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Autor Tópico: João Pinto regressa à vela adaptada no pódio europeu  (Lida 13630 vezes)

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João Pinto regressa à vela adaptada no pódio europeu
Por José Garrancho -18 de outubro de 2019 - 15:23



Atleta de Portimão ficou entre os primeiros na classe Hansa 303.
João Pinto é o atleta portimonense cuja grave lesão que sofreu, aos 26 anos, deixando-o insensível dos mamilos para baixo, não lhe tirou a vontade de viver, nem de ser desportista.

Há cerca de quatro anos, João Pinto abandonou a vela com dois excelentes resultados europeus: 2º em pares e 3º em singulares, na classe Hansa 303.

Dedicou-se ao para-ciclismo, modalidade em que tem vindo a evoluir, conquistando resultados cada vez melhores e também pratica natação.

Repentinamente, decidiu regressar à vela, conseguiu um barco emprestado, ficou em segundo no campeonato nacional, regressou ao Clube Naval de Portimão (CNP) e, duas semanas depois, é terceiro classificado nos europeus.

«Quando me iniciei na vela adaptada, destaquei-me logo da maioria dos atletas, porque pratiquei a modalidade desde criança e eles apenas após a lesão», explica ao «barlavento».

«Há uma coisa que ninguém nos tira, que é a nossa experiência de vida. A vela foi o desporto que mais tempo pratiquei como atleta federado, na minha infância e adolescência. E também depois da lesão. A falta de prática, contudo, faz-nos cometer erros. Quando temos alguém com uma experiência como a nossa, neste caso superior, a ver de fora e a explicar-nos o que foi feito menos bem e como pode ser corrigido, tudo melhora. E o Fred foi uma grande ajuda, nesse aspeto».

João Pinto refere-se a Frederico Coutinho Rato, o treinador de vela da classe Optimist no CNP, que nos disse que «tudo aconteceu quase de surpresa. Estávamos no convívio anual do clube e fiquei muito feliz por saber o seu resultado no campeonato nacional. Fiquei admirado ao ver como alguém que tinha estado parado tanto tempo, chegara ali, competindo contra pessoas que treinam regularmente e evoluíram, conseguira aquele resultado. Soube então que ele tinha entrado no clube e perguntei se tinha alguém para o acompanhar e ofereci a minha disponibilidade. Apenas porque a pessoa que o acompanhou no nacional tem uma profissão numa área diferente e nem sempre o pode fazer».

Embora o treinador, na sua humildade, diga que mais não foi do que um par de olhos extra a estudar o campo de regatas e um amigo para preparar a prova seguinte, quando o João necessitasse, o atleta considera que a sua colaboração foi preciosa para o resultado alcançado.

Rato, regra geral, trabalha com jovens entre os oito e os 16 anos, e desta vez treinou um atleta de 36 anos.

«Crescemos na mesma realidade da vela e há um entendimento mútuo, em tudo o que falamos. E houve uma empatia a partir do momento zero. Senti que não havia travões que nos impedissem de formar uma equipa e avançar até onde ele pudesse, graças aos seus conhecimentos e técnica. E viu-se que não estávamos errados, porque ele conseguiu» chegar ao pódio europeu.

Graças a um protocolo entre o Clube Naval de Portimão e o Clube de Vela de Viana do Castelo, o atleta algarvio tem à sua disposição um Hansa 303 para treinar e competir durante a próxima época.

A classe Hansa é caracterizada por usar embarcações com um centro de gravidade baixo e um patilhão lastrado, o que resulta numa grande estabilidade, sendo quase impossíveis de virar.

Agora, o objetivo é fazer as duas provas de apuramento nacional e o campeonato nacional. «Por norma, o primeiro classificado tem apuramento direto para os mundiais e é financiado pela Associação da classe», diz João Pinto.

«Mas parece que perderam um dos maiores patrocinadores e não se sabe se haverá verbas para patrocinar a ida ao campeonato do mundo, em Los Angeles, em 2020».

Logo, há que ganhar e, depois, arranjar verbas. «Temos de ser a primeira opção a ser selecionada.

Com o apoio do clube, do município ou municípios e os meus próprios patrocinadores, havemos de arranjar verbas para marcar presença no mundial», garante.

«Depois, o meu projeto é participar nos Paraolímpicos em França, em 2024, em para-ciclismo, em vela, se entretanto voltar a ser incluída, ou em ambas as modalidades».


Um adulto diferente inspira os mais jovens
Um adulto com grandes limitações físicas cai no meio de um grupo de miúdos para treinar com eles. Reações? Segundo o treinador do Clube Naval de Portimão Frederico Rato, «o João tem uma alegria contagiante.

Embora, no início, tenha havido uma certa apreensão por parte dos jovens ao verem a sua limitação física, o gelo foi logo quebrado e, mal o João se aproxima da doca, já eles estão na água com a carreta de mar e o levam rampa acima, com alegria em ajudar. E também sabem que ele é um campeão na vela», descreve.

«Eu tentei pô-los logo à vontade e passar-lhes o testemunho», diz João Pinto. «Quando estamos a treinar, o Fred representa a teoria, e eu sou a parte prática.

Consigo realizar certas manobras táticas e técnicas que os mais jovens ainda não conseguem, passo-lhes ideais e os miúdos veem que o meu interesse não é ganhar-lhes, mas é haver um confronto sério e todos melhorarmos», diz.

No início, na aproximação às boias, onde há a possibilidade de os barcos se tocarem, «os miúdos estavam renitentes em se aproximar do João ou invocar direitos, mas ele disse-lhes logo que estava ali para se preparar o melhor possível e para não terem medo de o confrontar. A partir desse momento, ninguém lhe dá tréguas e a amizade aumenta. Está a ser uma experiência muito positiva para o João Pinto, para os jovens velejadores e para o próprio clube», considera Frederico Rato.


Vencer a deficiência para ganhar o pódio
Os graus de deficiência são diferentes. Por exemplo, Piotr Cichocki, o atleta polaco que ficou em 1º lugar movia-se bem, sem quaisquer apoios. O 2º classificado, australiano, tem uma doença degenerativa, move-se em cadeira de rodas, mas tem mobilidade. Como é que isto se processa?

«A vela é um desporto em que a pessoa mais velha, com mais experiência é quem vai ter mais soluções na hora da verdade. Embora seja um pouco injusto, quando há muito vento», diz João Pinto.

«Eu não ando e os dois primeiros andavam. Eles conseguiam fazer força com as pernas para fazer alavanca e eu não», compara. «Aí é que conta a nossa experiência. Tenho de antecipar um pouco o que vai acontecer, se vou apanhar uma rajada, mais corrente, uma vaga mais alta, para poder largar a borda e focar-me no leme e na escota e, assim que passar essa adversidade, voltar outra vez ao contrapeso. Não é isso que me vai fazer perder uma regata. Uma boa decisão tática a meio de uma regata vai trazer muito mais benefícios do que uma rajada naquele momento».

O treinador Frederico Rato confirma: «graças à sua arte e à capacidade de analisar bem as condições, tentar ginasticar tudo e coordenar bem os movimentos» que, em 303 Singles, João Pinto levou para casa o bronze na primeira prova internacional depois de quatro anos sem competir. O Campeonato da Europa de Vela Adaptada 2019 foi disputado por 113 atletas de 10 países que competiram pelo título em quatro classes – Hansa 2.3, Hansa 303 Singles e Doubles, e Liberty – de 7 a 12 de outubro.



Fonte: https://www.barlavento.pt/desporto/joao-pinto-regressa-a-vela-adaptada-no-podio-europeu

 

 



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