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Autor Tópico: Prémio para neurociências de 50 mil euros  (Lida 956 vezes)

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Prémio para neurociências de 50 mil euros
« em: 01/04/2011, 16:39 »
 
Prémio para neurociências de 50 mil euros
Candidaturas abertas até 30 de Setembro




Luís Díaz-Rubio é director-geral da Janssen PortugalO Prémio Janssen Neurociências, um prémio de investigação no valor de 50 mil euros que vai distinguir trabalhos científicos de excelência nesta área, desenvolvido por cientistas em Portugal, foi ontem apresentado numa conferência que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa.

O objectivo do galardão para as neurociências é “incentivar e distinguir o que de melhor se faz em investigação nesta área em Portugal”. A iniciativa pretende ainda “contribuir para soluções que possam resolver problemas que afectam muitas pessoas”, explicou Luís Díaz-Rubio, director-geral da Janssen Portugal.

Segundo o responsável, “em todo o mundo, milhões de pessoas sofrem de doenças mentais. Só em Portugal estima-se que 23 por cento da população sofre diariamente as consequências físicas e sociais de problemas a nível da saúde mental. Trata-se de uma realidade que não podemos ignorar e hoje estamos aqui para ajudar a mudá-la”.

O Prémio Janssen Neurociências será de periodicidade bienal e a primeira edição decorre já este ano, sendo o período de candidaturas entre o dia 1 de Abril e dia 30 de Setembro. “Lançamos o desafio a investigadores e instituições portuguesas para se candidatarem ao prémio Janssen Neurociências. De dois em dois anos vamos distinguir um projecto de excelência desenvolvido por cientistas nesta área com a contribuição de um prémio de 50 mil euros”, afirmou Luís Díaz-Rubio.

“Esperemos que esta iniciativa permita destacar a qualidade dos nossos cientistas, sublinhar o importante trabalho que desenvolvem e incentivar a criação de mais investigação científica em neurociências”, acrescentou o director-geral da Janssen Portugal.

Investigação de qualidade


José Antunes é director médico da Janssen PortugalO Prémio Janssen Neurociências tem o apoio da Sociedade Portuguesa de Neurociências, da Sociedade Portuguesa de Neurologia e da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental.

“Enquanto médico, acredito que é da nossa responsabilidade e vocação o desenvolvimento de novas soluções terapêuticas em áreas de necessidade médica. Acredito também em estimularmos e promovermos uma investigação científica de qualidade”, afirmou José Antunes, director médico da Janssen Portugal.

O responsável explicou que para concorrer ao prémio, os trabalhos podem ser submetidos por uma única pessoa ou por um grupo de pessoas (equipa de investigação), através do site da Janssen, e devem ter sido elaborados no âmbito de um projecto de investigação científica na área das Neurociências, concluído após 30 de Setembro de 2008. Os trabalhos terão ainda de ter sido total ou maioritariamente realizados em instituições portuguesas (unidades hospitalares, estabelecimentos de ensino superior e/ou centros de investigação).

A Comissão de Avaliação do Prémio Janssen Neurociências é constituída por Alexandre Mendonça, presidente da Comissão de Avaliação e investigador principal e responsável do Grupo de Demências do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa; Catarina Oliveira, perita independente e ligada ao Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra; Isabel Pavão, representante da Sociedade Portuguesa de Neurologia; Joana Palha, representante da Sociedade Portuguesa de Neurociências; e João Marques Teixeira, representante da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental.

Critérios de avaliação



Alexandre Mendonça é o presidente da Comissão de Avaliação do PrémioDe acordo com Alexandre Mendonça, “nos últimos 10, 15 anos assistimos à multiplicação de grupos de investigação de grande qualidade, quer a partir de cientistas nascidos de grupos pré-existentes, quer também a partir de investigadores formados em instituições no estrangeiro. Por outro lado, nos anos mais recentes, é curioso verificar que domínios díspares de conhecimento e de actividade, como a engenharia, economia, direito, arte, se têm interessado por temas ligados às neurociências. A sociedade em geral tem vindo a valorizar, cada vez mais, os temas de funcionamento cerebral, das doenças do cérebro”.

Para o presidente da Comissão de Avaliação, “em consequência destas tendências, a área de investigação das neurociências tornou-se muito produtiva, de elevada qualidade e também extremamente competitiva”. Por isso, “nesta altura em que os financiamentos convencionais sofrem necessariamente restrições, a possibilidade de alternativas vindas das sociedades científicas, da indústria farmacêutica ou outras, assume grande importância”, sublinhou.

Os trabalhos serão avaliados de acordo com três critérios: o valor científico do trabalho de investigação, o interesse, relevância e aplicabilidade prática do trabalho de investigação; e a execução do trabalho com recurso a colaborações com instituições nacionais. “A Comissão de Avaliação irá apreciar com todo o rigor o valor científico dos trabalhos de investigação a concurso, bem como o seu interesse, relevância e aplicabilidade prática”, garante Alexandre Mendonça. O vencedor da primeira edição será conhecido até dia 31 de Janeiro de 2012.

Origens da consciência

Para assinalar o lançamento do Prémio Janssen Neurociências, António Damásio, neurocientista e autor de inúmeros artigos e obras, sendo a mais recente 'Self Comes to Mind – Constructing the Conscious Brain', editada em Novembro de 2010, foi convidado a proferir uma palestra sobre ‘As Origens da Consciência’.

“A consciência é aquilo que perdemos quando caímos no sono profundo e sem sonhos ou quando somos anestesiados ou quando temos uma situação de coma ou qualquer das suas variantes”, começou por definir António Damásio.



António Damásio foi convidado a proferir uma palestra sobre ‘As Origens da Consciência’Segundo o neurocientista, perder a consciência “acontece todas as noites ou durante a tarde se fizermos um sono, que é muito saudável para o cérebro”. É “curioso que ninguém se preocupe muito de perder a consciência dessa forma natural”, que “nem sequer é uma forma muito diferente daquela que acontece durante certas anestesias ou quando há problemas neurológicos graves como os que causam o coma”. Contudo, “tanto do ponto de vista natural da perda de consciência como do ponto de vista que tem a ver com a perda de consciência pela anestesia, devemos tentar perceber aquilo que se está a passar”.

O cientista sublinhou um fenómeno paradoxal: “Quando estamos a dormir e temos sonhos, temos consciência”. Ou seja, “cada vez que estamos em sono com movimento rápido dos olhos, estamos a ter consciência. Há um reabrir da consciência, não de uma forma inteiramente normal, mas é consciência”. Assim sendo, “desde que haja produção de sonhos, há um regresso da consciência e a única razão por que nos podemos lembrar de alguns dos nossos sonhos é exactamente porque durante esse período de sono temos um ‘eu’, temos a possibilidade de saber alguma coisa daquilo que se está a passar connosco”.

Como se constrói a mente, quais os mecanismos centrais que permitem que a mente seja consciente, para que servem as mentes conscientes, porque é que as mentes conscientes prevaleceram na evolução, e porque é que n os devemos preocupar com alguns destes assuntos, foram algumas das questões respondidas por António Damásio.

“Há uma forma de compreender a consciência que tem unicamente a ver com a mente e que transformaria o cérebro e especificamente o indivíduo consciente como exibidor de imagens mentais que fluem no tempo sem qualquer preocupação de quem é o dono dessas imagens”, explicou o professor. “Isso é uma consciência sem ‘eu’ mas o problema é muito mais importante e precisa de ser encarado do ponto de vista de quem é o dono dessas imagens. Isto transforma o problema da consciência em algo muito mais complicado porque é fácil de ver que hoje em dia temos inúmeros dados que nos permitem ter uma vaga ideia de como é que o cérebro constrói o fluir da mente. Mas não temos uma ideia claramente aceite de como é que o cérebro constrói esta capacidade a que podemos chamar o ‘eu’”, completou.

Imagens mentais

Para António Damásio, a mente é um fluir de imagens mentais. “Uma mente consciente é uma mente com um ‘eu’ dentro de si. Se a nossa consciência fosse reduzida ao fluir de imagens mentais, aquilo que iria acontecer é que não haveria maneira de saber que existe”, afirmou. Desta forma, “podemos ter um fluir de imagens mentais mas se não houver uma possibilidade de adquirir essas imagens do ponto de vista de ser o dono delas, nunca teríamos qualquer acesso ao facto que essas imagens existem”. Isto é, “se não houvesse uma consciência com mente e com ‘eu’, não haveria possibilidade de se saber que existia qualquer coisa neste mundo. Nunca teríamos sido capazes de saber que existíamos, que existia um mundo à nossa volta, seria puramente um existir sem capacidade de reconhecer essa existência”.

O ponto em que há a capacidade de reconhecer existência constitui uma primeira viragem do ponto de vista da evolução biológica. “O ‘eu’ que está dentro do processo da mente consciente introduz no processo uma perspectiva subjectiva. Sem essa perspectiva não é possível ter uma consciência. Só se está completamente consciente quando o ‘eu’ chega ao cérebro”.


'Self Comes to Mind – Constructing the Conscious Brain' é a mais recente obra do neurocientistaAs mentes são construídas através da produção de padrões dentro de regiões de mapeamento cerebral. Isto é, “há uma actividade neural dentro de uma rede e essa actividade é que vai ser capaz de produzir imagens mentais”. É "completamente falso" pensar que só no córtex cerebral é que se formam mapas que levam a padrões de actividade que vêm a construir imagens mentais. “A verdade é que no tronco cerebral, por exemplo, há diversos núcleos que têm uma organização perfeitamente capaz de fazer mapeamento da mesma forma. Essas são as regiões de mapeamento que primeiro aconteceram do ponto de vista biológico porque antes de termos os cérebros desenvolvidos, com um córtex cerebral muito rico, havia já troncos cerebrais com núcleos com funções extremamente complexas em que há uma representação topográfica daquilo que está a acontecer numa outra parte do organismo”, garante Damásio. Portanto a capacidade de mapeamento e de construir padrões de actividade que venham a transformar-se em imagens mentais não é exclusiva propriedade do córtex cerebral, é uma propriedade de um cérebro com um sistema nervoso central bem organizado.

Existem vários neurocientistas e filósofos que consideram o “problema do ‘eu’” insolúvel. Não é o caso de António Damásio. “Não me parece que o problema seja insolúvel, pelo contrário, há soluções válidas que se podem investigar”. A solução que o cientista propõe passa por “gerar mapas cerebrais no interior do corpo e usá-los como uma referência para todos os outros mapas”. O corpo interessa “porque quando falamos do ‘eu’, de sermos os senhores da nossa consciência, estamos a falar de um dono, não de dois ou três". Há uma singularidade quando se fala do ‘eu’ e quando se fala do corpo. "Em relação ao interior do corpo, há uma amplitude extremamente estreita dos estados fisiológicos desse corpo. As imagens que são formadas sobre o interior do corpo, dentro do tronco cerebral, são imagens que não são completamente pertença do sistema nervoso, nem do corpo, são dos dois. Há aqui uma ligação que considero que vão ser a chave para perceber qualquer coisa de muito importante que acontece a todas as nossas imagens, que é facto que são sentidas”.

Segundo o neurocientista, “quando se pensa naquilo que melhor distingue aquilo que se passa na consciência humana, verificamos que há, junto de qualquer imagem um acompanhamento de sentimento que é inevitável. Ao contrário das imagens visuais ou auditivas que por si só não têm um sentimento agarrado a elas, as imagens que temos do nosso corpo têm, antes de mais nada, um sentimento que é o do próprio corpo”.


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