Chamo-me Fátima e tenho 48 anos.
Em março de 1973 já não era suposto eu ter tido poliomielite. Não depois de 20 anos terem passado após o desenvolvimento da vacina e de esta ser incluída no Plano Nacional de Vacinação no final de 1965. No ano seguinte registaram-se apenas 13 casos, o que significou uma redução de 96% dos casos. Em 1967 verificaram-se 6 casos e 19 em 1973, um deles... eu.
Usei durante muitos anos aparelho longo com botas ortopédicas com correção interna de 4 cm. Quando as dores no pé começaram a ser insuportáveis, comecei a procurar soluções. Depois de muita investigação e muitas consultas, finalmente encontrei o que me pareceu (ainda parece) ser o mais indicado para mim: Método de Ilizarov pelo Dr. Nuno Craveiro Lopes da Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa.
Em outubro de 2016 fui, então, submetida a intervenção cirúrgica que me corrigiu a deformidade do pé e a dismetria da perna, o que me permitiu deixar de usar a ortótese e as botas ortopédicas. Entretanto e porque o meu problema é neurológico, a perna, com pouquíssima massa muscular por falta de inervação, não me consegue dar sustentação. Em resultado disso, em 2018, caí e fiz uma fratura cominutiva-supra-intra-condiliana da metáfise distal do fémur (ah, pois é, não foi qualquer porcariazinha sem nome de jeito...). A partir daí, uso tala na perna para não andar sempre a partir-me por aí.
Sou professora de Biologia e Geologia, mas interessam-me muitas outras áreas, como a Engenharia e a Robótica. Vivo em Almada, mas estou a mudar-me nesta altura para o Porto com a família.
Estou muito disponível para aprender convosco e para partilhar aquilo que a minha experiência me ensinou.