PROAMDE – Programa de Atividades Motoras para Deficientes
O Programa de Atividades Motoras para Deficientes PROAMDE é um projeto de extensão desenvolvido pela Faculdade de Educação Física da Universidade Federal do Amazonas. Tem como finalidade proporcionar as pessoas com deficiência o desenvolvimento das suas potencialidades motoras através da prática de atividades físicas e esportes. Este programa tem como objetivo também, a capacitação de acadêmicos de Educação Física e áreas afins para atuarem com esta clientela bem como a produção de conhecimento científico através de pesquisas desenvolvidas no programa.
METODOLOGIA
O PROAMDE é dividido em dois núcleos:
1. Núcleo – Mini Campus Faculdade de Educação Física
As atividades do Programa são executadas duas vezes por semana com quatro horas de duração. Sendo as duas primeiras horas de atividades de educação física na quadra ou ginásio e as duas últimas com atividades na piscina.
No inicio e final de cada semestre é feita uma avaliação com os alunos para verificar seus desempenhos motor, afetivo e cognitivo antes e após a aplicação do programa, este núcleo tem a seguinte configuração:
A) Atividades de Educação Física, duas vezes semanais divididos em 05 grupos; a) Deficientes físicos (cadeirantes); b) crianças com deficiência mental; c) adolescentes com deficiência mental; d) Adultos com Hemiplegia; e) Crianças com síndromes neurológicas (Paralisia Cerebral, distrofia muscular)
B) Atividades Esportivas basquetebol sobre rodas; atletismo, natação, bocha, arco e flecha e dança.
2. HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas)
O PROAMDE no Hospital atua em conjunto com o Programa de Preparação para Alta (PAPS) do Hospital. As atividades são desenvolvidas de acordo com uma agenda desenhada pela equipe a partir da avaliação individual realizada logo após a chegada do lesado ao hospital. A equipe é composta pelas seguintes especialidades (Neurologia, Educação Física, Serviço Social, Enfermagem, Psicologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia) constituindo um atendimento interdisciplinar. O tempo de permanência de cada pessoa no Hospital varia de dois a cinco meses.
São realizadas atividades comuns a todos, com o objetivo de manter a auto-estima, ajudar na manutenção e adaptação de funções físicas, motoras e fisiológicas e preparar para alta. Este núcleo é dividido em duas etapas:
A) 1a Etapa – Atividades de Reabilitação no Leito – Ao entrar no hospital e ser diagnosticado como sequelado de traumatismo raquimedular, bem como autorizado pelo médico neurologista, o paciente é encaminhado pelo Serviço Social ao PROAMDE (Educação Física, Enfermagem, Psicologia, Terapia Ocupacional) que elaboram as atividades a serem desenvolvidas no leito.
O atendimento é feito durante todo o período de internação e tem como objetivo é desenvolver o potencial motor remanescente desses pacientes, bem como oportunizar uma conscientização pelos pacientes da sua nova condição e principalmente das suas possibilidades.
B) 2a Etapa – Atendimento Pós-Alta – pessoas com seqüelas de lesão medular que foram atendidos na primeira etapa retornam ao Hospital para um processo de reabilitação motora, psicológica e social, através de um atendimento multidisciplinar. Esta etapa objetiva o aprendizado de habilidades relacionadas à sua nova condição, tais como: manejo de cadeira, transferências, atividades de vida diária, utilização de sonda, aconselhamento de pares, noções sobre seus direitos.
Atualmente estamos na terceira turma de atendimento, pois cada turma tem em média dois meses de atividades no hospital em duas sessões semanais com três horas de duração.
RESULTADOS
No núcleo Mini-Campus atualmente atendemos 90 pessoas que apresentaram melhora significativa no seu potencial motor, na aquisição de conceitos educacionais, na sua auto-estima, e na apresentação de um grau de independência de sua família, obtendo espaço inclusive no mercado de trabalho.
A participação da família tem sido estimulada através da sua participação nas atividades o que tem demonstrado uma melhora significativa na participação dos alunos nas atividades bem como a melhora na relação com os demais participantes do programa.
A partir da aquisição de habilidades motoras que anteriormente não eram conhecidas temos observado o aumento de participantes que passam a obter espaço no mercado de trabalho, observamos também uma melhora na sua auto-estima em relação a sua produtividade.
Tendo como referência os depoimentos de alguns participantes e de seus familiares temos percebido uma melhoria da qualidade de vida dos participantes do programa. Por exemplo, um participante usuário de cadeiras de rodas após participar da 2a etapa do HUGV passou a andar de ônibus, auxiliar em casa, e adquiriu certa independência de seus familiares.
O PROAMDE nestes quatro anos participou de várias competições regionais e nacionais obtendo bons resultados e principalmente trazidos aos participantes uma motivação para a continuação da prática de atividades física.
CONCLUSÃO
A atividade física aplicada de forma adequada como fator de preservação da saúde e de prevenções de doenças passou a ser um conhecimento do censo comum, de tão comprovado que já foi. Arriscamos afirmar que o condicionamento físico de pessoas com deficiência, bem como a aquisição de habilidades motoras por estas pessoas é imprescindível a sua vida em função de poder lhes proporcionar independência e de certa forma autonomia.
A literatura tem nos mostrado que para uma pessoa com lesão medular a atividade física pode favorecer ao retardamento de determinados processo patológico em andamento. Ë provável que ao realizar atividades físicas de forma regular consegue manter equilíbrio psicossocial mais estável frente às adversidades externas (MELLO, 2000).
A educação física utiliza na maioria suas atividades o aspecto lúdico e isto pode proporcionar a estimulação das forças, e favorece ao aspecto emocional através das atividades que lhes dar prazer e favorece ao resgate da sua identidade e a possibilidade de um convício social favorável. (SOUZA, 1994)
Nestes quatro anos de atividades do PROAMDE temos percebido que as pessoas que tem participado com certa freqüência apresentam melhoras significativas nas suas vidas. O olhar para o que a pessoa pode fazer e não naquilo que ela não pode realizar, tem norteado nossas ações e com isso favorecido ao aluno priorizar o seu potencial e consequentemente proporciona a ele um conhecimento, muitas vezes, de possibilidades que ele mesmo não imaginava que possuía, e que a partir dessa experimentação passa a buscar novas possibilidades e isto de certa forma tem influenciado sua qualidade de vida e sua relação consigo mesmo e com as pessoas próximas.
Fonte: Hospital Universitário Getúlio Vargas © 2008