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Autor Tópico: Feira Afonsina 2025: A inclusiva investidura de Afonso Henriques  (Lida 371 vezes)

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Feira Afonsina 2025: A inclusiva investidura de Afonso Henriques

A 13ª edição da Feira Afonsina, que se realizou de 20 a 24 de junho, além de celebrar marcos históricos, ao recriar um dos momentos fundadores da história de Portugal – a investidura de Afonso Henriques como cavaleiro, ocorrida em 1125, na Catedral de Zamora – continua a fazer história graças à aposta do Município de Guimarães nas medidas de acessibilidade do evento, garantindo uma verdadeira viagem ao passado para todos os públicos.

Por estes dias, todos os caminhos foram dar ao centro histórico de Guimarães, onde a Feira Afonsina transformou a cidade num autêntico cenário medieval. Se no dia a dia não é fácil circular nesta zona, durante estes quatro dias de celebração e recriação histórica, o encanto que se vive nem sempre foi acessível a todas as pessoas. Até agora.

O reforço do estacionamento com a criação de lugares provisórios reservados a pessoas com mobilidade condicionada, a colocação de casas de banho adaptadas em três locais do recinto, o transporte gratuito para pessoas com mobilidade condicionada para permitir uma circulação mais facilitada por toda a feira foram algumas das acomodações que contribuíram para a promoção deste evento como sendo inclusivo.

A organização assume que “foi com alguma dificuldade” que implementou as medidas porque foi a primeira vez que a autarquia se debruçou “sobre estas questões com maior atenção”. “Por outro lado, as caraterísticas do evento, a sua morfologia e a dimensão do espaço de implementação das várias áreas temáticas, tornaram mais difícil a implementação de algumas das medidas”, admitiu Paulo Covas, chefe da Divisão da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães. “E como acontece com quase todas as inovações, surgiram resistências internas e externas, o que tornou ainda mais difícil a tarefa de implementar as medidas”, revelou ainda o responsável.

As pessoas com deficiência, que antes enfrentavam barreiras físicas e sensoriais para desfrutar plenamente do evento, passaram a contar com um conjunto de medidas que tornaram a experiência deste evento mais inclusiva.

O sucesso desta aposta na acessibilidade contou com a colaboração fundamental da Divisão para a Coesão e Desenvolvimento Social (DCDS), através do trabalho da chefe de divisão, Mécia Vieira, e da coordenadora do grupo estratégico da deficiência da Rede Social, Daniela Fernandes.  Além disso, o apoio do Centro de Recursos para a Inclusão da Cercigui, representado pela terapeuta da fala Mara Costa  e pela terapeuta ocupacional Patrícia Guimarães, foi determinante para garantir uma Feira Afonsina mais inclusiva e acessível para todos.

Luciana Barbosa, enquanto representante da Divisão da Cultura no Fórum Municipal das Pessoas com Deficiência, destaca ainda a importância do contributo dos membros deste órgão informal de debate, consulta e informação que funciona com o apoio da autarquia para a identificação das necessidades mais imediatas no sentido de definir as medidas a implementar. “Foi muito importante ouvir as pessoas, perceber com elas quais são as suas dificuldades e de que forma poderíamos implementar medidas, muitas delas simples, para que a experiência de visitar a Feira Afonsina se tornasse mais positiva”, começa por dizer Luciana Barbosa. “Acreditamos que foi através do diálogo e da escuta ativa que conseguimos implementar as medidas de acessibilidade concretizadas nesta edição”, reforça.

Por sua vez, Daniela Fernandes enquanto coordenadora do Fórum Municipal das Pessoas com Deficiência realça a “recetividade, disponibilidade e esforço” da Divisão da Cultura “na implementação de todas as medidas propostas e no caminho que, incansavelmente, desbravou para ir de encontro às expectativas do Fórum”. “Uma vez mais, foi possível proporcionar a todas as pessoas as condições que necessitam para participarem de forma plena na vida sociocultural que Guimarães promoveu. Foi, efetivamente, um passo muito importante que marcou a evolução de Guimarães que pretende ser uma referência no que diz respeito às boas práticas em termos de inclusão cultural”.

“Importa realçar que estes contributos foram fundamentais não só para a definição da estratégia para tornar o evento mais acessível, mas também para fazer chegar a mensagem ao público-alvo destas medidas”.  Paulo Covas, chefe da Divisão da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães

Ana Vieira fez uso do transporte disponibilizado para transportar as pessoas do início da Alameda São Dâmaso, junto ao Jardim do Campo da Feira até ao Castelo e assim poder desfrutar das iniciativas do programa que decorriam naquela zona mais elevada do centro histórico. “Tentei ir à casa de banho no Largo João Franco, mas com a minha cadeira de rodas elétrica não foi possível subir o passeio que, embora esteja rebaixado, tem uma pequena saliência que foi impossível transpor”, lamenta.



“Estamos conscientes dos constrangimentos que a geografia da cidade, principalmente do núcleo histórico, coloca à implementação de medidas de acessibilidade”, começa por explicar Paulo Covas. “No entanto, não deixámos que isso fosse um fator impeditivo para avançar com as ações previstas”, sublinha. “Do nosso ponto de vista, as medidas implementadas foram positivas, apesar de terem existido alguns aspetos que deverão de ser melhorados e aperfeiçoados numa próxima edição do evento”, concluiu em jeito de balanço.

Tiago Almeida foi no sábado de manhã, dia 21, à Feira Afonsina juntamente com os colegas que frequentam o Centro e Lar Inclusivos do Polo do Paraíso (CLIPP), do Centro Social de Brito e teve oportunidade de desfrutar dos jogos que se encontravam na feira. “Eu acho que estava tudo fixe. Mas achei que havia uma zona difícil com terra. Nós levamos um colega em cadeira de rodas manual e aquilo foi complicado”, avalia.

Tiago Almeida na Feira Afonsina a jogar dois jogos tradicionais



Uma das sugestões de acessibilidade foi proposta por Armindo Rodrigues que costuma ter dificuldades em aceder às bancas da feira por se encontrarem a meio do passeio. “Eu fui à Feira Afonsina no sábado, mas não tive oportunidade de fazer o circuito todo. Mas vi a carrinha de transporte à espera que o pessoal chegasse. Do que vi pareceu-me tudo bem”, refere o jovem vimaranense.  Armindo Rodrigues está confiante que esta será uma medida considerada nas próximas edições, conjuntamente com a utilização de estruturas com balcões rebaixados.



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