Publicado no "American Journal of Clinical Nutrition", este estudo vem demonstrar que a adopção de uma dieta vegetariana reduz num terço o risco de doenças cardiovasculares. A equipa liderada por Francesca Crowe, da unidade de epidemiologia de cancro da Oxford University, contou com a participação de 45.000 voluntários de Inglaterra e Escócia, recrutados durante os anos 90, sendo um terço dos mesmos vegetarianos. A equipa considera que o facto de contarem com tantos elevados números de participantes vegetarianos possibilitou estabelecer uma comparação mais exacta da incidência de problemas cardiovasculares entre vegetarianos e não-vegetarianos. No início do estudo foram recolhidos dados sobre a saúde e estilo de vida dos participantes. Cerca de 20.000 destes participantes foram acompanhados até 2099, tendo também sido obtidos os dados tiveram adicionalmente relativos a tensão arterial e níveis de colesterol medidos, tendo sido acompanhados até 2009. Durante o período de acompanhamento foram identificados problemas cardiovasculares em 1.235 participantes, incluindo 169 mortes por cabeça cardiovascular. A equipa descobriu que os vegetarianos apresentavam um risco 32% menor de serem hospitalizados ou de morrerem devido a problemas cardiovasculares, quando comparados com do que os não-vegetarianos. Esta redução estatística de 32%. Os investigadores obtiveram estes resultados tendo em consideração factores como a idade, hábito de fumar, actividade física, consumo de álcool, contexto socioeconómico e perfil académico. Segundo os investigadores, em comparação com os não-vegetarianos, os vegetarianos exibiam níveis mais baixos de colesterol e tensão arterial, fatores que são tidos como as principais razões para apresentarem riscos menores de problemas cardiovasculares. Francesca Crowe explica que "a diferença no risco é provavelmente devida, em grande parte, aos efeitos do colesterol e da pressão arterial e vem demonstrar o importante papel desempenhado pela dieta na prevenção de problemas cardiovasculares". As dietas vegetarianas conduziram, de forma geral, a índices de massa corporal menores e a menores casos de diabetes. Estudos anteriores tinham já demonstrado que a adopção de uma dieta vegetariana e da prática de exercício físico três ou mais vezes por semana poderiam reduzir o risco da de diabetes de forma significativa. Contudo o índice de massa corporal e a diabetes não pareceram exercer grandes influências sobre os resultados. Os autores do estudo concluem que "estas descobertas vêm reforçar a ideia que a dieta é fulcral na prevenção de doenças cardiovasculares e dá continuidade a estudos prévios sobre a influência das dietas vegetarianas". Fonte:Correio dos Açores |