Gémeas do Palvarinho precisam ajuda Dina e Vera são gémeas, têm 28 anos e ambas sofrem de paralisia cerebral. A doença têm-lhes acanhado os movimentos, pelo que cada vez mais estão dependentes da mãe, sobretudo a Vera.
A mãe das gémeas, Virgínia Salavessa, conta ao Reconquista que a paralisia cerebral só afectou as filhas aos 22 anos, quando o marido morreu num acidente de trabalho. “Na altura em Coimbra explicaram-me que, além da paralisia cerebral, mas minhas filhas também tinham ficado com uma doença neurológica degenerativa, que lhes vai matando as células do cérebro”, refere.
E tanto assim é que, ao longo destes anos, as condições de mobilidade e autonomia têm-se degradado e as jovens, além da medicação, também já têm de usar fralda.
Aos 42 anos, Virgínia Salavessa vê-se assim a braços com esta situação, e é mesmo a força dos seus braços que têm de conseguir levar as filhas para a cama, que fica num piso mais elevado da casa. “A Dina é mais fácil de transportar, pois ainda tem alguma mobilidade, mas a Vera não, tem de ser mesmo ao colo, o que se torna cada vez mais difícil”, acrescenta.
Neste momento, a principal necessidade desta família é conseguir fazer obras em casa, no sentido de fazer dois quartos no piso térreo, anulando assim as barreiras arquitectónicas da habitação.
Na aldeia, um grupo de jovens juntou-se e, no Verão, realizaram vários concertos, no Palvarinho, mas também no Chão-da-Vã, Juncal do Campo, Salgueiro do Campo e Freixial do Campo, para conseguir angariar alguns fundos para ajudar.
Virgínia Salavessa tem um ordenado na ordem dos 500 euros e uma pensão de sobrevivência mínima, pela morte do marido, mas como encargos tem todas as despesas de casa, as despesas de saúde das filhas, fraldas e a prestação do carro, que lhe é imprescindível para transportar as filhas para o colégio, pois frequentam durante o dia a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Castelo Branco, mas também para ir trabalhar, pois “o horário de trabalho não é compatível com o dos transportes públicos”.
Para a Vera “já ofereceram uma cama articulada, mas ainda não a foi buscar porque não tenho condições em casa”. O pedido de ajuda também já chegou à Câmara Municipal de Castelo Branco. O vereador Arnaldo Brás confirma que este caso está já sinalizado e que está a ser estudado, no sentido de encontrar um modo legal de ajudar esta família, pois “a autarquia não pode dar materiais, nem ajudas directas a pessoas particulares, mas vai ser seguramente encontrada uma forma de ajudar”.
Mais uma ajuda vai chegar também da Escola Faria de Vasconcelos que promoveu esta quarta-feira, na sua sede em Castelo Branco, um lanche solidário, para ajudar esta família do Palvarinho. Em nota enviada à redacção, a Escola dá conta que “a família tem sobrevivido com o pequeno vencimento da mãe e com alguma ajuda de familiares e amigos, já que a nível da Segurança Social o apoio é pouco ou quase nenhum. E apesar dos pedidos a diversas entidades e de algumas promessas, ainda nada foi feito”.
A direcção do Agrupamento convidou assim professores, encarregados de educação e funcionários a participar neste evento, solicitando a todos um pequeno donativo para ajudar esta mãe e as suas filhas a ter uma casa com o mínimo de conforto, usando para isso o pensamento de que “melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de Natal é a presença de uma família feliz”.
Na localidade de Palvarinho já houve quem ajudasse, agora também a Faria de Vasconcelos vai dar o seu contributo e, atendendo à quadra natalícia, quem sabe outros se sensibilizarão para se juntar a esta causa, pois um pouco de cada um poderá seguramente fazer uma grande diferença para esta família.
Reconquista