Gel produzido no AM promete curar úlceras em diabéticosRemédio teve como base estudo realizado por pesquisador do Inpa
domingo 13 de setembro de 2015 - 10:30 AM
Gel para úlcera de diabéticos espera aprovação da Anvisa para ser disponibilizado.
Foto: Amanda GuimarãesManaus - Um gel capaz de curar úlceras diabéticas. Esse é o novo produto desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa e Bioprospecção da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), em parceria com a empresa Biozer da Amazônia. O novo projeto, que passou por quatro anos de estudos, agora espera a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estar disponível nas farmácias de Manaus.
O gel, produzido à base de gengibre amargo (Zingiber zerumbet), foi desenvolvido por meio de um estudo do pesquisador do Inpa Carlos Cleomir, há 15 anos, e cicatriza as úlceras diabéticas. São feridas crônicas do pé que ocorrem em pessoas por razões diversas, mas que apresentam complicações em portadores da doença, por exemplo.
“Estávamos trabalhando em outro projeto no Ramal do Pau-Rosa, na BR-174, há muito tempo, e pensamos que tínhamos encontrado o gengibre normal, mas não era. A cor, textura, sabor e composição química eram diferentes. Depois disso, começamos a incorporar os extratos para a produção de diversos produtos”, contou o pesquisador.
De acordo ainda com ele, depois de um estudo, ficou comprovado que a planta tinha propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antibacterianas e anticâncer. “As lesões dos pacientes diabéticos começam com um arranhão, corte ou corpo estranho que eles não conseguem mais sentir porque perdem a sensibilidade dos membros inferiores pelo diabetes. Fizemos uma revisão bibliográfica e relatamos que essa espécie tinha atividades farmacológicas importantes em países asiáticos, como curar úlceras diabéticas”, explicou.
O projeto foi desenvolvido por meio de um processo de extração da espécie Zingiber zerumbet. Em seguida, foi realizada uma higienização, armazenamento, lavagem, trituração e associações de extratos de outros produtos semelhantes aos géis fabricados.
Novo gel que promete curar úlceras causadas por diabetes tem como princípio ativo uma substância extraída do gengibre amargo (Zingiber zerumbet), segundo pesquisa do Inpa. Foto: Amanda GuimarãesO enfermeiro e voluntário do Grupo de Pesquisa e Bioprospecção da Amazônia do Inpa Mauricio Martins desenvolveu o estudo clínico do projeto na UBS José Amazonas Palhano, no bairro São José, zona leste de Manaus. “Existem mais de 1.400 mil espécies de gengibre e a minha atividade era avaliar o estudo terapêutico dos pacientes portadores de úlceras e diabetes. Conseguimos desenvolver isso com êxito e produzir um gel que pudesse fechar as úlceras crônicas, independente da gravidade da doença”, afirmou.
Segundo ele, foram realizados testes durante 90 dias em 27 voluntários com a limpeza nos ferimentos, aplicação tópica do gel e troca de curativo depois de 48 horas. "As pessoas ficavam com a medicação no local durante dois dias e, quando se passavam essas horas, eles retornavam para a nossa equipe multidisciplinar e faziam o processo de tratamento mais uma vez”, explicou.
Mauricio disse ainda que o estudo teve 95% de êxito na cura dos ferimentos e, por isso, foi direcionado para aprovação da Anvisa. “Neste estudo, também se relatou que 40% dos diabéticos possuem risco de amputação de um membro. Vimos que o gel evitou isso e ainda preveniu internações desses pacientes. Estamos esperando que a Anvisa patenteie e aprove o produto o mais rápido possível, pois vai beneficiar muito a população da cidade de Manaus", ressaltou ele.
Diabéticos: grupo faz tratamento três vezes por semana em UBS
Segundo o enfermeiro e voluntário do Grupo de Pesquisa e Bioprospecção da Amazônia do Inpa Mauricio Martins, a avaliação do gel foi realizada com tanto êxito na UBS José Amazonas Palhano, no bairro São José, zona leste de Manaus, que ele resolveu reunir um grupo de 12 diabéticos para tratamento com o novo produto três vezes por semana, na unidade.
O técnico de informática Lucyvaldo Barbosa, 35, afirmou que a sua úlcera está totalmente cicatrizada após o tratamento com o gel. “Sou diabético há 11 anos e o ferimento ocorreu no final do ano passado, uma simples furada de vidro, mas que logo infeccionou. Comecei a utilizar o gel em fevereiro, mas hoje já esta totalmente sarado, porque pensei que ia ser até necessário amputar a minha perna, mas graças a Deus, esse gel me ajudou”, afirmou Lucyvaldo.
A aposentada Iris Oliveira, 76, contou que depois de 15 anos encontrou solução para os seus ferimentos nas suas duas pernas. “Eu corri atrás de hospitais, postos médicos durante muito tempo, não conseguia encontrar um remédio que pudesse realizar a cicatrização, mas quando comecei a fazer o tratamento, consegui achar solução em menos de um ano. Hoje só tem marcas”, explicou, emocionada.
De acordo com o metalúrgico Valvino Bastos, 54, a úlcera diabética apareceu em sua perna esquerda através de uma pequena lesão. “Teve um dia que bebi muito e escorreguei de uma calçada. Tentei tratar em casa, mas a cada dia ia piorando mais. Ouvi que estavam fazendo esse tratamento e corri para cá”, disse.
Segundo ainda Valvino, mesmo estando fazendo o tratamento há pouco tempo, ele já consegue ver a diferença do seu ferimento. “Comecei a fazer o tratamento com gel há pouco tempo, mas diariamente a cicatrização da ferida tem sido algo muito visível para mim porque eu nem conseguia andar direito e hoje já consigo até correr”, contou, aos risos.
Eficácia
O composto Zerumbona, substância extraída dos rizomas do gengibre amargo (Zingiber zerumbet), pode ser também uma arma poderosa na cura do câncer.
O pesquisador do Inpa Carlos Cleomir conseguiu obter um grau de quase 100% de pureza da Zerumbona, capaz de inibir ou bloquear células cancerosas.
Para chegar à conclusão dos efeitos benéficos do gengibre amargo sobre vários tipos de câncer, entre eles os de sangue, cólon, pele e fígado, provocado pela herpes, os pesquisadores do Inpa tiveram que trabalhar durante dez anos, até chegarem a 99,95% de pureza da Zerumbona. A maioria dos centros de pesquisa do Brasil já trabalha com algumas espécies de gengibre.
fonte:
http://new.d24am.com/plus/comportamento/produzido-promete-curar-ulceras-diabeticos/139980