Eles têm trissomia 21 e estão no ensino superior
Há um novo curso do Instituto Politécnico de Santarém ao qual só podem ter acesso pessoas com uma taxa de incapacidade intelectual igual ou superior a 60%. Para os 11 estudantes que o frequentam, bem como para os seus pais, é uma vitória estar ali.
Clara Viana 2 de Abril de 2019, 19:30
Felicidade. É o sentimento que alunos, pais e professores mais evocam quando falam do que têm vivido desde que, em Outubro passado, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém abriu uma formação destinada a estudantes com trissomia 21, uma experiência que o ministro do Ensino Superior desafia os outros politécnicos a seguir.
As viagens que os olhos não vêem entre o México e os EUA
É um curso de dois anos de Literacia Digital para o Mercado de Trabalho, que não confere um grau académico mas prepara os seus alunos para terem um emprego no futuro. “É o sonho de todos os que têm filhos”, testemunha a mãe de uma das alunas do curso, que nesta terça-feira foram mostrar ao ministro Manuel Heitor o que já aprenderam em quase dois semestres do curso.
Este “sonho” de ter filhos a trabalhar é particularmente difícil de concretizar para quem é pai de alguém com síndroma de Down. Como também é o de lhes garantir o acesso ao ensino superior. Por isso, a emoção trespassou muitos dos curtos testemunhos apresentados pelas mães que acompanharam os filhos ao ministério da Ciência e do Ensino Superior, onde também deram conta do aumento da auto-estima que têm visto neles desde que a aventura de Santarém começou.
Rodrigo é um dos 11 estudantes do curso. Para ele, estar no ministério é quase como já estar em casa, porque será ali que vai fazer o seu estágio no próximo ano. O seu futuro “patrão” é o director-geral do Ensino Superior, João Queiroz. Rodrigo conheceu-o nesta terça-feira e não escondeu o seu entusiasmo pelo que aí virá, embora o seu sonho seja o de vir a ser actor de telenovela.

RUI GAUDÊNCIO
Por agora envergou o “uniforme” do futuro trabalho. Apresentou-se de fato e gravata. E deixou um aviso: “Nós somos parte deste país e não somos para sermos gozados pela nossa deficiência.”
Continue a lêr aqui:
https://www.publico.pt/2019/04/02/sociedade/reportagem/trissomia-21-estao-ensino-superior-1867727?fbclid=IwAR1VHKll5_YFaLooQNX_yl1Iq_srul5vI_8cqSxZGjA-rZ3zmJEMwSSLQLE