um componente do sangue mais valioso do que o ouro no mercado.
Na sua perspectiva, os 300 mil litros de plasma português, que poderiam ser processados na fábrica do Recice, "dariam auto-suficiência a Portugal em relação a esses medicamentos, e uma economia muito grande".
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde de Portugal, Fernando Leal da Costa, que assistiu à celebração do protocolo, disse que ele se insere na estratégia do Governo de aumentar a cooperação com todos os países que falam português.
Fonte:
http://www.rcmpharma.com