Primeiros socorros: condutores portugueses são os que têm menos formação
Inquérito «Conhecimentos de primeiros socorros dos automobilistas» foi realizado em 14 países europeus
Um inquérito realizado em 14 países europeus e divulgado esta quarta-feira concluiu que Portugal lidera a falta de formação dos condutores em primeiros socorros.
O inquérito «Conhecimentos de primeiros socorros dos automobilistas», realizado em Portugal através do Automóvel Clube de Portugal (ACP) e da Cruz Vermelha Portuguesa, procurou analisar a capacidade de resposta dos condutores em caso de sinistro e de assistência em primeiros socorros.
Os resultados indicam que 74 por cento dos condutores portugueses inquiridos nunca fizeram um curso de primeiros socorros, apesar de 61,5 por cento ter manifestado confiança em prestar socorros.
Quase a totalidade dos automobilistas portugueses conhece o número de emergência (112), mas apenas 26,5 conhece a cadeia portuguesa de socorro.
Em caso de acidente, metade dos condutores (53 por cento) sabe avaliar o estado da vítima, apesar de apenas um quarto conseguir prestar socorro aos feridos e ser capaz de realizar o «Suporto Básico de Vida» (SBV).
Entre os países participantes no inquérito existem alguns onde não existe obrigatoriedade de prestar formação em primeiros socorros aos candidatos a condutores, como a Bélgica, Espanha, França, Finlândia, Itália e Portugal.
Em contrapartida, na Alemanha, Áustria, Croácia, Dinamarca, Eslovénia, República Checa, Sérvia e Suíça já existe um sistema de formação em primeiros socorros, que é lecionado aos futuros condutores.
Para o presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Luís Barbosa, «os acidentes acontecem quando menos esperamos e a aplicação de técnicas de primeiros socorros, nos minutos a seguir, podem fazer a diferença entre a vida e a morte».
Já o presidente do ACP, Carlos Barbosa, considerou que este inquérito revela que «o ensino da condução em Portugal continua a ser mau e cheio de falhas».
De acordo com os promotores do inquérito, o índice de mortes nas estradas, após um acidente, é de cerca de 50 por cento durante a primeira hora, 15 por cento entre a primeira e a quarta hora e 35 por cento além das quatro horas.
TVI