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..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Bem - Estar, Saude e Qualidade de Vida => Tipos de Doenças => Tópico iniciado por: migel em 22/03/2010, 12:05

Título: Respirar Hipertensão pulmonar - doença rara
Enviado por: migel em 22/03/2010, 12:05
Respirar Hipertensão pulmonar
 
É uma doença rara e como os seus sintomas podem ser confundidos com os de outras patologias, os doentes acabam por ter um diagnóstico tardio.

É uma doença rara e como os seus sintomas podem ser confundidos com os de outras patologias, os doentes acabam por ter um diagnóstico tardio. Iniciar o tratamento fora de horas agrava a qualidade de vida dos doentes ou compromete mesmo a sua esperança de vida. Nalguns centros, já existem equipas de referência para diagnosticar e tratar em tempo útil a hipertensão pulmonar Existem dois tipos de circulação arterial: a circulação arterial sistémica e a circulação arterial pulmonar. A hipertensão pulmonar consiste numa doença rara caracterizada por «um aumento da pressão nas artérias pulmonares», explica Maria José Loureiro, cardiologista especializada em hipertensão pulmonar, no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Nos pulmões ocorrem as trocas gasosas por intermédio do sangue que transporta o oxigénio e o dióxido de carbono. Na presença de hipertensão pulmonar, «a pressão na artéria pulmonar – a artéria que leva o sangue do ventrículo direito ao pulmão para fazer as trocas gasosas – aumenta». A especialista acrescenta que se não for tratada, a doença compromete o funcionamento do ventrículo direito e do coração, provocando a morte. Diagnóstico difícil A complexidade no diagnóstico desta doença é o principal entrave ao seu tratamento precoce. Maria José Loureiro refere que o facto de os sintomas da hipertensão pulmonar serem semelhantes aos de outras doenças impede frequentemente um diagnóstico precoce: «Um homem de 50 anos, diabético e com colesterol elevado, se tiver falta de ar e dor no peito será observado por um médico que, à partida, suspeitará que ele tem angina de peito e não hipertensão arterial pulmonar, uma patologia pouco frequente que ainda por cima partilha sintomas com outras doenças.» Por isso, sintomas como cansaço, fadiga, falta de ar, incapacidade para o esforço, dor no peito e tonturas podem dificultar o diagnóstico desta doença que afecta a circulação do sangue nas artérias dos pulmões. Os sintomas da hipertensão arterial pulmonar podem ser confundidos com os de anemia, asma, obesidade, alteração do funcionamento da tiróide e até com uma perturbação da ansiedade, alerta a especialista. Maria José Loureiro diz que a hipótese de diagnosticar a doença é mais frequente em cardiologia do que noutras especialidades e acrescenta que «um doente demora cerca de dois anos, em média, até chegar ao cardiologista». Isto também sucede porque a baixa prevalência da hipertensão arterial pulmonar gera menor procura de diagnóstico específico por parte dos médicos: «E se não se coloca a suspeita da doença, também não se solicita a realização de exames seleccionados, tendo em vista a confirmação ou refutação das hipóteses de diagnóstico consideradas.» Entre nós De acordo com Maria José Loureiro, em Portugal a prática clínica na abordagem de diagnóstico à hipertensão arterial pulmonar – doença que afecta entre quinhentos a mil doentes – não difere da dos outros países. «Há um diagnóstico tardio, que faz que o doente chegue aos especialistas que se dedicam à subespecialidade da hipertensão pulmonar mais tarde, o que leva a que seja tratado mais tardiamente face ao que necessita», afirma. Acrescenta que 75 por cento dos doentes são diagnosticados numa fase avançada da doença – fases três e quatro – o que põe em causa a previsão de recuperação e dificulta o tratamento. Segundo explica, «a doença tem quatro fases: a primeira é a mais ligeira e a quarta a mais grave». A médica compara o sucesso da abordagem terapêutica da hipertensão arterial pulmonar nas fases iniciais de diagnóstico às doenças oncológicas. «Seria um grande avanço no tratamento se fosse possível realizar um diagnóstico precoce porque com as mesmas armas terapêuticas trataríamos os doentes de forma mais eficaz e bem sucedida.» Outro dos entraves à precocidade no diagnóstico da hipertensão arterial pulmonar é a acessibilidade dos doentes às unidades de referência nos hospitais: «Tenta-se, actualmente, identificar quem trata bem e dar visibilidade a essas unidades que tratam com eficácia a hipertensão arterial pulmonar. Nas doenças raras, a experiência e a organização dos meios são decisivos.» Porquê Apesar de as causas da doença não serem totalmente conhecidas, sabe-se que «a doença respiratória (doença pulmonar obstrutiva crónica, doença do interstício pulmonar e apneia do sono) e a doença cardíaca são as causas mais frequentes da hipertensão pulmonar», refere Maria José Loureiro. No entanto, a infecção VIH/sida, as doenças reumáticas auto-imunes (artrite reumatóide, lúpus, esclerose sistémica) e as embolias pulmonares repetidas poderão igualmente gerar hipertensão pulmonar. Quando as causas não são conhecidas, diz-se que a hipertensão pulmonar é idiopática. «A hereditariedade parece estar na base do surgimento de alguns casos de hipertensão arterial pulmonar idiopática. Há uma mutação de um gene – o BMPR2 – que predispõe ao aparecimento da doença. » Tratar a horas Se o doente for diagnosticado numa das duas fases iniciais, será tratado de uma forma menos agressiva e as probabilidades de recuperação serão maximizadas. O mesmo não sucede se iniciar o tratamento na terceira ou quarta fases. «Nas fases iniciais, a estratégia de tratamento passa por tomar comprimidos, podendo o doente ter uma vida normal. Nas etapas avançadas os doentes já precisam de fazer inalações ou de tomar fármacos administrados por via subcutânea ou endovenosa.» Felizmente, apesar da gravidade da doença, Maria José Loureiro garante que tem doentes que se encontram numa das fases mais graves da hipertensão pulmonar que conseguem estar optimistas e que se adaptam bem à terapêutica mais invasiva.

Fonte:Açoriano Oriental