Fitoterapia - Salva
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NOME EM LATIM: Salvia officinalis L.
FAMÍLIA: Labiadas.
OUTROS NOMES: Salva-mansa, salva-menor, salva-das-boticas, salva-das-farmácias, salva-da-catalunha, salva-verdadeira, grande-salva, chá-da-europa, chá-da-frança, chá-da-grécia.
REFERÊNCIAS HISTÓRICAS: "Procurem salva e dêem-na a beber às poucas mulheres que ainda estão vivas. Só assim poderemos repovoar esta cidade", dizia um médico na povoação egípcia de Copto, no final da Idade Média.
Uma epidemia de peste tinha dizimado o número dos seus habitantes, e as mulheres dos sobreviventes queriam assegurar a sua fecundidade.
"Tomem infusão de salva durante sete dias. Depois juntem-se aos vossos maridos, e concebereis de certeza."
Conta Andrés de Laguna, o célebre médico espanhol do século XVI, que a receita deu resultado. As mulheres coptas repovoaram a cidade em poucos anos. Desde então, a salva ganhou um notável prestígio como estimulante da fecundidade. Actualmente sabemos que esta planta contém substâncias de acção estrogénica, que poderiam explicar em parte esses pretendidos efeitos sobre a fecundidade.
Há, todavia, outras virtudes que foram atribuídas à salva, e que não puderam ser confirmadas. O seu nome vem do latim salvare, porque se pensava que era capaz de salvar de quase todas as doenças, excepto da morte. Graças à investigação científica, podemos hoje conhecer as suas verdadeiras propriedades e usá-la correctamente.
DESCRIÇÃO: Subarbusto de base lenhosa, de 80cm de altura. As folhas são ovaladas, de cor verde acinzentada. As flores, azuladas ou violeta, são dispostas em espiga.
HABITAT: Abunda em terrenos calcários, secos e expostos ao sol. Acha-se aclimatada na América.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:
Toda a planta contém uma essência rica em tuionas, que explica a sua acção anti-séptica, anti-sudorífica e emenagoga; taninos catéquicos, que lhe conferem propriedades adstringentes e tonificantes; flavonóides e ácidos fenólicos, de acção antiespasmódica e colerética; e substâncias de acção semelhante à da foliculina, hormona estrogénica feminina segregada pelo ovário. São estas as suas aplicações:
• Afecções ginecológicas: Pela sua acção emenagoga e antiespasmódica, estimula e ao mesmo tempo regula a menstruação; acalma as dores das regras; combate os transtornos da menopausa (1 ,2). Tomada no último mês antes do parto, facilita-o estimulando as contracções. Em suma, favorece o equilíbrio hormonal do organismo feminino, pelo que se pode pensar que também promova a fecundidade. Recomenda-se o seu uso em caso de vaginismo e de frigidez. Em irrigações vaginais, combate a leucorreia (5).
• Tonificante do sistema nervoso: Possui uma leve acção estimulante sobre as glândulas supra-renais. Por isso, é indicada nos estados depressivos, astenia, hipotensão, tremores, vertigens e outras manifestações de desequilíbrio neurovegetativo (1 ,2).
• Excesso de sudação: É, talvez, a planta com maior acção anti-sudorífica que se conhece. Uma ou duas horas depois de ingerida, reduz a transpiração excessiva, especialmente à noite, no caso de doenças infecciosas, de tuberculose e de certas afecções degenerativas (1 ,2). É, também, febrífuga (baixa a febre).
• Diabetes: Oferece uma provada acção hipoglicemiante que permite reduzir a dose de medicamentos antidiabéticos (1 ,2).
• Afecções digestivas: É digestiva e carminativa; pela sua acção antiespasmódica e anti-séptica contribui para acalmar os vómitos, as diarreias e as cólicas abdominais (1). Oferece o seu efeito colerético (estimula a secreção de bílis), descongestionando o fígado e facilitando a digestão (1).
• Afecções da boca e da faringe: Graças à sua acção adstringente e anti-séptica, usa-se com muito bons resultados em caso de gengivite, aftas, amigdalite e faringite. Em gargarejos, acalma o ardor da garganta e a tosse do fumador (4).
• Afecções da pele: desinfecta e cicatriza a pele. Útil em feridas, úlceras, furúnculos, abcessos e picadas de insectos (3). Os banhos com salva contribuem para a beleza da cutis (6).
PARTES UTILIZADAS: As folhas e as sumidades floridas.
PREPARAÇÃO E EMPREGO:
USO INTERNO
(1) Infusão com 15-30g de folhas e sumidades floridas por litro de água, de que se tomam até quatro chávenas por dia. Para os transtornos menstruais, a salva administra-se durante a semana anterior às regras.
(2) Essência: Administram-se 2-4 gotas, 3 vezes ao dia.. Tomam-se 4 ou 5 chávenas por dia, embora se possa ultrapassar esta dose sem perigo, já que a planta não tem efeitos tóxicos.
USO EXTERNO
(3) Compressas e loções com uma decocção de 80-100g de folhas por litro de água.
(4) Bochechos e gargarejos com esta mesma decocção.
(5) Irrigações vaginais, com a decocção bem filtrada.
(6) Banhos: Esta decocção acrescenta-se à água do banho para se obter um efeito cosmético e embelezador sobre a pele.
Salva-dos-prados
A salva-dos-prados (salvia pratensis L.), difere da S. officinalis na composição da sua essência, mas tem as mesmas aplicações medicinais.
Também existe uma outra variedade de salva: a salva-esclareia (Salvia sclarea L.).
Fonte: S&L