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Autor Tópico: SNS vai colher sangue do cordão umbilical para salvar irmãos  (Lida 1515 vezes)

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SNS vai colher sangue do cordão umbilical para salvar irmãos
Banco público está a ser reativado com nova missão. Tem já 289 amostras criopreservadas.




SNS vai colher sangue do cordão umbilical para salvar irmãos
 FOTO Estela Silva/Lusa


O 'embrião' do banco público para guardar células do cordão umbilical - para doar a crianças com doenças fatais, como leucemias muito graves - está a vingar. Depois de problemas que, no final de 2012, quase pararam a gestação do projeto, o Lusocord está a renascer. Além da utilização universal das amostras, semelhante à que existe para o sangue e para a medula óssea, o banco vai servir doentes específicos.

A pedido de especialistas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), será possível congelar sangue do cordão umbilical de irmãos saudáveis, nascidos para tratar outro filho em risco de vida. "Será um serviço muito bem enquadrado e tendo sempre presente que a amostra, a não ser utilizada, reverterá para o universo público", explica Hélder Trindade, presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, responsável pelo Lusocord. Ou seja, aquele 'cordão umbilical' fica disponível para outro recetor em Portugal e, no futuro próximo, no estrangeiro.

Estas dádivas dirigidas só vão ser permitidas para crianças em tratamento nas unidades do SNS onde já se transplantam estas células (estaminais): os centros do Porto e de Lisboa do Instituto Português de Oncologia (IPO) e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Estes hospitais têm utilizado sangue de cordões umbilicais criopreservados em bancos públicos estrangeiros ou, muito raramente, nos cinco laboratórios privados a operar em Portugal  - pagos pelas famílias a 1500 euros por amostra.

A exceção é o IPO na capital. Há vários anos que ali são colhidas e guardadas amostras para as crianças da casa. "Esta estratégia teve início em 1994 e desde então congelaram-se 100 unidades. O primeiro transplante (entre irmãos), estreia nacional e dos primeiros no mundo, foi precisamente em 1994. No total, foram transplantadas sete crianças e cinco estão vivas e bem", afirma Manuel Abecassis, diretor do departamento de hematologia.

Irmão salvou Inês
Anabela Domingos é a mãe da criança pioneira, então com menos de dois anos e uma leucemia muito grave. "Quando entrei no IPO foi dramático. Os corredores brancos, as pessoas acinzentadas, o cheiro a morte, e aquele sétimo andar das crianças... A Inês, perante a ciência, estava condenada." Resistiu três anos graças à quimioterapia, procurou-se um dador que não apareceu e um dia, "quando estava sozinha com ela no isolamento, entrou um médico e pediu-me ajuda", conta Anabela.

Manuel Abecassis propunha um transplante de sangue do cordão umbilical. Por palavras simples, pedia-lhe que tivesse outro filho, a ela que só tinha um ovário e que tinha demorado a engravidar de Inês. Mas conseguiu. Nasceu um bebé, "enorme", na Maternidade Alfredo da Costa, o sangue do cordão foi preservado e dado à Inês.

"Não pegou logo. Ela ficou mais doente e um dia vim para casa fazer a malinha com a última roupa dela... No outro dia, vejo-a a comer Cérélac." O médico tinha viajado até Paris, regressando com uma solução que permitiu às células do irmão saudável restituir a vida à irmã doente.


Cordão eficaz até 30 kg 
No IPO do Porto também há histórias felizes. "Começámos a fazer estes transplantes em 2006 e temos 70, quatro com células de irmãos, um dos quais com criopreservação privada. Os outros foram feitos com recurso a bancos públicos nos EUA e na Alemanha", adianta Susana Roncon, diretora do serviço de terapia celular.

Na sua opinião, "o ideal é que o banco público tenha também dádivas dirigidas". Manuel Abecassis concorda, salientando a necessidade de "articulação entre o banco, os hospitais onde as crianças são tratadas e as maternidades onde nascem os potenciais dadores". A utilidade da preservação do sangue do cordão familiarmente direcionado vai inclusive ser defendida pelo médico no Congresso Mundial de Sangue, na próxima semana, no Mónaco.

Os especialistas alertam, contudo, que o sangue do cordão não é um seguro de vida, sobretudo porque não é recomendado ao próprio. Muitas das doenças que têm indicação para este transplante são genéticas, logo, iria reintroduzir a doença a eliminar.

"O sangue do cordão umbilical é como um transplante de medula com dador mas tem um número limitado de células, sendo quase impossível utilizar em doentes com mais de 30kg", explica a médica Susana Roncon. Daí serem as crianças os grandes beneficiários. "Tem a vantagem de funcionar melhor, porque as células são mais imaturas, e permitir alguma incompatibilidade, que no transplante de medula tem de ser 100%."

O SNS importou o primeiro 'cordão' em 1995, de Itália, e tem continuado a fazê-lo. Mesmo quando o Lusocord esteve inativo, entre setembro de 2012 e o verão passado, foram pedidos e realizados seis transplantes. Em junho de 2014, a Direção-Geral da Saúde autorizou a reativação e já foram colhidas, em Portugal, 1124 amostras, 289 com qualidade para criopreservar. "Até ao final do ano gostava de ter 500 para pedir a certificação internacional", deseja Hélder Trindade.

Ao banco público não dá sangue do cordão quem quer, mas quem pode. Os bebés dadores são escolhidos para garantir a diversidade genética necessária para responder à população portuguesa. "Não interessa guardar mais do mesmo", justifica Hélder Trindade.

Além das colheitas no São João, Pedro Hispano e na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, o banco vai operar no Amadora-Sintra, onde a variedade étnica é grande. "Só falta colocar lá os nossos enfermeiros, que ainda estão a tentar recuperar a quebra na dádiva de sangue devido à gripe e ao Carnaval."

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/sns-vai-colher-sangue-do-cordao-umbilical-para-salvar-irmaos=f912867#ixzz3TEFnIT3v


In Expresso
 

 



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