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Autor Tópico: Cuidar dos Cuidadores  (Lida 2637 vezes)

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Offline Eduardo Jorge

Cuidar dos Cuidadores
« em: 03/06/2010, 16:10 »
 
Pessoas que cuidam de quem sofre - como profissionais de saúde e familiares de doentes crónicos, idosos ou crianças com deficiência - devem ter tempo para si. "Não é egoísta" e o apoio prestado vai ter benefícios, defende o fundador do projecto "Cuidar dos Cuidadores".

O psiquiatra Luiz Carlos Osório lançou as bases do projecto em 1990, no Brasil, junto de profissionais de saúde que trabalhavam com doentes terminais, "para ajudar quem cuida a diminuir a sobrecarga emocional desse cuidado".

Fundador da Associação Humanidades, com sede em Lisboa, trouxe a iniciativa para Portugal em Fevereiro de 2008, da qual será feito um primeiro balanço num workshop a realizar no fim deste mês.

Numa curta passagem de dois dias pela capital, o psiquiatra brasileiro explicou ao JN que os "cuidadores" não são só os profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) mas também familiares de doentes crónicos, idosos ou crianças com deficiência. "Às vezes é o único a cuidar. Por exemplo, se o cônjuge tem Alzheimer. É-se enfermeira 24 horas por dia, todos os dias", salienta. "É um cuidado continuado. A pessoa acaba por não viver e pode adoecer", alerta.

Aqui, o apoio da rede social pode dar uma ajuda. Mas segundo a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, apenas existem 17 equipas especializadas a nível nacional, quando se estima em cerca de 200 mil as pessoas a necessitar de assistência.

No caso dos cuidadores profissionais, "a sobrecarga manifesta-se nas relações entre colegas" e depois na qualidade do cuidado prestado pela equipa. E o primeiro sinal pode ser "apenas mal-estar” devido ao desgaste emocional de trabalhar com "doentes que exigem cuidados especiais".

Por isso é tão importante "ter tempo para si". E essa pausa "não é egoísta, vai acabar por ter benefícios para quem recebe os cuidados", defende Luiz Carlos Osório. "É preciso cuidar de si para poder cuidar bem", frisa o psiquiatra, que já está a alargar os "alvos" do projecto e a trabalhar com professores no Brasil.

Fonte: JN
 

Offline Sãozita53

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Re:Cuidar dos Cuidadores
« Responder #1 em: 10/07/2010, 21:45 »
 
É verdade,somos quem está com eles 24 horas,quem sem esperar entrou pela porta esta maleita,não sabemso como lidar com a situação,ficamos perdidos,só ouvimos más noticias,só ouvimos não pode entrar,não pode ver,mas não temos ninguém nos hospitais na hora tão dolorosa que nos dê um pouco de conforto,um técnico especializado que nos escute,que nos siga,que nos ajude a entender o pk!
Temos de ser nós a conseguir ultrapassar tudo a contornar e até a fazer o serviço dos Especialistas,que só sabem encostar os nossos entes queridos a um canto com a sentença vitalicia,(Não á nada a fazer,fica vegetativo para sempre),mas á muito a fazer e eu demonstro,a evolução do meu filho é prova disso,pena que tenhamos de ter recorrido á medicina alternativa e aos especialistas em Cuba,para que a evolução dele fosse evidente,apesar das muitas lesões internas que os nossos técnicos de saúde originaram pela falta de lhe dar socorro e terem feito o que devia ser feito ao invés de o deixarem quase morrer para retirar-lhe os orgãos.
Mas fora isso eu á 9 anos que a minha vida é em torno do meu filho.24 horas diárias,durante 365 dias,porque ninguém tem capacidade para o tratar sem o fazer crer que é um estorvo,só eu sou capaz disso,só eu lhe dou o que ele precisa e também eu tenho conseguido viver sem o apoio da medicina,se tenho lesões! Não sei,se fraquejo! Fraquejo,pk não é fácil,mas logo me levanto,por vezes apetece-me acabar com tudo,mas não tenho esse direito e se meu filho sobreviveu, foi por algum motivo que só Deus sabe e só ele acabar com a nossa situação quando o entender.
Tenho pena que muitos não o consigam e deixem seus entes queridos arrumados ao canto a que os remetem os medicos.
Mas que nessas primeiras horas pelo menos precisamos de apoio precisamos sim e muito.

www.youtube.com/saozita53


Sãozita mãe do David
 

Online migel

Re:Cuidar dos Cuidadores
« Responder #2 em: 11/07/2010, 10:51 »
 
Enfermeiros todo-o-terreno



Visitam os doentes em casa e tratam todo o tipo de problemas dos utentes e dos cuidadores.Para os que estão mais isolados, são muito mais do que prestadores de cuidados de saúde

Apenas 6800 dos 40 mil enfermeiros portugueses trabalham em centros de saúde. É lá que fazem um dos serviços menos visíveis e mais próximos dos doentes. Histórias de enfermeiros ao domicílio que são psicólogos, assistentes sociais, podólogos, amigos e muito mais.

"Somos um pouco de tudo. Até já servi de electricista para ajudar a ligar uns cabos. A parte de enfermagem é muito importante, sem dúvida, mas a componente humana é que faz a diferença", considera Paulo Cunha, 33 anos, 12 de enfermagem, os últimos quatro nos cuidados de saúde primários. Actualmente colocado na Unidade de Saúde Familiar (USF) de Villa Longa, Vialonga (Vila Franca de Xira), onde está a ser criada uma Unidade de Cuidados à Comunidade, está afecto à visitação domiciliária.

 
Num dia normal de trabalho, faz entre 22 e 28 visitas a doentes com os mais diversos problemas. "Cerca de 90% dos nossos utentes têm mais de 65 anos e as complicações associadas à idade: úlceras varicosas, ou seja, feridas devido a má circulação, e pés diabéticos, mas também existem muitos acamados e dependentes."

O grande número de casos que tem para atender é a maior dificuldade com que este enfermeiro se depara: "Gosto de dar toda a minha disponibilidade às pessoas, conversar com elas, saber como vai a vida, porque tudo influencia o estado de saúde, e com este volume de trabalho, é difícil".

De Vila Franca de Xira para Chaves, muda o cenário, rareia a população, multiplicam-se as distâncias. No Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Alto Tâmega e Barroso - que abrange sete centros de saúde de seis concelhos -, os 110 mil utentes dispersam-se por quase 3.000 quilómetros quadrados.

Assistência 365 dias por ano

Não são poucas as vezes que o Enfermeiro João Barbadães Pereira e os seus colegas da Equipa de Cuidados Continuados Integrados do Centro de Saúde n.º 1 de Chaves fazem quase duas horas de viagem para visitar os doentes que seguem, todos os dias do ano, incluindo fins-de-semana e feriados. "Recentemente, acompanhei uma senhora, durante um ano, duas vezes por dia, duas horas de cada vez. Estabelece-se uma relação de grande proximidade. Quando algum dos nossos utentes parte, é como se fosse um familiar", diz João Pereira.

Se no Interior os idosos estão sós devido às migrações, no Litoral, a solidão tem causas diversas, mas resultados idênticos. "Quando o doente está em casa, recupera muito melhor. Tenho utentes que melhoram quando os filhos estão de férias e passam mais tempo com eles. A minha prioridade é reabilitar o mais possível e treinar os cuidadores para que o doente fique em casa", explica António Fernandes, enfermeiro da USF de Santa Clara, Vila do Conde.

"Psicólogos" da família

"No domicílio, criam-se laços afectivos que não se fazem no hospital. Somos o amigo a quem podem recorrer quando têm problemas, não só de saúde, mas de todo o género. Os idosos estão cada vez mais sozinhos e desprotegidos", conta o Enfermeiro Bruno Azevedo, da USF de S. Simão da Junqueira, em Vila do Conde. "Sabem quando vamos e estão à nossa espera para conversar um bocadinho. Somos um pouco psicólogos, tanto dos doentes como das famílias", acrescenta este profissional, que faz as visitas de táxi porque a USF não tem meios para comprar mais uma viatura.

Um dos pontos mais importantes para João Pereira é apoiar as famílias. "É fundamental que os cuidadores sintam que não estão sozinhos. O meu lema é chegar sempre com um sorriso e, ao despedir-me, ver sempre um sorriso na cara de quem fica."



 
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JN
 

Offline Eduardo Jorge

Re:Cuidar dos Cuidadores
« Responder #3 em: 13/07/2010, 23:00 »
 
Sãozita, bonita e comovente a sua mensagem. Eu conheço bem o amor de Mãe. Não há nenhum igual. Infelizmente a minha já partiu e sua falta foi difícil de ultrapassar.

Estive a ver sua persistência no video com seu filho. Parabéns!

Boa sorte para os dois e fiquem bem.
 

 



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