Residência é prioridade para os doentes de Machado-Joseph 
Há doentes de Machado-Joseph, em situação de dependência total, que não têm quem cuide deles, estando por isso a ser desenvolvido um projecto de criação de uma residência
AAssociação Atlântica de Apoio ao Doente de Machado-Joseph (AAADMJ) deverá apresentar, no próximo semestre, junto da Direcção Regional da Solidariedade e Segurança Social, o projecto de uma residência para acolhimento temporário ou definitivo de portadores da doença de Machado-Joseph. Segundo Tânia Fonseca, coordenadora técnica da associação, a principal dificuldade com que se deparam os portadores da doença Machado-Joseph, em situação de dependência total e sem qualquer possibilidade de cuidados por parte da família, tem a ver com a falta de respostas a nível social para estes casos. “Neste momento, a maior dificuldade destes doentes prende-se com a falta de respostas na fase em que atingem a dependência total e não há um agregado familiar ou um membro da família que possa garantir prestação de cuidados mínimos”, disse. Assim, a associação tem como próximo grande projecto a criação de uma residência para o acolhimento destes doentes de Machado-Joseph, estando o mesmo de momento em fase de preparação. “Estamos a fazer um levantamento das reais necessidades: número de possíveis utentes, recursos materiais e humanos, bem como valores aproximados deste investimento. No próximo semestre, deveremos apresentar este projecto junto da Direcção Regional da Solidariedade e Segurança Social”, revelou Tânia Fonseca. A coordenadora técnica explicou que as necessidades dos doentes de Machado-Joseph podem ser divididas em diferentes áreas. “A nível psicossocial, podemos dizer que estas necessidades foram bastante minoradas com a intervenção da AAADMJ, uma vez que o isolamento a que estes doentes estavam sujeitos foi quebrado através da abertura do centro de convívio. Ao nível do acompanhamento médico da doença, também há muita facilidade no acesso a consultas quer para diagnóstico, quer para seguimento”, frisou Tânia Fonseca. De acordo com a técnica, haverá no arquipélago cerca de 80 portadores da doença de Machado-Joseph, sendo estes “indivíduos sintomáticos porque em risco, portadores ou em risco de serem portadores, podemos falar de centenas”, acrescentou. A coordenadora técnica lamenta o facto de que as pessoas afectadas por esta doença só possam contar com um apoio permanente e efectivo somente em São Miguel. Nas outras ilhas, os doentes de Machado-Joseph encontram-se bastante “desprotegidos”, pelo que a AAADMJ tenta também dar apoio aos mesmos “através da prestação, pelos nossos técnicos, de informação junto dos doentes e/ou entidades oficiais por forma a desbloquear situações que muitas vezes são criadas, sobretudo, pela falta de informação relativa aos direitos dos doentes”, sublinhou Tânia Fonseca, acrescentando que também é frequente a recepção e atendimento de doentes que se deslocam de outras ilhas a São Miguel. Centro de Actividades Os portadores da doença de Machado-Joseph dispõem de um centro de actividades desde o ano 2000. Em Abril de 2009, a AAADMJ iniciou o funcionamento deste centro na sua nova sede (Rua Prof. Machado Macedo, nº29/31, Ponta Delgada), cujas obras ficaram finalizadas em Fevereiro deste ano. 0 objectivo era criar um núcleo de convívio que permitisse acabar com o isolamento social a que estes doentes estavam, na sua maioria, sujeitos, melhorando assim a sua qualidade de vida. As actividades desenvolvidas são variadas. Deste modo, o Centro de Actividades de Apoio ao Doente de Machado-Joseph (CAADMJ) possui um centro de convívio; actividades lúdico recreativas; classes de ginástica; apoio psicossocial; sistema de apoio ao domicílio; plano de melhoria e adaptação das condições habitacionais e, por último, linha telefónica de apoio. No âmbito do CAADMJ, realizam-se ainda várias actividades lúdicas, como passeios e sessões de convívio, que contam com a participação não só dos utentes, mas também dos seus familiares e associados. • Nova legislação assegura acesso a material clínico, ajudas técnicas e medicação A Assembleia da República revogou, em Agosto do ano passado, o Decreto Legislativo Regional nº 21/92/A, que aprova as medidas de apoio aos portadores da doença Machado-Joseph, e o Decreto Regulamentar Regional n.º 9/93/A, que regula a protecção especial prevista para estes doentes. Contudo, o PS- Açores apresentou um projecto que foi aprovado (Decreto Legislativo Regional nº 20/2009/A) e assegurou a continuidade da quase totalidade dos apoios previstos para estes doentes. “A haver algum reflexo da nova legislação, este será ao nível das reformas e pensões por invalidez, o que será dramático, pois a maior parte das famílias afectadas já se deparam com severas dificuldades financeiras”, sublinhou a coordenadora.
Fonte:Açoriano Oriental