Um jovem com deficiência motora, condutor de um dos quatro veículos que se envolveram num choque em cadeia esta semana na via rápida, zona da Cancela, foi abandonado na Estrada do Aeroporto, junto ao Centro de Inspecções. A PSP limitou-se a cumprir as formalidades legais, entre as quais, o teste de álcool.
Eduardo Freitas, 23 anos, saiu de Santana ao volante do 'Renault Clio' especial, com lugar de condutor adaptado para cadeira de rodas. Destino: 8.º piso do Hospital Dr. Nélio Mendonça. Consigo seguia a mãe.
Há dois meses foi sujeito a uma intervenção cirúrgica aos rins, tendo-lhe sido implantados dois cateteres. Desde então, precisa de ser observado pelos médicos com regularidade.
O "grande azar" atravessou-se à frente do carro no sentido Caniço-Funchal, no túnel do Pinheiro Grande, na Cancela. "Eu ia na faixa da direita, passei para a esquerda para ultrapassar um pesado. Não ia a mais de 80 km/h, retomei a direita e depois houve um carro que se meteu à frente", descreve o momento do acidente.
Eduardo Freitas dirigia o quarto e último veículo que se envolveu no choque em cadeia, eram cerca das 8h45. O acidente de viação provocou um enorme congestionamento no trânsito, pois alguns carros ficaram atravessados na faixa de rodagem ocupando as duas vias.
Como do acidente de viação não resultaram feridos, a PSP não solicitou qualquer ambulância. O carro de Eduardo Freitas sofreu danos avultados na parte dianteira e já não arrancava.
O jovem de cadeira de rodas explicou que foi operado há dois meses e que tinha de ser transportado à consulta hospitalar para ser observado, mas ninguém foi sensível ao seu apelo. "O que mais indigna a gente é que, perante este drama ninguém se prontificou a ajudar", lamenta a mãe. Nem os condutores, nem as autoridades policiais.
A PSP limitou-se a cumprir as formalidades legais. Tomou conta da ocorrência e submeteu os condutores ao alcoolímetro. Todos incluindo o jovem em cadeira de rodas. "O que eu achei despropositado foi o teste de balão. Há que ter um pouco de bom senso", aponta, magoado, o estudante do 12.º ano da Escola Bispo D. Manuel Ferreira Cabral.
Eduardo foi transportado juntamente com o carro danificado num reboque da Vialitoral para fora da via concessionada. Uma vez na Estrada do Aeroporto, junto ao Centro de Inspecções, ligou a pedir ao pai, que estava a trabalhar, para que o levasse ao hospital. "A gente não é daqui e não conhece ninguém", lamenta a mãe.
Eduardo quase se emocionava ao ver o 'Renault Clio', de capô levantado, pára-choques no chão, a ser rebocado para a oficina, sem saber bem como vai pagar a reparação. "É a única forma que eu tenho para ir mais longe", desabafa.
Fonte: Dnoticias.pt