Muita gente não sabe, mas os animais de estimação também podem sofrer de epilepsia. Embora o quadro assuste os donos, os ataques dificilmente levam a óbito.
A veterinária Lívia Gonçalves explica que as convulsões são causadas por uma descarga elétrica no cérebro do animal. “O ataque faz com que o animal fique sem coordenação, o que o faz perder o equilíbrio, caindo geralmente de lado, ou tendo dificuldade em se levantar, urine ou defeque involuntariamente e babe muito”.
A epilepsia pode ser de origem genética ou adquirida. Segundo a veterinária, a genética aparece até os três anos de idade, mas isso não é regra, como aconteceu com o boxer Killer, que começou a ter convulsões aos dez anos. “Quando ele começou a apresentar os sintomas nós nem sabíamos o que era, levamos o Killer no veterinário e ele passou anos tomando remédio”, explica a dona, Anelise Carlessi.
Anelise afirma que com o tempo as crises se tornaram mais frequentes. A veterinária explica que isso ocorre porque cada ataque gera outro, ainda mais forte. “As lesões cerebrais aumentam cada vez que o cão tem um ataque, por isso eles se tornam mais fortes e prolongados, podendo levar à morte do animal”.
Já a epilepsia adquirida pode ocorrer como sequela de cinomose, traumatismos cranianos, geralmente provocados por pancadas na cabeça ou tombo, ou em quadros de intoxicação grave. “É comum confundir convulsão com envenenamento, pois os sintomas são praticamente os mesmos”, explica a veterinária.
O que fazer
A estudante Marina De Bettio Topanotti presenciou a convulsão de sua cadela de estimação. Segundo ela, a experiência foi assustadora. “Vi minha cachorrinha se debatendo, babando e com os olhos muito abertos. Não sabia o que fazer. Ela nunca havia tido isso. Eu a chamava, mas ela não se mexia, pensei que ela estava morrendo”.
Segundo Lívia, essa reação é comum, pois os donos muitas vezes não sabem o que fazer durante o ataque. Mas a veterinária ensina que a primeira coisa é manter a calma e ficar ao lado do animal, para acalmá-lo também. “Nunca pegue no colo, deixe sempre que a convulsão passe, o que não vai demorar mais do que alguns minutos. Também não jogue água, além de não ajudar em nada vai fazer com o animal fiquei ainda mais agitado”.
Vida comum
Embora os cães epiléticos tenham que tomar medicamentos regularmente, eles podem ter uma vida normal. “Os animais podem manter suas atividades normalmente, só é recomendado mantê-los longe de ruídos muito alto e muita luminosidade, o que com o tempo, pode agravar o caso”.
Lívia também orienta evitar o cruzamento de animais com essa anomalia, para que não haja uma perpetuação da doença.