Turismo Acessível deve ser aposta da Região (Madeira) A ACIF – Câmara de Comércio e Indústria do Funchal promoveu, esta tarde, um seminário intitulado “Novas Perspectivas para o Turismo: Acessibilidade Universal”, com o objectivo de sensibilizar os agentes públicos e privados da Região para a temática do Turismo para Todos. O director regional dos Transportes Terrestres, António Cruz Neves, em representação da secretária regional da Cultura, Turismo e Transportes apelou à união de esforços, para desenvolver este sector.
«O problema das acessibilidades, hoje, e pelo facto de (Madeira) ser uma ilha, cada vez se torna mais importante resolvê-lo e importante equacioná-lo», apontou, «mas ninguém faz isto sozinho, eu penso que não há nenhuma entidade sozinha que consiga resolver o problema», apontou o director regional.
Neste «mundo global, acho que todos temos que trabalhar no mesmo sentido e com o mesmo objectivo, eu estou a falar de entidades governamentais, autarquias, sociedades privadas, agentes turísticos», advertiu. Tendo em conta que «o Funchal, pela sua importância, nomeadamente, pelo afluxo turístico que é uma fonte de rendimento desta terra e que nunca é por demais esquecê-lo, é de extrema necessidade pensar estes temas com cabeça, não ser só conversa», reiterou.
O presidente da ACIF sublinhou que o Turismo Acessível deve ser uma aposta na Madeira. «O Turismo para Todos é uma oportunidade de alargamento de mercados e um factor de competividade para um sector estratégico da Região», afirmou Duarte Rodrigues, ontem, na sessão de abertura do seminário “Novas Perspectivas para o Turismo: Acessibilidade Universal”.
Este seminário que decorreu no Funchal contou com a presença dos parceiros de Tenerife, que partilharam as boas práticas em acessibilidades no turismo. Foi também uma oportunidade para a Câmara Municipal do Funchal falar sobre a realidade no concelho.
Através desta iniciativa, a organização procurou «sensibilizar os agentes públicos e privados da Região para a temática do Turismo para Todos, a qual constitui uma oportunidade de alargamento de mercados e um factor de competitividade para o sector turístico porque os turistas são todos diferentes uns dos outros, são diferentes os que não têm problemas de saúde, de deficiência e incapacidade, mas os que têm que se confrontar com essas dificuldades são ainda mais diferentes», apontou Duarte Rodrigues.
«Em Portugal, existem mais de 3,5 milhões de pessoas com mobilidade reduzida, que sentem diariamente as dificuldades de quererem entrar ou partilhar espaços públicos ou privados. Para dois milhões de pessoas idosas, um milhão de deficientes, 540 mil crianças com menos de cinco anos e outras tantas milhares de pessoas que têm que usar carrinhos de bebé, a mobilidade e acessibilidade é, por isso, um assunto muito sério», explicou Duarte Rodrigues.
«Se metade dessas pessoas viajassem cá dentro, apenas 3 dias por ano, e gastassem em média 63 euros geravamos 500 milhões de euros. Mas como ninguém viaja sozinho, basta que leve um acompanhante para estarmos a falar de mil milhões de euros», enumerou.
Para o presidente da ACIF, «nesta época de dificuldades financeiras, podemos estar perante a grande oportunidade para as acessibilidades, não vamos poder fazer grandes obras, surge a época do detalhe, por esse motivo, as acessibilidades podem afirmar-se cada vez mais, tanto mais que o turismo apresenta-se como um vector estratégico para as nossas regiões».
O responsável foi mais longe e alertou que «não podemos ignorar este que vai ser um importante mercado nem a acessibilidade como potencial factor de negócio» porque «uma região com preocupações de mobilidade e acessibilidade gera igualdade social e pode gerar riqueza. O Turismo acessível é um tema que está na ordem do dia na Europa e no mundo, atendendo ao elevado número de pessoas que procuram locais adequados às limitações dos turistas séniores ou deficientes».
in jornal da madeira