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Autor Tópico: "Quero viver, seja o tempo que for, mas quero ainda viver"  (Lida 79 vezes)

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Offline salgado18

"Quero viver, seja o tempo que for, mas quero ainda viver"

Manuel Dionísio é um dos utentes da recém-inaugurada Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa. Aqui procura a força para continuar.
02 Novembro 2019 — 00:00


Manuel Dionísio perdeu parte da perna, depois de umas feridas nos dedos do pé que para cicatrizar "umas vezes quase que sim, outras quase que não e aquilo não tinha solução". Até que os médicos acabaram por propor uma operação. Foi amputado e irá colocar uma prótese, motivo pelo qual se viu forçado a uma recuperação com fisioterapia na Unidade de Cuidados Continuados Integrados de São Roque (UCCI) da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Chegou aqui há "três meses e tal", com esperança de que este "processo fosse mais rápido", mas nada que lhe tire o ânimo e a vontade de ultrapassar esta fase.

A UCCI de São Roque, inaugurada em julho deste ano, é a primeira unidade de cuidados de média e longa duração em Lisboa. Aqui, os utentes podem ficar entre 30 e 180 dias. Este é um apoio prestado aos cuidados após a fase aguda e que os hospitais já não têm capacidade de dar. "O doente é visto como um todo e tem um plano individual de terapêutica. Implica a terapêutica médica, portanto a medicação que está a fazer, implica a indicação do que tem de fazer de reabilitação, que pode fisioterapia, terapia ocupacional ou terapia da fala. Tem acompanhamento de uma animadora sociocultural na sala, tem um psicólogo - que, se necessário, poderá intervir em grupo, individualmente ou com a família - e temos a assistente social, que de facto é um dos elementos-chave nesta equipa", descreve Ana Jorge, coordenadora da UCCI São Roque. Depois da alta, estes doentes podem, ainda, ser acompanhados pela equipa da comunidade.
Ana Jorge coordena a equipa de cuidados continuados da UCCI São Roque, onde cada doente recebe um plano

Ana Jorge coordena a equipa de cuidados continuados da UCCI São Roque, onde cada doente recebe um plano individual de terapêutica, que passa por cuidados médicos mas também por consultas de psicologia ou animação sociocultural


© Álvaro Isidoro / Global Imagens

A responsável da unidade não tem dúvidas de que o que mais conta no apoio prestado a estes utentes é a relação que se estabelece entre eles e o pessoal técnico. "O que faz a diferença do ponto de vista da prestação de cuidados e dos bons resultados tem que ver com o pessoal. É aí que está o grande investimento, porque é fundamental a relação humana e a relação terapêutica."
Uma preocupação com os outros

"São pessoas acessíveis e, desde o primeiro dia o que me chamou à atenção é que são preocupadas com os outros." É assim que Manuel Dionísio - um homem "já de uma certa idade", como se refere para indicar a idade - vê os técnicos que trabalham na UCCI São Roque. Um elogio que se estende não só às auxiliares, que "são prestáveis e estão ali para nos ajudar", mas também aos fisioterapeutas, que tiram muitos dos utentes da preguiça e do medo em que se deixaram cair, optando por ficar na cama e deixando de se mexer, aponta o utente. "Vejo que as pessoas fazem progressos. Alguns entram de cadeiras de rodas e passado um tempo já andam. Não andam bem, mas andam", aponta.

"Vejo que as pessoas fazem progressos. Alguns entram de cadeiras de rodas e passado um tempo já andam. Não andam bem, mas andam"

Um diagnóstico que faz para os outros mas que, reconhece, lhe custa a fazer para si próprio. Prefere acreditar que o seu caso é mais demorado do que os outros. Ainda assim, lá acaba por admitir que se sente "mais seguro e até mais forte e com mais vitalidade do que tinha".

Para a médica e coordenadora da UCCI São Roque, Ana Jorge, esse sucesso "depende muito da relação empática que se estabelece com os doentes". "O doente sabe que tem de ir embora e o que tentamos fazer, muitas vezes, é ajudar o doente a ter outras condições para resolver os problemas quando vai para casa."


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