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Ansiedade animal nas férias: o que se passa realmente com o seu cão ou gato quando a rotina muda
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Tópico: Ansiedade animal nas férias: o que se passa realmente com o seu cão ou gato quando a rotina muda (Lida 70 vezes)
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Nandito
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Ansiedade animal nas férias: o que se passa realmente com o seu cão ou gato quando a rotina muda
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em:
26/05/2026, 12:19 »
Ansiedade animal nas férias: o que se passa realmente com o seu cão ou gato quando a rotina muda
SAPO
J.M.A
26 Maio 2026 09:22
Teresa Rousseau, médica veterinária.
As férias podem ser um período de grande instabilidade emocional para cães e gatos, sobretudo quando implicam mudanças de ambiente, quebra de rotinas ou separação dos tutores. Em entrevista, Teresa Rousseau, médica veterinária e consultora Pet Remedy, explica de que forma os animais reagem ao stresse associado às alterações da rotina e quais os sinais de ansiedade a que os tutores devem estar atentos antes, durante e após as férias.
Para muitas famílias, as férias representam descanso e quebra de rotina. Mas para os animais domésticos, esse mesmo período pode tornar-se fonte de ansiedade e stresse. Porque reagem os animais de forma tão intensa a mudanças que, para nós, parecem temporárias e naturais?
Os animais não têm a mesma perceção da realidade que nós. Não têm a nossa noção do tempo, do que é temporário ou do que nós consideramos natural. Para eles, natural são necessidades ou atividades básicas como comer, ladrar ou brincar. Nunca nos podemos esquecer de que os animais são integrados no nosso mundo, nas nossas regras e aprendem a viver com as nossas rotinas. Quando existe uma alteração a essa rotina, eles não percebem porquê, nem têm noção deque são apenas férias e que a mudança é temporária. A rotina elimina a imprevisibilidade e transmite-lhes segurança e bem-estar emocional. Os animais valorizam padrões de comportamento e a quebra desses padrões gera estados de ansiedade.
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Os animais não têm a mesma perceção da realidade que nós. Não têm a nossa noção do tempo, do que é temporário ou do que nós consideramos natural.
Quais são os fatores que mais frequentemente destabilizam cães e gatos durante o período de férias?
Cães e gatos podem ter comportamentos muito diferentes em relação a estas fases do ano. Durante o período das férias são quebrados imensos padrões e todos eles são fator de stresse, como a mudança de casa/ambiente, mesmo quando os animais acompanham os tutores, a permanência em hotéis para animais, mais e mais longas viagens de carro, quebra dos horários de passeio e alimentação, no fundo as suas rotinas, ou maior interação com outras pessoas e/ou animais. Basta uma alteração destas para que os animais se sintam mais ansiosos, e durante as férias praticamente todas estas situações acontecem em simultâneo.
Estudos recentes apontam para um crescimento significativo dos comportamentos ansiosos nos animais de companhia. Estamos hoje mais atentos à saúde emocional dos animais ou a vida contemporânea tornou-se efetivamente mais desreguladora para eles?
Na verdade, são os dois fatores juntos, aos quais acrescento mais um: o fim da pandemia e do trabalho remoto. Durante alguns anos os animais habituaram-se à presença constante dos tutores, mas eles não sabiam que era uma situação passageira, nem sabiam a causa. Só sabiam que os tutores estavam presentes. Com o regresso dos tutores ao trabalho presencial, os animais veem a sua rotina alterada e não percebem porquê. Além disso, muitos animais juntaram-se às famílias durante esse período também, o que contribuiu para uma lacuna na socialização com outras pessoas e outros animais.
Penso também que, por fazerem parte integrante da nossa família, casa e rotinas, e não apenas serem um animal que vive no nosso jardim, estamos de facto mais atentos às suas necessidades físicas e saúde emocional.
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O importante é que os tutores conheçam o seu animal e consigam identificar alterações de comportamento. Em caso de dúvida, devem sempre consultar o médico veterinário.
Muitos sinais de ansiedade continuam a ser confundidos com “mau comportamento”, desobediência ou teimosia. O que é importante que os tutores aprendam a reconhecer para perceberem que o animal está, na verdade, em sofrimento emocional?
Sim, é verdade que os sinais são muito facilmente confundidos. E até é frequente ouvirmos os tutores a dizer que “antes ele não era assim”. Se isto acontecer, é logo um sinal de alerta. Por isso, é fundamental que os tutores saibam quais são os sinais de ansiedade e stresse, para que os consigam reconhecer.
No caso do cão, se este começar a choramingar ou ladrar em excesso, começar a mordiscar ou destruir objetos, ainda fizer ou voltar a fazer as necessidades dentro de casa, se está mais inquieto ou demonstra falta de interação, maior agressividade ou perda de apetite.
Ou, no caso do gato, se este começar a esconder-se mais do que o habitual, parar de usar a caixa de areia, estiver mais agressivo, demonstrar excesso ou falta de higiene ou perder o apetite, estes são os principais sinais aos quais os tutores devem estar atentos.
Podem existir outros sinais, mas o importante é que os tutores conheçam o seu animal e consigam identificar alterações de comportamento. Em caso de dúvida, devem sempre consultar o médico veterinário.
No caso dos cães, comportamentos como ladrar excessivamente, destruir objetos, fazer necessidades dentro de casa ou mostrar maior agressividade podem ser sinais claros de stresse. Os animais conseguem antecipar emocionalmente mudanças na rotina dos tutores? Ou seja, começam muitas vezes a revelar sinais de ansiedade ainda antes da partida para férias?
É possível, sim, uma vez que os cães são extremamente sensíveis a mudanças no ambiente, nos horários e no comportamento humano. Pequenos sinais como malas a serem preparadas, alterações nos horários, maior agitação em casa ou até o estado emocional dos tutores podem ser interpretados pelo cão como indícios de mudanças iminentes.
Nesses períodos, é comum surgirem comportamentos associados ao stresse e à ansiedade, como ladrar excessivamente, destruição de objetos, alterações no apetite, maior dependência do tutor, inquietação, maior isolamento, fazer necessidades dentro de casa ou mesmo manifestações de agressividade.
Os cães gostam da previsibilidade e das rotinas. Quando percebem que algo está prestes a mudar, especialmente relacionado com a ausência do tutor, podem entrar num estado de ansiedade antecipatória. Por isso, recomenda-se que as mudanças associadas às férias sejam feitas de forma gradual e tranquila, evitando criar um ambiente excessivamente tenso ou emotivo antes da partida.
Nos gatos, os sinais tendem a ser mais subtis: isolamento, alterações na higiene, agressividade ou abandono da caixa de areia. Os gatos continuam a ser animais particularmente difíceis de “ler” emocionalmente?
Sim, pelas suas características e maior independência, a linguagem corporal dos gatos é mais discreta, além de que disfarçam melhor as suas vulnerabilidades. Por isso, os sinais de ansiedade podem passar despercebidos numa primeira fase. Pequenas alterações como menor interação, ficarem mais escondidos, mudanças nos hábitos de higiene, como deixar de usar a caixa de areia, excesso de lambedura ou vocalizações incomuns, podem já indicar um nível significativo de desconforto emocional.
Além disso, ainda mais do que os cães, os gatos são particularmente sensíveis a alterações no ambiente e na rotina, embora aparentemente mantenham um comportamento mais “calmo” ou discreto. Isso não significa que os gatos sejam frios ou menos ligados aos tutores, apenas expressam as emoções de forma diferente.
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Pequenos sinais como malas a serem preparadas, alterações nos horários, maior agitação em casa ou até o estado emocional dos tutores podem ser interpretados pelo cão como indícios de mudanças iminentes.
É possível preparar um animal para mudanças associadas às férias, como viagens, separação temporária ou estadias fora de casa, de forma a reduzir ansiedade e stresse?
Sim, é possível e desejável. Os tutores podem implementar medidas preventivas, sobretudo se os animais forem mais suscetíveis a alterações emocionais e comportamentais. Entre as medidas mais frequentes destacamos o enriquecimento ambiental, através de brinquedos interativos e estímulos mentais, que contribuem para manter o animal ocupado e reduzir o stresse; uma rotina de exercício físico mais regular, especialmente antes de períodos de ausência; o uso de produtos naturais que atuam no ambiente, à base de valeriana e vetivere, que existem em formato de ambientador ou spray. Estes produtos permanecem no ambiente ou podem ser pulverizados na cama, num lenço ou nos brinquedos e atuam suavemente sobre o sistema nervoso do animal, ajudando a reduzir o stresse, a ansiedade e o medo, sem sedar; a manutenção de rotinas consistentes de alimentação e passeios; a preparação gradual do animal para a ausência, ao sair por períodos curtos, que podem ir aumentando aos poucos; a familiarização do animal com a transportadora, principalmente no caso dos gatos. Pode-se colocar este objeto, que costuma estar guardado, à mostra num local de passagem e colocar no seu interior coisas de que gostem muito, como guloseimas ou o seu brinquedo preferido; deixar objetos com cheiro do tutor, como mantas ou roupa, durante as ausências; e apostar no reforço positivo para incentivar as pequenas conquistas.
O regresso das férias pode ser também um momento difícil para os animais, sobretudo depois de períodos de separação ou mudança de ambiente. Há sinais a que os tutores devem estar atentos nos dias seguintes ao regresso a casa?
Os sinais são os mesmos, uma vez que no regresso a casa a rotina não é imediatamente instalada, nem os animais percebem que agora vai voltar tudo ao normal. Assim, o aconselhável é voltar a criar uma rotina de alimentação e passeios estável, potenciar um ambiente seguro e com estímulos para que os animais possam descontrair, recorrer a auxílios complementares, como os difusores ou sprays naturais que, devido às propriedades calmantes da valeriana ou do vetiver, ajudam a acalmar de forma natural e sem sedar.
Fonte: sapo.pt Link:
https://sapo.pt/artigo/ansiedade-animal-nas-ferias-o-que-se-passa-realmente-com-o-seu-cao-ou-gato-quando-a-rotina-muda-6a1557a114f3d731cf00b99d
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