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Autor Tópico: ORDEM SCORPIONES ( SCORPIONIDA )  (Lida 5495 vezes)

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ORDEM SCORPIONES ( SCORPIONIDA )
« em: 08/09/2011, 10:02 »
 

DESCRIÇÃO GERAL

Os escorpiões são os mais antigos artrópodos terrestres conhecidos e podem ter sido os primeiros membros deste filo a conquistarem a terra. Os primeiros escorpiões eram aquáticos, possuíam brânquias e não tinham garras. As cerca de 1500 espécies descritas atualmente são mais abundantes em zonas tropicais e subtropicais. Os escorpiões são aracnídeos grandes, a maioria variando de 3 a 9 cm de comprimento. A menor espécie é Typhlochactas mitchelli , de apenas 9 mm de comprimento, e a maior é o africano Hadogenes troglodytes , que atinge 21cm de comprimento. Entretanto, fósseis indicam que os escorpiões chagaram a medir mais de 80 cm.

Os escorpiões são geralmente de hábitos crípticos e de vida noturna, ocultando-se durante o dia sob troncos e pedras e em galerias de solo. No entanto, existem espécies associadas a vegetação, até mesmo árvores. Freqüentemente são encontrados próximos a moradias. Embora a sua imagem esteja associada a regiões desérticas – a maior concentração de escorpiões está na região desértica da Califórnia – grande número de espécies necessita de um ambiente úmido e habita florestas pluviais. Ao contrário dos aracnídeos, os escorpiões exibem fluorescência espetacular, sendo facilmente observados no escuro com luz ultravioleta.

ANATOMIA EXTERNA: ESQUELETO

Como todos os artrópodos, o escorpião possui exoesqueleto quitinoso (cutícula), que recebe todo seu corpo. O movimento é possível graças à divisão da cutícula em placas, conectadas por meio de uma membrana delgada e flexível. Estas articulações permitem os movimentos dos segmentos dos apêndices e do corpo ( ver Tópico 1). A cutícula auxilia na redução da perda da água, devido a presença de água na epicutícula, que também age como repelente hídrico, impedindo que um escorpião fique submerso em gotas de chuva ou orvalho. A cutícula do escorpião não se limita à superfície exterior do corpo. As invaginações da ectoderme superficial do embrião, como os intestinos anterior e posterior e os pulmões foliáceos, são revestidas de cutícula.

Escorpiões do deserto possuem adaptações especiais para evitar dessecamento. Além de serem noturnos, muitos são cavadores. As temperaturas letais para eles são altas (45 – 47ºC); a perda de água do corpo por evaporação é extremamente baixa através do exoesqueleto, embora eles possam tolerar uma perda de água equivalente até 40% do seu corpo. Alguns escorpiões levantavam o corpo do chão, para que o ar circule por baixo, refrescando-o.

ANATOMIA EXTERNA: PARTES DO CORPO

O corpo do escorpião consiste de um prossomo coberto por uma carapaça e de um abdomem (opistossomo) longo que termina em um aparelho de ferrão pontiagudo. O prossomo é relativamente curto e é formado primitivamente por 6 segmentos, cada um contendo um par de apêndices. O primeiro par de apêndices compreende as quelíceras pequenas, triarticuladas e com garras, projetando-se em direção anterior do corpo. Em seguida está um par de pedipalpos. Como característica distinta dos escorpiões, os pedipalpos são bastante grandes e formam um par de pinças poderosas destinadas a capturar presas.

Os escorpiões possuem 4 pares de pernas ambulatórias, sendo cada perna composta de 8 segmentos. No meio da carapaça dorsal existe um par de grandes olhos medianos, cada um situado sobre um pequeno tubérculo. Além disso, de 2 a 5 pares de pequenos olhos laterais estão presentes ao longo da borda lateral anterior da carapaça, exceto em algumas espécies habitantes de cavernas. AS coxas das pernas ocupam a maior parte da superfície ventral do prossomo, exceto por uma placa central, o esterno.

O abdome do escorpião é considerado muito primitivo e liga-se ao prossomo por uma junção bastante larga. O abdome é composto por um pré-abdome (ou mesossomo) de 7 segmentos e de um pós-abdome ( ou metassomo) de 5 segmentos estreitos, de maneira que as duas regiões se acham nitidamente diferenciadas. Os opérculos genitais estão localizados no lado ventral do primeiro segmento abdominal. O opérculo consiste de duas pequenas placas contíguas à linha mediana no lado ventral e que cobrem a abertura genital.

Os escorpiões possuem um par de apêndices sensoriais (pentes). No segundo segmento abdominal, posteriormente às placas genitais. Há ainda, em cada um dos segmentos abdominais, do2º ao 5º, um par de fendas transversais (estigmas) no lado ventral, que se abrem nos pulmões foliáceos. Os segmentos do pós-abdome, chamados às vezes da cauda, parecem-se com estreitos anéis. O último segmento é portador da abertura anal no lado ventral posterior e também sustenta o ferrão.

FERRÃO E VENENO

O ferrão está preso à parte posterior do último segmento e consta de uma base bulbar e uma ponta curva aguda que injeta o veneno. O veneno é produzido por um par de glândulas ovais, cada uma envolta por uma capa de fibras musculares lisas na sua base. Pela contração violenta do envoltório muscular, o veneno líquido é expulso das glândulas a um ducto comum esclerotizado que o produz ao exterior. O escorpião eleva o pós-abdome sobre o corpo, dobrando-o para frente, utilizando um movimento de punhalada ao efetuar a picada.

O veneno da maioria dos escorpiões, embora suficiente para matar muitos invertebrados, não é prejudicial ao homem, equivalendo, talvez à picada de uma vespa. Entretanto, algumas espécies, como a androctonus sp. da África ou Centuroides sp. do México, possuem venenos que podem ser letais ao homem, principalmente crianças. Antroctonus australis, do Saara, possui veneno tão poderoso quanto o de uma cobra naja e pode matar um cachorro em alguns minutos ou um homem em algumas horas. O veneno neurotóxico dos escorpiões é muito doloroso e pode causar paralisia nos músculos respiratórios ou parada cardíaca em casos fatais.

NUTRIÇÃO E DIGESTÃO

Os escorpiões são totalmente carnívoros e alimentam-se de invertebrados, principalmente insetos. A presa é localizada pelos tricobótrios dos pedipalpos, e, em alguns escorpiões, pela detecção de vibrações do substrato através de pêlos tarsias e órgãos sensoriais em fenda. Em alguns segundos, o escorpião do deserto pode localizar uma barata a 50cm de distância.

A presa é capturada e segura pelas grandes pinças, enquanto é morta ou paralisada pelo ferrão. Os escorpiões com ferrões grandes e veneno muito tóxico têm pedipalpos menos desenvolvidos que os demais escorpiões. Pedaços de tecidos são triturados e amassados entre as coxas dos pedipalpos. Enquanto a presa é sustentada pelas quelíceras, as enzimas secretadas pelo intestino médio são lançadas sobre os tecidos dilacerados da presa. A digestão prossegue rapidamente, de maneira semelhante à das aranhas (ver Tópico Araneae).

RESPIRAÇÃO E CIRCULAÇÃO

As trocas gasosas dos escorpiões são efetuadas pelos pulmões foliáceos (laminares). Os pulmões foliáceos são primitivos e originaram-se das brânquias foliares, diferindo destas por serem órgãos internos. Há no máximo 4 pares de pulmões foliáceos, localizados no lado ventral do abdome, cada par em um segmento distinto. O sistema circulatório dos escorpiões é aberto e primitivo e em linhas gerais o processo de bombeamento de sangue é semelhante a dos outros aracnídeos ( ver Tópico Araneae para detalhes de circulação e respiração).

SISTEMA NERVOSO E ÓRGÃOS SENSORIAIS

O sistema nervoso do escorpião difere dos outros aracnídeos por conservar um cordão nervoso definido com 7 gânglios não fundidos. Pode-se dizer que o sistema nervoso dos escorpiões é menos concentrado do que o outros aracnídeos. O cérebro, composto de protocérebro e tritocérebro, é uma massa ganglionar situada acima do esôfago. O protocérebro contém os centros óticos e o tritocérebro contém os nervos destinados às quelíceras. O resto do sistema nervoso é subjacente ao esôfago.

Os órgãos sensoriais dos escorpiões compõem-se de pêlos sensoriais, olhos, órgãos sensoriais em fenda e pentes. Os pêlos sensoriais podem ser cerdas simples inervadas, cerdas móveis ou pêlos finos e longos chamados tricobótrios. Na base do tricobótrio existe uma dilatação que se encaixa no tegumento e contém uma célula nervosa sensoriais que é estimulada por leves vibrações ou correntes de ar. Os pêlos sensoriais são órgãos do sentido mais importante em muitos aracnídeos e estão espalhados pelo corpo todo, principalmente nos apêndices. Os olhos dos escorpiões são do tipo direto, ou seja, os fotorreceptores estão orientados em direção à fonte de luz, mas não são muito desenvolvidos. Os órgãos sensoriais em fenda são depressões em forma de ranhura na cutícula que detectam vibrações na freqüência do som (ver Tópico Araneae).

Os escorpiões possuem um par de apêndices sensoriais, conhecidos como pentes ou pectinas, inseridos no segundo segmento abdominal, posteriormente às placas genitais. Cada pente é formado por 3 fileiras da placas quitinosas que formam um eixo alongado em cada lado do ponto de inserção. Nesse eixo, há prolongamento parecido com os dentes de um pente: no lado ventral de cada dente do pente estão numerosas células sensoriais. Durante o movimento do escorpião, os pentes se mantêm fora dos lados do corpo em posição horizontal, de modo que os dentes tocam o chão. As funções exatas destes órgãos ainda são pouco conhecidas. Eles são sensíveis a vibrações e parecem determinar algum aspecto da superfície do substrato, talvez o tamanho das partículas. Sua supressão impede a deposição de espermatóforos.

REPRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Os escorpiões exibem pouco diformismo sexual, apesar dos machos poderem ser um pouco maiores que as fêmeas. A distinção dos sexos é mais facilmente feita pela presença de ganchos nas placas operculares dos machos. Os túbulos ovarianos ficam no pré-abdome. Antes de se esvaziar em um átrio genital único, cada oviduto se dilata para formar um pequeno receptáculo. O átrio se projeta para trás, formando uma bolsa mediana que talvez seja utilizada para receber o espermatóforo. A posição do sistema reprodutor masculino é equivalente à da fêmea. Um delgado ducto leva os espermatozóides de cada série dos túbulos testiculares até um átrio genital único.

A transmissão de esperma entre os escorpiões ocorre de maneira indireta, através de um “pacote” de espermatozóides chamado espermatóforo. Este mecanismo foi a primeira adaptação para a transferência indireta de esperma em meio terrestre, evitando desperdício. Antes do acasalamento, os escorpiões executam um longo ritual de corte. Em algumas espécies, o macho e a fêmea se encaram mutuamente, dirigem o abdome para cima e movem-se em círculos. O macho então segura a fêmea com os pedipalpos e juntos se deslocam para a frente e para trás. Esta conduta pode prolongar-se por várias horas. Por último, o macho deposita o espermatóforo que se fixa ao solo. O espermatóforo é localizado pela fêmea por estímulos químicos, embora em muitos aracnídeos o macho posa guiar a fêmea até ele. Uma alavanca em forma de asa sai do espermatóforo e a pressão sobre ele libera a massa de espermatozóides que ingressa no orifício feminino.

Os escorpiões são vivíparos, isto é, incubam seus ovos no interior do trato feminino e dão à luz formas jovens. Nas espécies ovovivíparas o desenvolvimento ocorre no lúmen dos túbulos ovarianos. Nas vivíparas, como as espécies tropicais da Ásia, os ovos possuem pouco vitelo e se desenvolvem no interior dos divertículos do ovário. Cada divertículo. Por sua vez, dá origem a um apêndice tubular que contém células de absorção em sua extremidade. Estas células repousam sobre os cecos digestivos maternos, onde são absorvidas as substâncias nutritivas, que passam para o embrião, numa maneira similar ao cordão umbilical dos mamíferos. O desenvolvimento pode prolongar-se por vários meses, com produção de 6 a 90 jovens, dependendo da espécie. Ao nascer, têm apenas poucos milímetros de comprimento e imediatamente se arrastam sobre o dorso da mãe. A cria permanece lá até a primeira muda, que ocorre cerca de uma semana depois. Os escorpiões jovens abandonam a mãe e tornam-se independentes, alcançando a idade adula em aproximadamente 1 ano. Neste período, um número variável de mudas (geralmente de 4 a 6) pode ocorrer. Escorpiões podem viver até 25 anos, embora a predação por aves, cobras e anfíbios seja maior causa de sua mortalidade.



Fonte: isaacbio
 

 



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